Filme-pipoca

Cinema... por um cinéfilo.

Post de Despedida + O novo Blog

fim

O primeiro post do Filme-Pipoca data do dia 23 de Janeiro desse ano, quando ainda não se sabia nem mesmo a lista de indicados para o Oscar e o assunto cinematográfico andava em alta com o barulho que fez o lançamento de Benjamin Button. O texto de boas-vindas dizia, já desde o começo, que esse era um blog de cinema feito por um cinéfilo para cinéfilos lerem.

Foram-se sete meses, o blog mudou de template e ganhou a adição de algumas colunas a mais em detrimento de outras, mas a porposta ainda era a mesma no último post, uma relação dos trailers lançados na Internet na última semana. Falar de cinema para cinéfilos, com referências que nem todo mundo poderia identificar e um estilo mais detalhado do que a maioria dos blogs por aí.

Pois bem, valeu a pena. Falei muito do que eu mais amo nesse mundo, e vocês responderam com a mesma paixão. Como foi bom ler seus comentários. Fiz amigos por causa desse blog, criei contatos que não podem e não vão se perder apenas porque essa parte da minha vida de blogueiro está chegando ao fim. Esses são os últimos parágrafos que serão publicados no Filme-Pipoca, e ainda assim me recuso a achar que estou me depedindo de alguma coisa. Porque a missão ainda continua.

O Anagrama é o nome do blog onde estarão a partir de hoje reunidos meus pensamentos sobre cinema, somados a outros assuntos que são do meu interesse e, eu espero sempre, do seu também. Que a nossa conversa sobre a sétima e maior das artes não termina por aqui. Nos vemos, sempre.

Os melhores filmes para todos vocês e até mais!

“We’ll always have Paris” – Humphrey Bogart em Casablanca


~ quinta-feira, 27 de agosto de 2009 1 comentários cinéfilos

Novo Boletim Cinéfilo – Edição Nº02 – Parte II

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Novo Boletim Cinéfilo – Edição Nº02 – Filme-pipoca – 20/08/2009

Parte II – Trailers: Testemunhas românticas, assassinatos em família,  o novo dos vampiros e o retorno dos lobisomens.

Did You Hear About the Morgans? (2009)

Direção: Marc Lawrence.

Roteiro: Marc Lawrence.

Elenco: Hugh Grant, Sarah Jessica Parker, Sam Elliott, Elisabeth Moss, Mary Steenburgen, Michael Kelly.

Sinopse: Um casal rico com problemas de relacionanto testemunha um homícidio em Nova York e é relocado para uma cidade pequena pelo progrema de proteção de testemunhas.

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Hugh Grant não faz um filme de verdade desde Nothing Hill. O drama romântico que protagonizou ao lado da mega-estrela Julia Roberts em 1999 pode não ter sido a maior obra-prima de todos os tempos, mas é impossível negar que tinha seus méritos e que o casal soltava faíscas em tela. Desde então, ele tem gastado seu nome de britânico veterano com comédias românticas que podem até divertir durante breves duas horas, mas não ficam na memória por mais de dez minutos depois do fim da sessão. De exceção só as partes satíricas do bonitinho Letra & Música, primeira parceria do astro com o diretor Marc Lawrence, que volta a escalar o inglês e pode dar alguma ponta de esperança para o novo Did You Hear About the Morgans?. O trailer, ao menos, promete algumas situações cômicas eficientes e mostra o humor ácido de Grant funcionando em sua forma mais pura. Não que Sarah Jessica Parker prometa fazer um par mais do que esquecível, diga-se de passagem, mas ela tem o momento mais hilário do vídeo, perto do final, enquanto gente como Sam Elliott e Mary Steenburgen fazem pura figuração.

Data de Estréia: 05/02/2010 (Brasil)

H2: Halloween 2 (2009)

Direção: Rob Zombie.

Roteiro: Rob Zombie.

Elenco: Tyler Mane, Scout Taylor-Compton, Malcolm McDowell, Sheri Moon Zombie, Brad Douriff, Margot Kidder.

Sinopse: Depois de fugir do hospício e atacar a cidade natal para achar sua irmã perdida, Michael Myers planeja outra violenta união de família sem deixar tempo para a irmã se recuperar.

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Rob Zombie não é um cineasta por excelência, mas por instinto. Vindo de uma banda de heavy metal e previsivelmente tornado em rei dos fãs do terror gore no terreno cinematográfico, o americano aos poucos foi se mostrando um cara que sabia lidar com visuais, assustar e ainda assim não perder um certo tom de brincadeira entre amigos que fazia de seus filmes obras não primas, mas únicas. Com o reboot da série slasher mais famosa do planeta, Halloween, foi diferente. Autor de um texto surpreendente de terror psicológico que explorava com impacto a velha fórmula do gênero e ainda tornava Myers em um psicopata do tipo que provoca repulsa, terror e pena ao mesmo tempo. Não a toa, o cineasta foi chamado para tocar o barco adiante com liberdade criativa total, tornando a seqüência do remake (ou remake da seqüência?) em outra obra que desse ao espectador um pouco mais do que a cota de sangue esguichado do mês. Ou pelo menos é isso que mostra o trailer que equilibra contextualização para quem não viu o primeiro, terror puro e simples para o público médio e aprofundamente icônico e genial nas motivações do assassino. Bem verdade, Tyler Mane, o psicopata, é ofuscado por uma visceral Scout Taylor-Compton, que atua no limite da razão como a irmã perseguida do protagonista. Malcolm McDowell em cena ainda é um deleite extra.

Data de Estréia: 15/01/2010 (Brasil)

Lua Nova (2009)

Direção: Chris Weitz.

Roteiro: Melissa Rosenberg.

Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Nikki Reed, Ashley Greene, Billy Burke, Michael Sheen, Dakota Fanning.

Sinopse: Um incidente em uma festa de aniversário leva a separação do casal Bella e Edward, ao mesmo tempo que faz a protagonista se aproximar de Jacob Black, um lobisomem, tribo inimiga ancestral dos vampiros.

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Pode não parecer para quem conheceu a história romântica da série Crepúsculo por sua recente e eficiente investida cinematográfica, mas os fãs que conhecem a série literária de até agora cinco tomos devem me entender bem quando digo que são uma tribo dividida. Conhecidos nos sites de fãs espalhados por aí como “teams”, são uma espécie de divisão baseada no lado do triângulo amoroso principal que o leitor se compromete a apoiar. Sim, porque Taylor Lautner e seu Jacob Black podem ter sido meros figurantes na versão para o cinema da trama, mas nas linhas de Stephenie Meyer a participação do personagem é bem mais relevante, tanto que ocupa uma boa parte da narrativa de Lua Nova, a primeira seqüência da série e ser lançada nas livrarias. Sem escolhas, portanto, para a roteirista Melissa Rosenberg, que volta da boa experiência em Crepúsculo para o roteiro do segundo filme e deu um espaço maior e merecido para Taylor e seu personagem. Não que o garoto seja um grande ator, mas impossível negar que o clima mais relaxado de seu romance com uma Kristen Stewart que soa bem mais segura de sua interpretação no trailer serão um respiro de toda a pressão imposta pela complicada e surpreendente atuação de Robert Pattinson, que toma seu lugar de pano de fundo dessa vez. Quanto ao resto, a direção mais grandiloqüente de Chris Weitz fez bem a série, e só a rápida transformação de Jacob em lobo tem efeitos melhores que o filme anterior de ponta a ponta.

Data de Estréia: 20/11/2009 (Brasil)

O Lobisomem (2009)

Direção: Joe Johnston.

Roteiro: Andrew Kevin Walker, David Self.

Elenco: Benício Del Toro, Emily Blunt, Anthony Hopkins, Hugo Weaving.

Sinopse: Quando volta para sua terra natal ao saber do assassinato do irmão, um homem é mordido e amaldiçoado pelo mesmo lobisomem que cometeu o crime.

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Críticos entendidos e jornalistas tradicionalistas não consegue tirar a cabeça do século passado. Hollywood mudou bastante da passagem do século para cá, especialmente em relação a forma de pensar mais em lucro imediato do que em projetos a longo prazo. O Lobisomem, novo remake do clássico do terror produzido pela Universal há seis décadas, pode até ter começado seu burburinho como uma espécie de extensão a moda de ressucitar ícones da literatura em filmes dignos das obras originais, espelhados no Drácula de Bram Stoker. Mas isso já faz cinco anos, e alguém seriamente acredita que o sucesso de Crepúsculo e seu universo povoado por vampiros (e lobisomens) não tem nada a ver com o fato da Universal ter acelerado a carruagem do projeto? De uma forma ou de outra, o trailer longo lançado precocemente mostra que o novo filme dá ênfase ao conflito familiar da trama clássica, ainda dá apertitivos do que parecem ser grandes atuações de Anthony Hopkins e Emily Blunt, enquanto o protagonista Del Toro pouco faz de impressionante em meio a efeitos especiais bem montados no clima de suspense nostalgista que faz a moda dos tempos de crise criativa que acaba trazendo de volta idéias do passado. O diretor Joe Johnston faz seu trabalho de sempre com a câmera, sem parecer particularmente inspirado, enquanto o roteiro escrito pelo autor de Seven ao lado do de Estrada Para a Perdição brilha em momentos isolados que prometem um filme igualmente fascinante e banal. É esperar para ver.

Data de Estréia: 12/02/2010 (Brasil)

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo… um dia de atraso para esse post, então as imagens devem sair só sábado mesmo. Faço questão de agradecer a todos os comentários que aprovavram ou não o novo formato, mas tomei gosto por essa divisão, vamos ver como ela funciona a longo prazo. Enfim, os melhores filmes para todos vocês e até mais!


~ quinta-feira, 20 de agosto de 2009 1 comentários cinéfilos

Novo Boletim Cinéfilo – Edição Nº02 – Parte I

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Novo Boletim Cinéfilo – Edição Nº02 – Filme-pipoca – 17/08/2009

Parte I – Rumores: O futuro de Singer, remakes update, Anne Rice de volta as telas e as risadas do futuro.

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Bryan Singer é um paradoxo. Surgido para o mundo em meados dos anos 1990 como o novo gênio da narrativa e aternizando Os Suspeitos entre os melhores filmes de todos os tempos, ele partiu para adaptar uma das novelas dramáticas de Stephen King e saiu com o discutível O Aprendiz. Dois anos mais tarde, entrou no jogo de Hollywood e fez dos mutantes de X-Men algo inteligente e instigante mesmo para quem não gosta do esquema de ação desenfreada dos blockbusters. Repetiu a dose em uma continuação ainda melhor e em seguida dividiu opiniões de novo com a ousadia de um Superman – O Retorno anacrônico que não funcionou para o novo século. Por fim, voltou aos nazistas que povoaram O Aprendiz e dessa vez fez sua lição de casa com o tenso Operação Valquíria. Saindo direto do clima da década de 1940, agora ele aceitou o convite para viajar ao futuro e subverter mais um mundo estabelecido na adaptação da série de TV Battlestar Gallactica para as telas. O seriado, que chegou a pouco a seu fim após quatro no ar em solo americano, por sua vez já é remake de um modesto sucesso dos anos 1970, todo remodelado em um contexto de paranóia e política que, de acordo com os fãs da série setentista, passa longe do clima original. O roteiro, ao menos, está garantido para o veterano Glen Larson, criador e supervisor das duas versões da série e de mais outros clássicos da TV americana, como Magnum e Knight Rider. De resto, o rumor mais recente aponta o cantor-ator Justin Timberlake como um integrante do elenco, já que não foi confirmado se os atores da série estão no filme. Enquanto as coisas parecem boas para o novo projeto do diretor, porém, a já lendária continuação do filme do Homem de Aço parece perto de ser colocada na gaveta pela Warner, que está enfrentando um processo de direitos autorais da família do desenhista de quadrinhos Jerry Siegel, criador do personagem.

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Já que uma semana não é normal em Hollywood sem que o anúncio de algum remake ou reboot seja feito, não custa nada criar um lugar de gala para essa recorrência. O Remakes Update dessa semana tem três notícias bombásticas sobre futuras grandes estréias que devem suas premisssas a idéias de décadas atrás. A começar por Straw Dogs, remake bolado pela Sony Pictures para um lançamento no começo do próximo ano. O original é um dos clássicos do cinema instintivo e cheio de punch que marcou os anos 1970. Intitulado como Sob o Domínio do Medo em solo brasileiro, o filme trazia a marca do mestre da violência Sam Peckinpah (Meu Ódio Será Sua Herança) e ainda deu a um jovem Dustin Hoffman o estrelato definitivo na pele de um americano que se muda com a esposa britânica para uma cidadezinha inglesa e conhece a perversidade suburbana nas mãos de arruaceiros e seqüestradores. Polêmico para sua época, o filme deve ganhar uma revisão nas mãos do roteirista e diretor Rod Lurie, que assumiu o texto e a câmera do remake após o fracasso de sua série de TV Commander in Chief e já chegou surpreendendo com a escalação de James Marsden, o Ciclope da série dos X-Men, como um improvável protagonista. Ao lado dele estarão Kate Bosworth (Quebrando a Banca), Dominic Purcell (Prision Break), James Woods (Shark) e Alexander Skarsgard (True Blood). No mesmo passo polêmico está a continuação/refilmagem Predators, que saiu das mãos de Robert Rodriguez no começo do ano e desde então tem mudado de diretor a cada semana. O definitivo parece ser Nimrod Antal, que completou o thriller de assalto Armored recentemente e tem no currículo o terror Temos Vagas. A trama da vez é de um grupo de soldados, que pode ou não ser liderado por Derek Mears (Sexta-Feira 13), passando por apuros nas mãos do monstro em seu ambiente, um planeta distante. Por fim, a ressurreição de Gordon Gekko, o ícone da carreira de Michael Douglas no reboot Money Never Sleeps tomou seu rumo certo ao conquistar a simpatia do astro e do diretor Oliver Stone, responsável pela câmera do original, Wall Street.

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Com toda a agitação adolescente fervorosa em torno da série iniciada pelo subestimado Crepúsculo no ano passado, parece ser definitiva a posição dos vampiros como a mais nova moda avassladora a passar pelos estúdios hollywoodianos. E já que os direitos da série literária da escritora americana Stephenie Meyer estão garantidos para a modesta Summit Entertainment, os grandes estúdios já começaram a corrida para lançar a concorrência no mercado. Nessa disputa quem saiu na frente foi a Warner, que remexeu no fundo do baú e tirou os direitos de outra série de livros, Vampire Chronicles, da polêmica Anne Rice, que reascendeu por um tempo curto a mania dos sugadores de sangue em meados anos 1990. Os frutos cinematográficos mais notáveis da safra foram o arrasa-quarteirão com alma Entrevista com o Vampiro, estrelado por um Tom Cruise inspirado e com elenco coadjuvante bem estrelado, e o caça-níqueis A Rainha dos Condenados, que acabou se saindo bem nas bilheterias graças a publicidade da morte de sua atriz principal, a cantora-atriz Aaliyah. Todos esperamos que o mesmo tipo de coisa não aconteça na nova produção que o estúdio deu sinais de estar planejando para um lançamento em 2011. Embora quase nada de concreto esteja definido, o título generalizado dado ao projeto, The Vampire Chronicles, sugere que o novo filme seria um apanhado geral das idéias da autora espalhadas pelos nove livros da série, e não uma adaptação específica de um dos tomos. Por enquanto, o único rumor que circula sobre a produção é que Robert Downey Jr teria embarcado na missão de dar uma nova cara ao vampiro Lestat, já representado duas vezes na grande tela. O fato de que o ator desistiu a animação Oobermind, projeto pessoal do amigo Ben Stiller, apenas dá suporte a esses rumores.

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Quem conhece o mundo das comédias americanas não deve se deixar levar pela expressão mal-encarada do quarteto aí em cima. Capazes tanto de se perder nos próprios exageros quanto de criar verdadeiras pérolas de humor ácido e inteligente, os irmãos Wayans tiveram seus melhores momentos, mas seguem como uma das marcas mais fortes do universo cômico cinematográfico e televisivo ianque. Dos quatro, os três primeiros estão no momento ocupados com o desenvolvimento de uma das primeiras continuações da carreira dos irmãos. Patrocinada pela Sony, a seqüencia da comédia divisora de opiniões As Branquelas promete uma estréia de porte para tentar repetir o sucesso comercial do primeiro filme, que arrecadou mais do dobro de seu modesto custo de 37 milhões apenas em solo americano. Keenen Ivory, o primeiro da esquerda para a direita na foto, assumiu as câmeras e ficou atrás delas em 2004 para comandar Shawn (o segundo) e Marlon (terceiro) como dois agentes do FBI que precisam se fingir de meninas ricas, louras e mimadas para completar uma importante missão. Típica comédia alto astral que marca os melhores momentos da trupe, que está de volta toda para a continuação. Por falar em comédia, o clássico Brewster’s Millions está prestes a ganhar uma nova leitura no script dos novatos Matthew Sullivan e Michael Dilliberti. A última adaptação do livro sobre um pobretão que ganha duas heranças milionárias ao mesmo tempo mas precisa gastar toda a primeira para ter acesso a segunda contou com Richard Pyor no elenco.  Enquanto isso, temos a volta da dupla Ron Shelton e John Norville, que não trabalhavam juntos em um roteiro desde O Jogo da Paixão, de 1996, na comédia de golfe Q School, estrelada por Dennis Quaid e Tim Allen. E as novidades cômicas da semana terminam com o terceiro Entrando Numa Fria, que abriu testes para elenco coadjuvante e já tem todo o staff dos dois primeiros filmes garantidos, dessa vez com Paul Weitz (Tudo Pela Fama) na direção após a desistência de Jay Roach, que fez boa parte de seu nome no comando da série. Por enquanto, de nova na equipe só mesmo a estrela juvenil Raven-Symoné na pele da babá dos filhos do casal formando por Ben Stiller e Teri Polo.

Bom, pessoal, eu gostei do novo formato do Boletim, mas o pessoal reclamou do tamanho (com razão) então eu resolvi dividir em três partes na semana, uma para rumores, outra para trailers e mais uma para posters e fotos. Bom, além disso, nada mais a dizer. Os melhores filmes para todos vocês e até mais!


~ segunda-feira, 17 de agosto de 2009 5 comentários cinéfilos

X-Men Origens: Wolverine – Sobre heróis, dólares e faíscas

wolverine  X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine, EUA, 2009).

De: Gavin Hood.

Com: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Lynn Collins, Taylor Kitsch, Dominic Monaghan, Ryan Reynolds.

107 minutos.

Filmes de super-heróis percorreram um longo e tortuoso caminho desde que se tornaram a próxima nova grande mania no final dos anos 1980, quando o Batman de Tim Burton tornou todos os envolvidos em milionários e consagrou o Paladino de Gotham como o maior dos representantes cinematográficos dos vigilantes criados para os quadrinhos. Ironicamente, acabou que o filme de Burton e suas continuações foram casos isolados de sucessos em um lote equivocado de adaptações apressadas que se tornaram fracassos retumbantes de bilheteria e crítica. Como todo o baque é sentido em forma de catástrofe para Hollywood, foi preciso mais de uma década para que o gênero fosse ressuscitado em uma operação surpreendente da Marvel, que colocou o arrebatador X-Men nas salas de exibição e saiu-se 200 milhões de dólares mais rica apenas em solo americano. Foi aí que o domínio da editora, até então menos bem-sucedida frente a concorrente DC no campo cinematográfico, redefiniu o rumo das adaptações de quadrinhos empreendidas pela máquina milionária hollywoodiana. Com muitos acertos (Homem-Aranha), poucos erros (Elektra) e respeito ao material original, entregando-o a diretores e roteiristas com competência certificada, a Marvel se tornou não apenas o maior símbolo da invasão dos filmes de quadrinhos, mas uma das grandes forças criativas e financeiras de uma capital do cinema que berra mais alto a cada ano o quanto precisa de novos ares. Nesse sentido, 2008 foi um ano mais do que definitivo para o gênero, entregando aos fãs o primeiro filme da Marvel agora incorporada como estúdio, Homem de Ferro, e ainda dando luz a sua primeira grande obra-prima, o sombrio furacão de O Cavaleiro das Trevas, vindo direto da concorrência da DC, que andava um pouco quieta demais nos anos anteriores. Tendo em mente esse historio em constante evolução e vislumbrando um futuro de seqüências e novos heróis aportando nos cinemas todos os anos, não tem como evitar ver Wolverine como uma regressão. O que não significa, em absoluto, que seja um filme ruim, apenas menos notável em frente a grandes revoluções do gênero, um filme que segue uma linha narrativa convencional e não demonstra tanto cuidado aos pequenos detalhes quanto seus companheiros de gênero mais festejados. De certa forma, é uma decepção ver um novo capítulo de uma série tão realista e política quanto X-Men, especialmente nos dois primeiros dirigidos por Bryan Singer (Operação Valquíria), seguir um caminho tão sem personalidade e brilho próprio quanto nessa nova aventura de origem assinada pelo sul-africano Gavin Hood, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo drama Infância Roubada e escolhido do astro e produtor Hugh Jackman (Austrália) para trazer a interação fantástica entre personagens da denúncia social de sua obra anterior para a trama movimentada por conflitos que marca essa narração da origem misteriosa do até então desmemoriado Logan, interpretado pelo mesmo Jackman nos filmes anteriores da série. Indestrutível, dono de instintos de lobo e garras de osso que saem por suas mãos, o Wolverine que conhecemos aqui é outro, mais convencional e talvez justamente por isso menos interessante do que aquele que abrilhantava as cenas da trilogia original, seja sob a direção de Singer ou de Brett Ratner (A Hora do Rush), que assumiu bem a câmera da série no terceiro e derradeiro capítulo. O mais grave, porém, é que, se não se conecta com o clima realista e político da série dos mutantes, como obra original e independente que claramente pretende ser, esse Wolverine não tem tanto para oferecer quanto era de esperar com tantos talentos envolvidos. Literalmente, é um filme divertido como Homem de Ferro, mas sem o tempero da personalidade de um Tony Stark. Para usar a expressão certa: absolutamente sem sal.

Os notórios e seguidos escorregões ao conduzir a trama soam ainda mais estranhos nas mãos de alguém com um histórico tão bom quanto o de David Benioff, autor dos textos de filmes díspares, mas sempre contundentes, como O Caçador de Pipas e A Passagem, ambos levados as telas pelo amigo e cineasta Marc Forster. Preso em uma trama já bem delimitada e com pouco espaço para inovar no relacionamento entre personagens que, no final das contas, já estão bem definidos aos olhos do público, ele não consegue pôr muito de seu habitual brilho num texto focado em um par de protagonistas que não se lembra de dar aos coadjuvantes uma motivação de verdade. Encarregado da parte mais fácil da missão, o co-autor do roteiro Skip Woods (Hitman) se sai quase ileso ao criar seqüências de ação interessantes e eficazes, mesmo que quase nunca inovadoras ou de fato empolgantes. Os diálogos conseguem soar verdadeiros, e a personalidade do par de personagens centrais cria uma interação que solta faíscas em duas atuações fascinantes, mas o restante do elenco se vê quase sem opções, perdendo a vantagem da surpresa em pouco tempo e não conseguindo ir além de um par de momentos carismáticos, mais por culpa do roteiro que os deixa jogados ao vento em meio a uma jornada intensa do que por falta de talento dos atores. A cena inicial se passa em pleno século XIX, quando o jovem James Howlett descobre possuir poder de cura, instintos de lobo e garras saindo de suas mãos ao mesmo tempo em que vê seu mundo virar de cabeça para baixo ao saber que o homem que o criou não é seu pai e que o filho do caseiro, o selvagem Victor Creed, é seu meio-irmão. Em seguida a montagem de abertura, muito bem-feita, mostra os dois lado a lado lutando em praticamente todas as guerras da humanidade da Civil Americana a do Vietnã, onde já adultos são recrutados pelo Coronel William Stryker para um grupo de mutantes que viaja ao mundo cumprindo missões para “servir seu país”. Para não estragar nenhuma surpresa, basta dizer que Logan (Hugh Jackman) se cansa de toda a violência praticada pelo grupo e se refugia em uma vida simples no interior canadense por três longos anos antes de se ver acossado por Stryker (Danny Huston) e seu irmão Victor (Liev Schreiber), que parece obcecado em matar todos os antigos integrantes da equipe e acaba encontrando Silverfox (Lynn Collins), a mulher que acompanha o irmão na vida “normal”, pelo caminho. Motivos estabelecidos e sede de vingança despertada no animal reprimido dentro do corpo humano do mutante, nada pode impedi-lo de se unir mais uma vez a Stryker e se tornar a cobaia da experiência da qual os fãs dos filmes ou dos quadrinhos sabem muito bem o desfecho. É claro, o filme vai bem além disso, amarrando com elegância as pontas entre a origem do herói e a trama dos três outros filmes da série mas nunca acrescentando muito ao ícone sólido que o herói se tornou nos últimos oito anos, desde o lançamento do primeiro X-Men, o grande divisor de águas para os super-heróis cinematográficos do novo século. Enfim, não coloque Wolverine para rodar esperando por inovações ou grandes surpresas, ou a natural decepção pode se tornar ainda maior. O que temos aqui é um objeto de estudo interessante para quem gosta de conflitos familiares com um pouco de diversão, não o filme que pretende mudar a visão que temos sobre uma franquia que pode ou não ter um novo capítulo nos cinemas em breve.

Como coração da trama que são, porém, é impossível negar que o grande motivo para assistir Wolverine é mesmo o duelo de atuações entre o já experimentado em assuntos mutantes Hugh Jackman e o novato no universo Liev Schreiber, conhecido por papéis secundários em filmes como o remake de A Profecia e o suspense A Soma de Todos os Medos. O primeiro, voltando ao papel que o tornou um dos mais estimados atores da atualidade tanto entre o público quanto entre a crítica, aparece bem confortável na pele do mutante instintivo e imprevisível que é Wolverine. Adequado bem ao papel, ele leva com a mesma naturalidade as cenas que exigem acessos de fúria e os poucos momentos românticos e dramáticos de uma trama quase desembalada entre cenas de ação cheias de impacto. Seja se utilizando do sarcasmo que marca o personagem ou tentando processar a informação de uma mentira das grandes que ataca direto em seus sentimentos e os vira de cabeça para baixo, Jackman é uma explosão em tela a cada segundo, e segura bem os momentos em que precisa levar o filme nas costas. Indiscutível, porém, que o ladrão de cenas de verdade aqui é Schreiber, atuando com puro instinto em um papel que poderia cair em mais do mesmo nas mãos de um ator mais desleixado. Quando é ele encarnando o irmão que abraça o lado feroz de sua natureza, porém, o que vemos é um vilão mais complexo do que se pode imaginar por baixo da superfície sólida que segue os passos tradicionais de composição de um bom antagonista e ganha pontos por ser conduzido por um ator que sabe controlar os próprios exageros como Schreiber. Ele é selvagem, é um assassino frio, mas no final das contas acaba sendo apenas um homem querendo provar que está certo. Nas mãos do ator, a mistura brilha intensamente. Uma pena que, a mais desses dois incendiários da tela, o restante do elenco tem pouco a fazer com seus personagens mal-desenvolvidos. Danny Huston (30 Dias de Noite) chega a dar sinais da criação de um Stryker interessante, mas se perde no meio do caminho para se encontrar apenas perto do final, quando as coisas já estão bem resolvidas e não há mais muito o que fazer. Sua performance na primeira cena em que aparece chega a superar a dos dois protagonistas, mas daí em diante Stryker é jogado tão para escanteio que fica difícil ver um pouco de brilho novamente em sua atuação. Quem se dá melhor é Taylor Kitsch, um dos jogadores da série Friday Night Lights, que sai daqui direto para o estrelato com o papel principal de John Carter of Mars quase garantido. Nada mais merecido para o ator carismático que ele demonstra ser ao encarnar o estiloso Gambit, que grita por mais tempo em tela a cada frame e dá sinais de render um filme solo com facilidade, mesmo quando é mandado para uma missão que simplesmente não faz sentido perto do final do filme. O elenco extenso ainda conta com uma inexpressiva Lynn Collins (O Número 23) e com o dabochadamente carismático Dominic Monaghan, o Charlie de Lost, que bem poderia estrelar um filme sozinho também. Assumindo a missão de risco de uma super-produção pela primeira vez em sua carreira e apenas em sua segunda investida em terras americanas, o diretor Gavin Hood não faz um mau trabalho, mostrando desenvoltura ao lidar com cenas de ação e não se metendo na frente de seus atores quando eles pedem por um pouco de brilho próprio, o que acaba realçando, para completar a faca de dois gumes, a fragilidade do texto. Se alguém tem mesmo tudo para comemorar na dança de franquias proposta por Wolverine, porém, esse alguém é Ryan Reynolds, que faz um par de cenas introdutórias para o todo seu Deadpool, que deve aportar nos cinemas nos próximos anos. Afinal, dólares são mesmo tudo no mundo cruel de Hollywood.

Nota: 6,0

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Bom, pessoal, e por hoje é isso… Vi esse filme no cinema, mas tive que ver de novo em DVD para ter minha impressão completa, vocês sabem como é… Enfim, quanto ao Boletim Cinéfilo, novo modelo, eu estou pensando em dividir ele em três edições espalhadas pela semana, mas como já estamos na terça-feira isso começaria semana que vem. Seriam os rumores na segunda, os trailers na quarta e os posters na sexta, certo? Bom, então os melhores filmes para todos vocês e até mais! Ah, e apróxima Lista da Década vem ainda nesse mês, preparem-se!


~ terça-feira, 11 de agosto de 2009 6 comentários cinéfilos

Novo Boletim Cinéfilo – Edição Nº01

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Novo Boletim Cinéfilo – Edição Nº01 – Filme-Pipoca - 03/08/2009

Parte I - Rumores: Piratas de volta a voga, novas refilmagens (só pra não perder o costume), a guerra de Bruckheimer e o sim de Sir Scott.

piratas 

Foi há quase quatro meses, no começo de Abril, que o primeiro balde de água fria caiu sobre o projeto de continuar a saga Piratas do Caribe em um quarto episódio. A trilogia original tinha seu segundo episódio entre os filmes mais assistidos de todos os tempos, rendera dezenas de nominações as categorias técnicas do Oscar e ainda ganhou lugar garantido na história do cinema ao revelar ao grande público o talento e a versatilidade de Johnny Depp, que fez do Capitão Sparrow logo aí em cima um dos ícones do novo século, roubando cenas daqueles que teoricamente deveriam ser protagonistas, o casal de bibelôs britânicos feitos por Orlando Bloom e Keira Knightley. Agora, dois anos depois do que parecia ser o fim da franquia, os rumores de sempre sobre uma continuação ganharam força com declarações de interesse por parte de Depp e do produtor, espertíssimo, Bruckheimer. Acontece que todo o resto do time não pareceu tão empolgado, e logo foi anunciado que os personagens de Bloom e Knightley não estariam no novo roteiro, de novo redigido por Terry Rossio, responsável pela trilogia original e por outros blockbusters eficientes como Déja Vu. Depois de rumores que hoje parecem infundados sobre o comediante Russell Brand (Ressaca de Amor) atuando na pele do irmão do capitão, por fim, quem desistiu da franquia foi o diretor Gore Verbinski, dono da câmera dos originais, que partiu para tocar o atribulado Bioshock. A saída do diretor parece ter baqueado a Disney, uma vez que o produtor Oren Aviv só pouco tempo atrás conseguiu falar com firmeza sobre o assunto, dizendo que a procura por um novo diretor está em andamento para o começo das filmagens ainda em 2010. Sete dias depois disso, o candidato que mais provocou sensação na mídia a cadeira de diretor foi Rob Marshall, o homem por trás de Chicago e Memórias de Uma Gueixa, sempre muito esmerado em seus visuais. Claro, não passa de um rumor. Mas será que Bruckheimer pensou que o diretor se sentiria bem em cenários do nível desse aí em cima? Só esperar o contrato ser assinado.

jesus christ superstar

Hollywood não tem limites em sua busca por mais lucro e investimento garantido. Se o objetivo for mesmo levar o público ao cinema e encher os cofres de algum grande estúdio, os executivos de preto presos em salas burocráticas são capazes de remexer na memória, nos clássicos e até na religião, assunto evitado como praga pela maioria das formas de arte. Portanto, se um dos três remakes que aparecerão nesse texto mexer em alguma parte delicada demais para você, não esmurre seu computador nem esbraveje contra mim. Não é nada pessoal, e no fim tudo o que eles querem mesmo é seu dinheiro. Dito isso, a rodada de hoje de refilmagens anunciadas pela já nem tão nova crise criativa da capital do cinema começa com, pasmem, Jesus Christ Superstar. Para quem não está familiarizado com o nome basta pensar em uma visão musical, teatral e herege da última semana de vida de Jesus segundo a Bíblia, tudo num palco da Broadway e sob o texto cheio de sarcasmo do consagrado Andrew Lloyd Weber. A peça pode ter gerado protestos em pleno começo da década de 1970, mas foi o filme, de três anos depois, que deu a trama status de cult da dramaturgia moderna. Agora, mais de três décadas depois, o filho do Homem deve voltar ao cinema com sua jornada alternativa, tudo bancado pelo recente investimento da Universal em musiciais e sob a câmera que pode ser do inexperiente Marc Webb, cuja estréia, a comédia (500) Days of Summer, ganhou elogios da crítica americana. É claro que os planos da terra do cinema para reciclar idéias não param por aí e tem como alvo preferencial a nostalgia dos mais velhos, que viram o mito dos Gremlins crescer sob a direção do mestre do cinema trash Joe Dante e agora podem preparar a pipoca para vê-los surgir em um novo século, tudo sob a supervisão do próprio Dante, que parece não ver motivos para deixar a trama de lado e assumiu a direção do remake. Por fim, a lista do dia termina com Captain Blood, projeto já comentado há algum tempo para refazer a aventura lançada em 1935 e estrelada por Errol Flynn. Agora o remake ganhou os irmãos Michael e Peter Spierig, roteiristas responsáveis pelo inédito Daybreakers, na autoria do roteiro e Philip Noyce (Perigo Real e Imediato) disposto a assumir o cargo de diretor.

bruck

Sorriso torto, barba mal-feita, cabelo fora de moda, rugas prematuras indisfarçáveis pela maquiagem. Alguns devem estar acostumados com o rosto aí em cima, mas aqueles que não o estão são bem capazes de julgá-lo abaixo da realidade. Difícil acreditar que o homem franzino e de certa forma pitoresco na foto é, sem nenhum exagero, a figura mais poderosa da Hollywood atual. Se o rosto não é o bastante, então o nome de Jerry Bruckheimer já deve ter cruzado seus olhos antes do início de um arrasa-quarteirão americano ou nos créditos finais de um seriado televisivo badalado. O estranho é que pouca gente dentro da terra do cinema acreditava que ele pudesse sobreviver sozinho após a morte do parceiro Don Simpson em 1996, logo depois da finalização de A Rocha. É claro, o meio bilhão de dólares que fez Armageddon foi o bastante para acabar com essa impressão, e desde então o produtor tem ocupado o posto de nome mais valorizado do cinema ianque com filmes que quase nunca esbarram na ousadia, mas são diversão mais do que garantida. Boa notícia? Ele não pensa em parar tão cedo. Só no próximo ano seu nome está envolvido em duas mega-produções, a adatpação de video-game Prince of Persia e o remake em live-action do clássico da animação tradicional Aprendiz de Feiticeiro, ambos com a vinheta da Disney antes da primeira imagem. Mas a bola da vez no cronograma futuro de Bruckheimer parece mesmo serem os filmes de guerra, que nunca foram o forte na sua filmografia. Falha que pode ser revertida em Killing Rommel, thriller da Segunda Guerra focado nos esforços do exército britânico para derrubar o lendário Erwin Rommel, oficial nazista conhecido como “Raposa do Deserto”. Num campo mais atual de batalha, Horse Soldiers é a adaptação literária sobre o grupo de agentes invadindo o Afeganistão em uma operação ultra-secreta para desbaratar o Talibã. Depois de passado e presente, por fim, ele embarca para uma guerra do futuro similar a da série Exterminador do Futuro na adaptação da graphic novel World War Reboot, que narra a batalha final entre humanos e máquinas na Terra, na Lua e em Marte. Pela marcha das coisas, os três devem chegar aos cinemas em 2012.

ridley

O pior dos psicopatas é aquele podemos entender. Por mais que seja aterrorizante, sufocante e cheio de paranóia e maestria técnica, nunca foi possível determinar porque Alien – O Oitavo Passageiro se tornou um filme tão atemporal e universalmente perturbador. Historicamente, foi um divisor de águas, um suspense de ficção que definiu pra sempre um conceito diferente de volta as raízes do cinema, psicológico e cheio de sombras, paranóico e claustrofóbico sem deixar de ser fortemente visual e violento. Mas para além dessa importância, Alien foi um filme sem mocinhos e vilões, sem estereótipos e sem a inocência de valores que marcaria o cinema da década seguinte a sua. Havia um monstro seguindo seu instinto, que fora tirado de seu habitat natural e havia o grupo de pessoas distintas que lutavam para sobreviver e ainda assim não deixavam de se digladiar entre si. Prova disso era Ash, andróide disfarçado dono de mais cenas aflitivas e mais repulsão pura e simples do que o próprio monstro, desenhado com maestria perturbadora pelo artista H.R. Giger. Ainda assim, não teriam Ash e o Alien motivos até mais comprensíveis que os dos próprios humanos? A perturbação, no final, não vinha do clima, mas da condição. Vilões mais motivados que heróis. Bela revolução e estratégia que só poderia ser traduzida pela câmera do mestre dos mestres Ridley Scott, na época um jovem sem poucos créditos notáveis, hoje o grisalho lorde inglês aí em cima, que, surpresa para os fãs da série, parece ter se cansado de ver sua obra-prima ser dilacerada por filmes como Alien Vs. Predador e aceitou de novo tomar as rédeas da história da Tenente Ripley para uma prequel, que está sendo planejada pela Fox há algum tempo, mas ganhou força com a confirmação que Scott está disposto a voltar. A própria Weaver disse que confia plenamente no diretor, e que gosta da idéia de dar ao monstro uma origem própria. Resta esperar que nenhum Predador se meta na frente da câmera dessa vez.

Parte II – Trailers: irmãos alternativos, guerreiros solitários, raposas em família e uma dona de casa desesperada de verdade.

A Serious Man (2009)

Direção: Joel Coen, Ethan Coen.

Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen.

Elenco: Michael Stuhlbarg, Adam Arkin, Richard Kind, Sari Lennick.

Sinopse: O ano é 1967, e o protagonista é o professor do Meio-Oeste americano Larry Gopnik, um fracassado que vê sua vida desmoronar quando a esposa se prepara para deixá-lo, tudo porque seu estúpido irmão, do qual Larry cuidou a vida toda, não quer sair de casa.

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Mais uma vez os irmãos Coen fogem do esquema hollywoodiano de se levar a carreira e fazem um filme que soa extremamente pessoal ao mesmo tempo que atinje em cheio o modo de vida medíocre de toda uma sociedade que se acostumou ao fracasso pessoal e profissional. A sinfonia montada por sons bizarros vindos de cenas progressivamente mais pitorescas mostra que os dois não perderam a veia cômica, cada vez mais sofisticada e combinada com críticas sociais que devem soar alto na interpretação promissora do desconhecido Michael Stuhlbarg. Ao seu lado, Adam Arkin promete momentos de diversão culpada na pele do irmãos retardado do protagonista, tudo permeado pelo grande domínio narrativo dos Coen, autores do roteiro. Promete o que pode cumprir, e não é pouco.

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 Data de estréia: 02/10/2009 (EUA, circuito limitado)

The Book of Eli (2010)

Direção: Albert Hughes, Allen Hughes.

Roteiro: Gary Whitta.

Elenco: Denzel Washington, Michael Ganbon, Gary Oldman, Mila Kunis.

Sinopse: Num mundo pós-apocalíptico, um homem solitário atravessa a América destruída para proteger um livro que pode conter o segredo para salvar toda a humanidade.

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Trailers de filmes de ação podem ser os mais enganadores e difíceis de interpretar, mas não é preciso uma mensagem tão clara para pegar no ar as dicas do que o filme pode ser. Aqui, o destaque é claramente o visual criado pelos irmãos Hughes, que não pegavam na câmera há impressionantes oito anos desde o fracasso do suspense sangrento Do Inferno, mas parece não ter perdido o faro para cenas de ação que de convencionais não tem nada. Sem a edição frenética e a câmera sem controle que marca os atuais modismos, a beleza da violência é quase palpável, seja em uma explosão ou em uma luta brutal filmada toda na base de sombras. Denzel Washington, por outro lado, não parece tão inspirado quanto seus comandantes, entquanto o trailer desperdiça a chance de dar um aperitivo da volta de Gary Oldman aos vilões.

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Data de estréia: 15/01/2010 (EUA)

The Fantastic Mr. Fox (2009)

Direção: Wes Anderson.

Roteiro: Wes Anderson, Noah Baumbach.

Elenco: Meryl Streep, George Clooney, Owen Wilson, Michael Ganbon, Willem Dafoe, Bill Murray, Adrien Brody, Anjelica Houston.

Sinopse: Baseado na novela do escritor infantil Roald Dahl, Anderson compôs um insólito drama familiar sobre uma família de raposas que precisa se defender das investidas de um fazendeiro cansado de dividir sua produção com os animais.

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“Esqueça o super. Ignore o incrível. A hora é do fantástico!”. Simples assim, com palavras quase surpreendentes de tão óbvias, o trailer de Fantastic Mr. Fox consegue ir, em meros dois minutos e meio, da pura estranheza direto para a cativação mais inesperada dos últimos anos. Mérito de Wes Anderson, o homem por trás de Viagem a Darjeeling, o autor do roteiro que adapta a obra infantil clássica do mesmo autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate ao lado do queridinho da crítica Noah Baumbach (Margot e o Casamento). Com uma trama familiar que tem raposas como protagonistas nas mãos, Anderson chamou uma trupe de peso para dublar personagens pitorescos e criou um produto que é ao mesmo tempo visualmente artístico e inesperadamente cativante. A distribuição brasileira, ainda bem, já está garantida.

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Data de estréia: 04/12/2009 (Brasil)

My One and Only (2009)

Direção: Richard Loncraine.

Roteiro: Charlie Peters.

Elenco: Renée Zellweger, Logan Lerman, Kevin Bacon, Nick Stahl.

Sinopse: Em plenos anos 1950, acompanhamos uma glamourosa dona de casa que atravessa o país a procura de um novo marido pra bancar o elevado nível de vida dela e de seus filhos.

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Os elementos em comum são demais para não ligar My One and Only a pouquíssimo notada comédia romântica nostágica O Amor Não Tem Regras, que George Clooney dirigiu em 2006 para descansar de dois filmes sérios demais e que a mesma Renée Zellweger co-estrelou na pele de uma mulher independente e ousada para sua época que trazia por trás da personalidade explosiva uma paixão a ser descoberta. Em resumo, é o mesmo papel da inglesa nesse novo romance de Richard Loncraine (Wimbledon), que aposta na atriz e na química com o jovem Logan Lerman (Os Indomáveis) para carregar uma trama que parece não ter nenhuma inovação nos caminhos que toma, algo no mínimo irônico para um road movie.

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Data de estréia: 21/08/2009 (EUA, circuito limitado)

Parte III – Posteres e imagens: Sandler nos palcos, Kutcher brincando com fogo, Binoche de vota a terra e a última da Disney.

funny people 1

A mistura pode não ter funcionado como poderia na primeira tentativa, mas alguém duvida que uma hora ou outra a parceria entre um dos maiores astros da comédia americana e o diretor mais badalado no gênero do momento vai produzir uma obra-prima cômica? As chances de Funny People, ao menos, são bem mais substanciais do que as de uma bobagem sem personalidade como Zohan. Veja bem, há Sandler exercitando seu lado agridoce como um comediante de palco que pode estar morrendo, Seth Roger na pele de seu melhor amigo e um roteiro que promete quilos de metalingüagem assinado por Judd Apatow, dono dos créditos por Ligeiramente Grávidos. Alguma chance remota de ser algo tão repugnante quanto um agente secreto israelense que viaja a Nova York e se torna o cabeleireiro com a vida sexual mais ativa de todos os tempos? É esperar a Universal resolver lançar a pérola por aqui.

jogando com prazer 

Nikki, o protagonista da improvável trama de Jogando com Prazer, não é apenas mais um jovem perdido na vida que se joga a um mundo de drogas, prazeres e crimes sem saber onde está se metendo e sem um objetivo qualquer em mente. Não poderia o ser nas mãos do polêmico, mas sempre brutalmente competente David Mackenzie, diretor que fez fama com o voyeurístico Olhar do Desejo e agora traz para as telas a história de um jovem que vive a vida como um jogo. De conquistas e de privilégios que vão se escalando sem realmente se importar quão significante cada degrau realmente é. Justamente quando parece estar no paraíso, com uma namorada linda e rica, aproveitando o melhor da vida, porém, Nikki se apaixona. Romântico, não? Nada que um seguro Ashton Kutcher não consiga levar para um novo nível, tudo enquanto o diretor destila o melhor de sua ambientação visual. O resultado estréia em 25 de Setembro.

paris

O cineasta francês Cédric Klapisch ficou conhecido no mundo todo pelo filme-coral O Albergue Espanhol, um drama de riqueza impressionante que passeava por realidade e ficção com distinção tremenda. A coisa pode ter mudado um pouco de figura e de foco, mas é mais ou menos a mesma sensibilidade visual e de roteiro que se deve esperar de sua mais nova peripécia, intitulada Paris, que deveria ter chegar ao Brasil no começo do mês passado mas, ao que parece, deve aportar mesmo só em DVD. Quando acontecer, não deixe de conferir a trama levada nas costas pelo ator-fetiche do cineasta, Romain Duris, atuando como um dançarino com problemas cardíacos que passa dias melancólicos observando a capital francesa em plena dança frente aos seus olhos, que vigiam da janela de um apartamento. A mudança é introduzida na chegada de Élise, sua irmã mais velha, feita por Juliette Binoche.

prince of persia

Mike Newell já saiu ileso, e ainda vitorioso, das pressões envolvendo o quarto capítulo da série mais vista de todos os tempos, Harry Potter. A marcação dos fãs do video-game que inspirou a produção do vindouro Prince of Persia: Sands of Time, portanto, devem ser a última de suas preocupações no momento, finalizando a pós-produção de sua nova obra com Jerry Bruckheimer ao lado e a Disney pressionando para um adiantamento praticamente impossível de data. Enquanto o filme ainda está marcado para Maio do ano que vem, dá para curtir os primeiros posteres lançados na rede, que mostram Jake Gyllenhaal pronto para a batalha em uma encarnação fiel ao personagem original e os olhos hipnotizantes da ex-bondgirl Gemma Arterton adornando o sugestivo slogan de uma palavra só. “Destino” parece ser a palavra-chave na nova super-produção hollywoodiana, mas ainda faltam dez meses para conferir se o do filme é mesmo uma bilheteria gloriosa.

Bom, primeiro os esclarecimentos: esse formato é um protótipo para o novo Boletim, estou aberto a sugestões, críticas, comentários, tudo. Só quero mesmo mudar, porque senti que não estava mais funcionando do jeito certo. A idéia foi mesmo diminuir o tamanho dos textos e passar mais informação… E é isso, espero que tenham gostado! Os melhores filmes para todos vocês e até mais!


~ segunda-feira, 3 de agosto de 2009 5 comentários cinéfilos

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (31/07/2009)

Vampiros em marcha

newmoon

Crepúsculo tinha tudo para ser um fracasso. É claro que aqui estamos falando da adaptação do primeiro livro de uma série com base de fãs vasta e sólida, mas fazer funcionar em película o que está no papel é sempre uma matéria delicada. Ainda mais com uma trama vampírica sem grandes cenas de ação ou apelo para o suspense, cujo centro é o típico romance entre dois adolescentes que anda tão criticado no filão das comédias românticas. Quer mais risco para o investimento? Sem problema, chame uma diretora egressa do cinema independente para guiar as câmeras e escale uma dupla de jovens atores conhecidos só por papeis coadjuvantes. Ao olhar da imensa maioria dos executivos dos grandes estúdios, uma coisa assim simplesmente não tinha chance de dar certo. Na teoria, a decisão perfeita seria engavetar o projeto e seguir em frente, dando alguma satisfação furada ao fãs colerizados que encheriam a Internet por alguns meses com abaixo-assinados que se provariam inúteis. Tudo perfeito, se não fosse esse pequeno doce da vida, a surpresa, que atacou forte em novembro e deu à ousadia da Summit Entertainment uma recompensa de quase 400 milhões nas bilheterias ao redor do mundo. Pois é, o mundo gira, e agora o antes velho e ultrapassado mito dos sugadores de sangue noturnos ganhou o misterioso poder de levar um projeto instantaneamente para o topo da lista de prioridade de um estúdio, enquanto o bastardo Crepúsculo tem a página de rumores mais badalada da rede. Começando na sequencia imediata do romance, intitulada Lua Nova, que começa a mostrar sua própria personalidade na divulgação que se prepara para o que pode ser o lançamento do ano em 20 de Novembro. Dessa vez o filme é comandado pelo mais comercial Chris Weitz, responsável pela fantasia A Bússola de Ouro, que não é nenhum idiota e já escalou um elenco de peso para formar a família antagonista da vez. Os Volturi, vistos aí em cima em pose familiar comovente, são um clã antigo de vampiros poderosos, que não por acaso contam com intérpretes talentosos de verdade para representá-los. Começando da esquerda para a direita, Aro é interpretado por um  irreconhecível Michael Sheen, que parece estar em todas desde Frost/Nixon. Depois, o patriarca Marcus ganhou o rosto do veterano da televisão Christopher Heyerdahl (Stargate), e a ala jovem da família está bem representada pelos talentosos Jamie Campbell Bower (Sweeney Todd), Dakota Fanning (Heróis) e Cameron Bright (Obrigado por Fumar). A continuação ganhou ainda um extra de publicidade quando um tablóide inglês fotografou a grandiosa filmagem do clímax do filme em Roma, e por fim foi anunciado que a banda de rock Radiohead será responsável pelo tema principal. Enquanto isso, o terceiro filme da série, intitulado Eclipse e em plena produção, ganhou a presença de Bryce Dallas Howard (A Dama na Água) assumindo um papel que foi de uma semi-desconhecida no primeiro filme. Eclipse tem David Slade, o homem por trás de 30 Dias de Noite, tentando variar o cardápio sem sair do próprio território. Coisa de vampiro caçador.

Paul is back!

paul milla 

Paul W.S. Anderson tem uma carreira curiosa de se acompanhar, bem atípica para as regras hollywoodianas desde seu início, no começo da década passada com o ultra-violento suspense de ficção Shopping, que contava com um Jude Law pré-fama na pele do líder de um grupo de arruaceiros que, ao lado de sua namorada, enfrentava a lei e gangues rivais em “um futuro muito próximo”. Em suma, era um Blade Runner que deixava de lado a filosofia e partia para as vias de fato, num estilo que se comunicava muito mais com a nova geração de jovens do que o épico de Ridley Scott. Depois do clássico cult instantâneo que fez em sua estréia, porém, Anderson supreendeu por engatar a quinta marcha e abraçar qualquer projeto ligado a cultura pop que visse pela frente. Se saiu com uma das adaptações de video-games mais competentes de todos os tempos com Mortal Kombat, o primeiro de 1995, colocou lado a lado dois monstros do cinema de ação oitentista e reergueu as respectivas carreiras em Soldado Universal, de 1998, e finalmente se meteu a levar para o cinema a franquia virtual mais adorada pelos fãs de survival horror, Resident Evil. Conseguiu em 2002, arrancou alguns elogios inesperados da crítica, não irritou os fãs o bastante para gerar protestos na rede e ainda antrou solteiro e saiu casado com a beldade Milla Jovovich, protagonista do filme e das duas seqüencias, nas quais o marido participou na produção e na elaboração do roteiro, deixando a câmera da série em prol de projetos como o merecidamente infame Alien Vs. Predador e o subestimado Corrida Mortal. Agora, logo depois de provar para quem quisesse ver que podia ir além de algumas cenas de ação quando servido de um bom roteiro, Anderson está envolvido em pelo menos mais três projetos que podem chegar quase ao mesmo tempo nos cinemas. A começar pelo mais atribulado, Spy Hunter, que estava quase pronto sob os ângulos da câmera de John Woo e já tinha até poster lançado na rede quando uma tremenda confusão ainda mal explicada entre o mestre chinês, o astro The Rock, o roteirista Stuart Beattie e o estúdio zerou o projeto. Na época, o próprio ator chegou a dizer que a saída do comandante era o reflexo do excesso de gente na elamboração do projeto, o que gerou um conflito de idéias impossível de se resolver. Anderson chegou para repaginar o filme em ainda por volta de 2007, e embora os rumores atuais apontem seu envolvimento apenas no roteiro da produção, não há nenhuma notícia concreta. No mesmo estado de estagnação desde mais ou menos a mesma épcoa está a refilmagem The Good Long Friday, remake de um clássico cult estrelado por Bob Hoskins na pele de um poderoso gângster que tem seu império ameaçado por uma série de atentados. O original contava ainda com Helen Mirren como a esposa do protagonista, mas o remake não tem ninguéme scalado no elenco e parece estar em processo de roteirização. Por falar em roteiro, Anderson finalizou recentemente o texto de Castlevania, adaptação de um dos clássicos do video-game de ação e horror, e o cargo de diretor anda disputado entre Sylvain White (O Poder do Ritmo) e James Wan (Jogos Mortais). Por último, a boa notícia para quem não gostou da forma como a franquia que saiu de Resident Evil foi conduzida é que Anderson está disposto a voltar a direção da série em seu quarto capítulo, intitulado Afterlife, que pode ou não ser estrelado dessa vez por Ali Larter, da série Heroes, que já teve uma participação no terceiro filme.  As filmagens e os rumores sobre a nova trama dão largada em Setembro.

Novas histórias do morcego

batman 3

Para quem não está acostumado com o esquema de rumores que rola em torno das próximas grandes produções de Hollywood, é curioso ver que a coisa funciona mais ou menos como uma corrente motivada pela imprensa, especializada ou não. Uma notícia puxa a outra, na medida que esses veículos de comunicação fazem entrevistas não raro apenas para confirmar o boato anterior, tudo sob a luz de uma declaração que já naturalmente leva ao pobre entrevistado a tendência de formar um elo a mais na corrente. Em suma, notícia ruim traz mais notícia ruim, e notícia boa traz mais notícia boa, uma dinâmina que se refletiu de jeito bem curioso nos mais recentes rumores sobre o terceiro filme da nova série do Homem-Morcego. Depois da explosão crítica e comerical da obra-prima que foi Cavaleiro das Trevas, o terceiro capítulo da saga de repente virou o alvo preferencial de todos os sites especializados, e não houve uma frase inocente sequer que escapasse de sua acirrada vigia. Nossa história começa a mais de um mês, em 17 de Junho, com o site de fãs Batman-on-Film publicando uma nota que dava conta do possível afastamento do diretor e roteirista Christopher Nolan da série. Considerado o grande responsável pela nova cara do herói e dono da câmera e do texto de Begins e Cavaleiro, a suposta saída do cineasta do comando criativo foi o bastante para deixar os fãs do herói mais pessimistas sobre o terceiro filme, que era comentado desde a saída do segundo. Os rumores antigos (como mostra o poster falso logo ali em cima) davam conta do vilão Charada na produção, com a provável face de Johnny Depp sob o chapéu e a vestimenta verde. Interpretado por um caricato e divertido Jim Carey com tom de sátira em Batman Eternamente, o personagem do novo filme viria ainda ao lado de outra famosa antagonista do herói, a Mulher-Gato, que por sua vez também já tinha uma célebre encarnação com Michele Pfeiffer e seu uniforme de látex em Batman – O Retorno. De qualquer forma, a possível saída de Nolan acabou, no esquema da corrente, levando o astro da franquia Christian Bale, outro grande culpado pela complexidade do novo herói, a verbalizar a possibilidade que o terceiro filme não acontecesse. Sem deixar o defunto esfriar, no entanto, quem reascendeu os rumores do terceiro filme foi a própria Pfeiffer, que disse a época da estréia de seu Chéri que adoraria repetir o papel da vilã que fez em 1992, mas podia entender que a produção exigisse uma nova cara. No embalo, quem falou logo em seguida foi Johnny Depp, que finalmente expressou seu interesse em entrar para a dança no papel do Charada, tudo enquanto a corrente de boas notícias continuava e o ator Gary Oldman, dono do papel do Comissário Gordon, lançava Book of Eli e deixava escapar na entrevista de divulgação que as filmagens do novo filme teriam início no começo do próximo ano, com previsão de lançamento para 2011, e ainda emendava um suspeito “mas você não ouviu isso de mim”. Sem ter como confirmar a declaração de Oldman, a pressão acabou caindo sobre David Goyer, o parceiro de Nolan no texto dos dois primeiros do personagem no novo século. Segundo ele, o diretor estava envolvido nas filmagens de Inception, seu thriller psicológico, mas logo depois os dois se reuniriam para discutir o futuro do personagem. Mas esse, veja só, não foi o último elo da corrente. O rumor mais recente deu bizarra conta da estrela teen Miley Cyrus, da série Hannah Montana, filmando testes para o papel de Batgirl. Depois disso, resta esperar para ver se a corrente encontra seu fim nos cinemas ou na gaveta.

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo. Como vocês viram nessas últimas edições do nosso Boletim, eu estou tentando citar cada vez mais minhas fontes, dar crédito a elas, e ainda controlar um pouco o tamanho e a quantidade das notícias. De qualquer forma, estou vendo uma grande mudança na estrutura do Boletim em breve… mas por enquanto é só isso mesmo… Os melhores filmes para todos vocês e até mais!


~ sexta-feira, 31 de julho de 2009 5 comentários cinéfilos

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (27/07/2009)

Pesadelo século XXI

freddy

Cada um tem o recolucionário que merece. Em 1984, o cinema vivia a plena era de ouro do terror slasher, com Jason Vorhooes (Sexta-Feira 13) lançando sua quarta investida nos cinemas em quatro anos e Michael Myers (Halloween) tirando umas férias do terceiro capítulo de sua saga, nem tão bem-sucedido quanto os anteriores. Foi então que o mundo observou a mente criativa de Wes Craven, futuro criador da bem-sucedida série Pânico, ganhar o primeiro crédito de sucesso com um certo assassino cínico, de rosto queimado e senso de justiça torto, que buscava vingança por uma morte lenta e dolorosa infringida pelos pais e avôs dos adolescentes de Illinois, estado americano, que vêem seus sonhos invadidos pela cruel, cínica e grotesca criatura. Freddy foi um sucesso porque era engraçado e assustador ao mesmo tempo, e não dá para negar que sua presença de espírito foi o que garantiu a validade dos outros seis episódios de sua saga, todos lançados no curto intervalo de tempo de uma década. Além de um êxito comercial, porém, Freddy foi um revolucionário porque tinha um motivo além da própria psicopatia para marcar. Era cruel e repulsivo, sim, mas acima de tudo era um homem destruído em busca de vingança. Nada que os músculos de um Schwarzenegger ou um Stallone já não oferecesse ao público na época, mas dessa vez éramos obrigados a temê-lo. De uma forma quase indecifrável, Freddy era um anti-herói. Eternizado na pele do ator Robert Englund, que fez questão de representar o personagem em absolutamente todas as suas encarnações, Freddy ressurgiu para toda uma nova geração enfrentando seu célebre colega em Freddy Vs. Jason, o sucesso metteórico que talvez seja o maior responsável pela recente onda de remakes de filmes de terror clássicos. A recepção do público a nova empreitada foi o bastante para a produtora Platinum Dunes, que tem os créditos pelo novo Sexta-Feira 13 e por mais um punhado de remakes recentes, colocar em movimento o antigo projeto de dar um novo começo a mitologia do personagem para uma nova e mais exigente geração de espectadores de terror. A proposta não foi o bastante para interessar Craven, que recusou se envolver no remake, exemplo no qual foi seguido por Robert Englund, que abriu mão das luvas de metal do personagem pela primeira vez desde que se tornou o símbolo de uma geração em 1984. Sem nada para se apoiar, Wesley Strick (Casa de Vidro) foi chamado para arrumar a casa e redigiu um roteiro descrito como um retorno as raízes assustadoras do assasino, deixando as piadas em segundo plano em favor de uma jornada mais visceral pela mente de um psicopata que ataca suas vítimas em meio a vulnerabilidade do sono. O segundo passo foi chamar Samuel Bayer, estreante em terrenos cinemtaográficos com um currículo extenso no mundo dos videoclipes, para assumir as câmeras de um genuinamente novo A Hora do Pesadelo. E ele começou com o pé direito, reunindo uma turma de jovens talentos da televisão para servir de lixa de unha para o assasino, que será interpretado por Jackie Earle Haley, indicado ao Oscar pelo pedófilo de Pecados Íntimos. Entre as novas vítimas do senhor dos sonhos estarão Thomas Dekker (Sarah Connor Chronicles), Kyle Gallner (Smallville) e Katie Cassidy (Supernatural). Agora, é só esperar Abril de 2010 para conferir o resultado final. Até lá, é melhor pensar suas vezes antes de deitar a cabeça no travesseiro.

Quebrando o gelo

Hollywood pode ser uma terra cruel com quem se aventura dentro de seus limites, mas a essa altura do campeonato eu, você e mais meio mundo já deve estar cansado de ouvir essa mesma ladainha. O que de fato intriga e permanece e segredo são as razões de tal crueldade de investimentos garantidos e lucro acima de ambição artística. Afinal, para quem está de fora do esquema, o que corre pelos corredores e salas impecáveis dos grandes estúdios continua um absoluto mistério. Não raro, somos deixados esperando por uma produção que ascende nosso instinto de cinéfilo e logo depois ficamos sabendo que o estúdio resolveu adiar a estréia sem nenhum motivo aparente. Alguns, no fim, nem conseguem chegar aos cinemas e acabam aportando sem escala nas prateleiras das locadoras. Destino tão “desonroso” não deve ter o suspense de ação Whiteout, que parece finalmente ter conseguido uma data definitiva de estréia, marcada para Outubro desse ano, quase um ano mais tarde do que foi a princípio prometido pela Warner, major americana que bancou a distribuição do filme do estúdio Dark Castle, dono dos créditos por recentes sucessos como o terror adolescente Casa de Cera e ação debochada RocknRolla, do diretor Guy Ritchie. Se na própria produção o filme já ganha pontos para um investimento de bilhereria, a garantia só sobre para outro nível quando a trama é toda baseada em uma história em quadrinhos, no caso uma minissérie em quatro partes lançada em meados de 2005 com roteiro de Greg Rucka e arte de Steve Lieber. Por fim, o filme ainda contou desde o começo com a presença da atriz Kate Beckinsale, conhecida como a estrela da série Anjos da Noite, que pode não estar no melhor momento de sua carreira, mas continua sendo um nome de peso para estampar o topo de um cartaz. Isso sem contar a coadjuvância de um até então ilustre desconhecido Gabriel Macht, que em março último se tornou o novo astro da terra do cinema ao protagonizar o suceso The Spirit na pele do herói-título. Assim a produção seguiu, com elenco completo pelos esquecidos Tom Skerritt (Brothers & Sisters) e Columbus Short (Poder do Ritmo). O roteiro inicial da dupla Jon e Erich Hoeber, que só tem a ação criminal Montana no currículo, passou por uma revisão pesada de outros dois irmãos, Chad e Carey Hayes, esses mais experientes no suspense da trama, tendo assinado o script do terror Colheita do Mal. A missão de filmar na imensidão branca da Antártida, onde ocorre a trama de assassinato e investigação, foi assumida por Dominic Sena, que não pegava em uma câmera desde 2001, quando lançou a ação cool Swordfish. As coisas pareciam bem, o primeiro pôster anunciava o filme para 2008, mas algo deve ter feito as coisas mudarem de figura na Warner, que resolveu adiar o filme para Abril de 2009 e, depois, para Outubro. Com trailers e fotos lançadas, resta esperar que a nova decisão seja mesmo definitiva. 

Girls. Bond Girls.

bond. james bond 

Quando o britânico Daniel Craig assumiu, no urbano e violento Cassino Royale, o papel do espião da rainha mais famoso do mundo e ainda assumiu que estava lá para atualizar o personagem e trazê-lo de vez para um século dominado pelo brutal, instintivo e acima de tudo muito lucrativo Jason Bourne, ninguém, e me inclua nesse balaio, conseguia apostar no sucesso da empreitada. Mais ainda, os fãs todos pegaram seus piquetes e protestaram contra a escalação de um Bond loiro, de charme tosco e tendências violentas, argumentando que a produção havia passado dos limites ao descaracterizar o personagem pensando apenas no lucro. Na internet chegou a surgir um site que atraiu toda a atenção da mídia, dividiu opiniões e acabou fechado. O Daniel Craig is Not Bond foi reaberto recentemente como uma fonte de notícias que serve bem aos fãs revoltados e aos que queiram ver um outro lado a chuva de elogios que desceu sobre o reboot da série e sua recente e acelerada continuação, Quantum of Solace. O fato é que a crítica em massa aprovou o novo James Bond, assim como o público, que fez dos dois últimos filmes da série os maiores sucessos do personagem em solo americano. Enquanto isso, o vindouro 23º filme do personagem começa a ganhar seus rumores e suas confirmações, preparando-se para um lançamento em 2010, sinal de que a série voltou a produção constante. Depois de Marc Forster, diretor de Quantum of Solace, pular fora do comando do novo filme e o rumor sobre a contratação de Danny Boyle, recém-oscarizado por Quem Quer Ser um Milionário, ter sido desmentido, a bola da vez é a contratação de um novo roteirista para a série, para se juntar ao veterano Paul Haggis, que não larga o osso desde que assumiu o texto do espião em Cassino Royale. Quem deve co-escrever a nova trama é o premiado Peter Morgan, o homem por trás de A Rainha e Frost/Nixon, nome que atiçou os nomes mais badalados da terra do cinema a cavar seu lugar na nova aventura. Os sempre presentes rumores sobre as garotas de Bond no novo filme tiveram início no nome de Freida Pinto, a musa de Quem Quer Ser um Milionário, e seguiram com a declaração clara de interesse por parte de Angelina Jolie e Jennifer Aniston, que teriam que disputar lugar com o suposto retorno da personagem Camille, representada pela atriz Olga Kurylenko em Quantum of Solace. Por fim, a última a entrar na acirrada disputa foi Megan Fox, que pelo jeito pretende sair direto das filmagens de Jennifer’s Body para a participação na aventura, ao lado de Michael Sheen (Frost/Nixon), única presença quase confirmada na pele do vilão da vez, que pode ou não ser o velho conhecido Blofeld, um dos maiores inimigos do espião, que tem sete participações ao longo dos vinte filmes da série e ainda foi a inspiração para Mike Myers criar o vilão Dr. Evil dos filmes de Austin Powers. Sheen é um velho parceiro do roteirista Morgan, que tem presença garantida pelo menos em outros dois vindouros filmes de sua autoria, A Special Relationship e The Damned United.

Especial: O primeiro teaser do Alice de Tim Burton

Pouco a pouco, quase como quem não quer nada, Alice no País das Maravilhas vai se tranformando no que pode ser o filme de fantasia mais carregado de expectativa desde que o mundo interiro viu o final da jornada de Frodo e seus amigos em O Retorno do Rei. Se não bastasse a visão única de um artista como o cineasta Tim Burton sobre uma das maiores histórias infanto-juvenis de todos os tempos, o filme ainda me reúne um elenco fora de série que combina velhos parceiros do diretor e novos integrantes da gangue de forma espetacular e por fim ainda divulga artes conceituais e caracterizações que prometem se tornar mais do que clássicas. Aliás, marque bem cada palavra quando eu digo que Alice estará na maioria das categorias técnicas, se não em mais algumas das principais, do Oscar 2011. Por fim, toda a espera que acaba de começar é coroada por um teaser como esse logo aí em cima, que não precisa mostrar muito para se tornar o um minuto e meio mais sensacional da história recente do cinema. É bem verdade que vemos só o bastante para nos deixar com água na boca, mas é impossível não se pegar vendo e revendo o bendito videozinho, tudo na vã esperança de pegar algum detalhe a mais ou uma nuance das breves atuações que veremos na íntegra em Abril do próximo ano, quando o filme estreará no que vem se tornando cada vez mais um grande evento. O clima de conto-de-fadas sombrio e pitoresco a um só tempo é evidente desde o primeiro take, mostrando a atuação de uma promissora Mia Masikowska, mera desconhecida com papéis pequenos em filmes como Um Ato de Liberdade antes de assumir os holofotes do novo filme do diretor. Logo em seguida, direto ao assunto, o trailer nos mostra o que todos nós já sabemos, com a queda de Alice pelo buraco do coelho, impressionante nos efeitos especiais, ela tomando o que quer que seja e diminuindo de tamanho, tudo de prelúdio para enfim entrarmos no País das Maravilhas. A narração é clara, ainda que quase idílica: “Há um lugar como nenhum outro na Terra, uma terra cheia de encantamento, mistério e perigo. Alguns dizem que para sobreviver é preciso ser tão maluco quando um chapeleiro… o que, felizmente, eu sou”. Introdução esperta para um Johnny Depp que leva mais uma vez ao limite sua própria caracterização, surgindo na tela como um grande e brilhante holofote, interpretando um Chapeleiro Maluco que pode e vai se tornar um ladrão de cenas melhor que qualquer outro. Enquanto isso, ainda vemos os primeiros flashes do comediante Matt Lucas sob maquiagem e efeitos especiais como os gêmeos bizarros Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, e de Michael Sheen igualmente coberto por píxels na pele do simbólico Coelho Branco que conduz Alice pelo começo de sua viagem. Também aparecem frações de segundo das performances de Anne Hathaway como a Rainha Branca, de sua irmã Rainha de Copas, representada por Helena Bonham-Carter, e até do ator Stephen Fry, promissor mesmo sem mostrar o rosto como o Gato. É com toda essa expectativa que a gente espera por mais dolorosos nove meses para entrar na toca do coelho.

Bom, pessoal, e por hoje é só. Depois dessas quatro notícias, mais dois trailers para gente ficar esperando pelo resultado final, só me resta agradecer como sempre a todos os comentários e desejar os melhores filmes para todos vocês! Até mais!


~ terça-feira, 28 de julho de 2009 5 comentários cinéfilos

Coração de Tinta – Magia dos dois lados da tela

ink

Coração de Tinta (Inkheart, Alemanha/Inglaterra/EUA, 2008).

De: Iain Softley.

Com: Brendan Fraser, Eliza Bennett, Paul Bettany, Andy Serkis, Helen Mirren, Jim Broadbent, Sienna Guillory, Jennifer Connelly.

106 minutos.

Os leitores vorazes que por ventura estiverem passando os olhos por essas linhas devem concordar comigo que não raro há um gosto especial nos mundos que surgem em nossa mente durante a leitura. Tão especial que, muitas vezes, mesmo que por breves instantes, desejamos com todas as nossas forças viver aquela história por nós mesmos. O mundo de papel pode ser muito mais atraente que o de carne e osso que vemos e vivemos todos os dias, e cada criação humana e tão única em suas palavras que é impossível evitar um desejo, por mais secreto que seja, de que tudo aquilo se torne em verdade. Mesmo preso no mesmo mundo da ficção do qual tira personagens bem familiares ao espectador e ao leitor, Coração de Tinta deve a maior parte do envolvimento e fascinação que causa a esse antigo e arraigado sonho humano, romantizado pela escritora alemã Cornelia Funke na novela infanto-juvenil de fantasia e aventura homônima lançada em meados de 2003, tudo por meio do esperto e de certa forma antigo conceito de “Língua de Prata”, espécie de rara habilidade nata que leva as pessoas a materializar aquilo que lêem em voz alta. Sempre cuidadosa com a própria escrita, Funke construiu em papel uma ode a literatura e uma deliciosa aventura cheia de encantamento e povoada por personagens construídos com esmero digno da apreciação de qualquer crítico exigente ao mesmo tempo em que a fez movimentada por um ritmo dinâmico e peculiar capaz de prender o leitor mais casual. Em meio a tudo isso, ainda ganhávamos de graça uma leitura lúdica, quase escapista, que usava uma premissa por si só interessante para explorar criações próprias de uma forma no mínimo incomum. Mesmo quando eram tirados de um “livro dentro do livro”, os personagens de Funke tinham alma, vida própria e, portanto, não deixavam dúvida ao leitor de sua capacidade de sair do mundo da ficção. Feito meia década depois de o livro explodir mundo afora e até ganhar uma continuação, Coração de Tinta, o filme, prefere um caminho mais arriscado e mais visual ao transformar esses mesmos personagens em caricaturas que povoam um mundo mais do que real e podem se provar tão perigosas quanto as ameaças das quais fugimos ruas afora. A força da palavra escrita ainda é o cerne da trama, mas de alguma forma a tradução visual das peculiaridades do material original pediu adaptações que podem ou não agradar aqueles que viveram a experiência literária de forma mais marcante. No final das contas, porém, o filme deixa intacto o caráter escapista e a fascinação natural que a trama tem, criando um universo que tem brilho próprio e apoiando-se em um elenco sólido para representar bem aqueles personagens que estavam nas palavras de Funke, enquanto o roteiro se preocupa mais em dar ao espectador a sensação de estar embarcando em uma aventura tão verdadeira quanto fantástica. O equilíbrio é complicado, de fato, mas Coração de Tinta consegue se aventurar entre o humano e o ficcional com competência notável e acaba sendo acima da média para as recentes investidas cinematográficas no terreno da fantasia. Real ou não, aqui estamos nós diante de mais um mundo que merece nossa atenção, seja em papel ou em imagens.

Obviamente, quando falamos na criação de um mundo atraente e o assunto é cinema, a imensa maioria dos créditos deve ir ao roteiro, que precisa buscar o equilíbrio entre a caracterização do cenário e a relação entre os personagens, sempre quesito fundamental em qualquer trama que ambicione envolver seu espectador. No comando desse barco, é admirável a audácia do americano David Lindsay-Abaire, mais conhecido pelo texto da animação Robôs e futuro autor do roteiro de Homem-Aranha 4, que escolhe a rota mais turbulenta para administrar tão complexa gerência e se aproveita do tempo limitado de que dispõe para focar em um grupo concentrado de protagonistas e torná-los no símbolo quase vivo daquele conceito arraigado que se torna em magia na trama. Os coadjuvantes são meras caricaturas, cuja ficção está naturalmente estampada em seus rostos, mas de alguma forma se tornam ingredientes indispensáveis para uma receita ousada que prova dar certo em meio a soluções bem-armadas de roteiro. São eles, as caricaturas, que formam a sólida base e muitas vezes fazem o papel de alavanca para que um trio inusitado de protagonistas venha a se tornar justamente o tipo de personagem que desejamos mais profundamente que se tornem em realidade. Ironicamente, o texto de Abaire faz de tudo para que por breves instantes eles sejam, criando diálogos que soam reais sem precisar recorrer ao caminho fácil do exagero melodramático e montando situações que colocam sob uma perspectiva diferente o caráter e os objetivos que movem cada um desses personagens. A mistura resulta em um texto de profundidade rara no gênero a que pertence. É a pura magia que está incutida na trama sendo transferida para o espectador, e de alguma forma é nessa inesperada transferência que o texto de Abaire prova que, ao menos dessa vez, a rota mais arriscada pode ser a correta, triunfando em um clímax que consegue emocionar, liberar adrenalina e gerenciar com cuidado o destino de cada um dos personagens, substituindo a surpresa baseada em um único conceito que movimentava a novela pela de um final que pouca gente espera nos dias cínicos por que Hollywood está passando. Sim, aqui estamos nós diante de um fim de conto de fadas, mas de certa forma esse conceito tão ultrapassado serve como uma luva para o mundo de tinta que se tornou em imagem pelo texto de Abaire, uma espécie completamente diferente do de Funke, e não por isso menos encantador. Coração de Tinta, o filme, é centrado em Mortimer “Mo” Folchart, um encadernador com a rara habilidade de trazer ao mundo real os personagens dos livros que lê em voz alta. Como tudo nessa vida tem um preço, em uma noite sua esposa é levada para o mundo da obra de fantasia que dá nome ao filme, enquanto os vilões da história saem das páginas para o mundo real. Quando finalmente encontra um cópia do raro livro e se prepara para trazê-la de volta, porém, ele é encontrado por Dedo Empoeirado, um maleável cuspidor de fogo que também foi arrancado do mundo de ficção e é capaz de tudo para retornar para sua família e sua mulher, inclusive se reunir ao vilão Capricórnio, líder de uma enorme rede de capangas, que por sua vez não tem interesse nenhum em voltar a sua vida medíocre do livro e vai atrás de Mo e de sua filha, Meggie, para obrigá-lo a trazer tesouros para ele das obras de ficção.

Para uma trama que a bem da verdade vai muito além disso em ramificações e pequenas surpresas, Coração de Tinta conta bastante com o elenco para segurar as pontas e dar mais força aos momentos-chave, levando muitas vezes a decisão ousada do roteiro nas costas e fazendo-o funcionar infinitamente melhor. Começando, é claro, por Brendan Fraser, um pouco fora de seu estereótipo aventureiro de A Múmia para incorporar o personagem que, segundo a própria autora do livro, foi escrito com sua atuação em mente. Ele não tem tanto espaço para exercitar seu poder dramático, mas não chega a decepcionar quem conhece seu talento na construção lenta e elaborada de personagens levados por carisma, transformando Mo em um protagonista complexo, humano, falho e encantador a um único tempo, trabalhando bem sua voz, elemento fundamental na trama, e usando-a aliada com a força de uma interpretação segura para corresponder a todas as expectativas nas cenas em que o dom do personagem é exigido. Por sua vez, a jovem Eliza Bennett, que já havia mostrado talento interpretativo na ação O Agente, segue acima da média e atua na pele de uma Meggie consideravelmente mais dotada de personalidade do que aquela do livro, concedendo a segunda protagonista da trama um pouco mais do que o puro simbolismo dos “olhos do espectador” e estrelando alguns dos momentos mais encantadores e mais aflitivos do roteiro com competência invejável. Por fim, o trio de protagonistas é fechado por um excepcional Paul Bettany, conhecido como o albino Silas da adaptação de O Código da Vinci, que encarna com fidelidade todo o mistério que envolve Dedo Empoeirado no livro e ainda concede a ele o rosto ambíguo e fascinante de um homem com um objetivo que não deixa nada nem ninguém, sejam vilões ou heróis, entrarem em seu caminho. Em última instância, Bettany o torna em um relutante anti-herói numa transição suave da dúvida para uma quase certeza, já que de claro mesmo só há paixão daquele homem, daquela aberração, pelo seu mundo. Isso Bettany sabe traduzir perfeitamente, seja por puro talento ou pela sábia escolha de Jennifer Connelly (O Dia em que a Terra Parou), esposa do ator na vida real, para interpretar sua Roxanne, a mulher do personagem, em um par de cenas idílicas. É claro que a escolha de elenco não para por aí, e ainda temos uma Helen Mirren estranhamente adorável na pele de Elinor, a tia-avó de Meggie que relutantemente se envolve na trama após sua amada biblioteca ser destruída pelos capangas de Capricórnio. Pode parecer estranho para uma atriz de tamanho potencial dramático se tornar um alívio cômico, mas versátil como é, ela faz o trabalho com gosto e justamente por isso surpreende o próprio espectador. Quem faz papel semelhante é Jim Broadbent, que se encontra mais no papel pitoresco do escritor do Coração de Tinta ficcional do que na recente parte que tomou na série Harry Potter, tornando Fenoglio a espécie de mais do mesmo que, nas mãos de um bom ator, se torna o mesmo com um pouco a mais. Por fim, os destaques se fecham com Andy Serkis, o homem por trás do Gollum de Senhor dos Anéis, que faz de Capricórnio uma caricatura ao mesmo tempo repulsiva e compreensível, exagerando quando o exagero lhe é exigido pelo roteiro e fazendo-se mais realista nos momentos finais, quando o verdadeiro e mais arraigado medo de seu personagem é exposto de forma espetacular. Sua atuação é essencial, para a trama e para o clímax, mas é mesmo o trabalho do diretor Iain Softley, mais conhecido por trabalhos conceituais, como o drama de ficção K-PAX, que faz do universo de Coração de Tinta algo tão atraente e realista quanto o descrito por Funke. Sua câmera é equilibrada, sabe quando se servir de alguma histeria e quando acalmar as coisas com cortes elegantes, seu trabalho com os atores é exemplar e a forma como conduz as cenas repletas de efeitos especiais é notável pela fluidez, sem precisar de cortes e ângulos múltiplos para usar a pirotecnia a seu favor e criando um ritmo crescente que agrada aos olhos e a interpretação a cada minuto mais instintiva do espectador. Curto em seus 106 minutos mas bem-amarrado o bastante para não parecer apressado, Coração de Tinta chega a seu final como um dos mais notáveis exemplares de fantasia dos últimos tempos, fora do esquema das grandes séries, e ainda consegue trazer-nos integralmente a sensação de realidade fantástica que, mais do que nunca, cai como uma luva para personagens de mentira que parecem tão reais. Uma pena que os créditos tenham que vir para acabar com a festa, mas a memória vai ficar por muito mais do que meras duas horas de diversão.

Nota: 7,5

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~ domingo, 26 de julho de 2009 4 comentários cinéfilos

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (22/07/2009)

Besouro na corda bamba

green hornet

Não raro, é fácil acreditar que Hollywood é mesmo um mundo a parte, em que certas coisas naturais desse universo aqui fora funcionam de forma diferente lá, dentro das paredes impecavelmente brancas dos grandes estúdios, onde homens engravatados que só pensam em lucro decidem todos os dias o futuro e o presente da sétima arte humana. A sorte, por exemplo, ou a falta dela, pode ser uma maré que vai e vem a cada instante nas ruas de qualquer lugar do mundo, mas basta passar por aquele letreiro e ela se torna uma perseguidora insistente, seja para o bem ou para o mal. Besouro Verde, para quem não sabe, foi uma série de TV de curta porém marcante duração em meados dos anos 1960, quando chegou a competir com o todo poderoso Batman pela maior audiência e lançou para o mundo o chinês Bruce Lee, rosto por trás de Kato, o companheiro e assistente do herói-título. Lá se vão mais de meia década desde que o primeiro rumor sobre um remake da trama em forma de filme surgiu, dando conta de George Clooney, na época ainda sem o Oscar por Syriana na prateleira, interpretando o protagonista, o editor de jornal Britt Reid, que decide lutar contra o crime nas ruas de uma Nova York retro-futurista. Ao lado dele ainda estaria Jet Li (O Confronto) para assumir o manto do mestre chinês e vestir a máscara de Kato. Desde então, o filme já passou pelas mãos de Kevin Smith (O Balconista), que até finalizou um roteiro e escalou seus protagonistas, mas encontrou o caminho correto mesmo quando o comediante Seth Rogen (Ligeiramente Grávidos) abraçou o projeto e deu-lhe um novo fôlego, associando-se a Stephen Chow (Kung Fusão), que deveria assumir o papel de Kato e a direção do projeto. O tempo passou, porém, e as famosas “diferenças criativas” fizeram a má sorte atingir mais uma vez o projeto, quando Chow anunciou que não estava mais disposto a assumir a cadeira de direção. Desde então, Besouro Verde passou por rumores de cancelamento, declarações pessimistas do estúdio e até ocasionais novos nomes no elenco, tudo até encontrar abrigo nas mãos competentes de Michel Gondry (Rebobine, Por Favor), que voltou a chamar Rogen e Chow para estrelarem e incentivou a boataria sobre o filme ao declarar-se entusiasmado pela possibilidade de um filme de ação inovador. A data de estréia foi firmada para Julho de 2010 e os dois rumores mais recentes dão conta de dois nomes de peso para o elenco coadjuvante do filme. Primeiro, Cameron Diaz foi cotada para ser o interesse romântico do protagonista, e em seguida foi o vilão do filme que ganhou a adesão de peso de Nicolas Cage, isso enquanto Stephen Chow se desligava definitivamente do projeto e Besouro Verde se via sem um dos seus protagonistas. Ao que parece, a faca da sorte em Hollywood pode cortar com os dois gumes ao mesmo tempo.

Dominar o mundo!

Olhe para a imagem acima, observe bem os detalhes desse rosto e da expressão estampada nele, repare na posição da mão, como se a foto tivesse sido tirada em um pleno momento criativo, o gesto calando as palavras, quase como se deitvessem a voz para pensar melhor no que seria falado, como se precisasse organizar na mente pensamentos que muitas vezes não encontram tradução. Esse bom velhinho aí em cima, moldado pelo tempo em um rosto fino, olhos grandes sobrepostos por óculos maiores ainda, nariz proeminente, esse mesmo, não deixa nada a dever a nenhum vilão megalomaníaco dos inocentes filmes e séries de outrora com seu plano para dominar o mundo. O primeiro alvo foi Nova York, o começo do grande plano, metrópole habitada por gente fria moldada pelas hipocrisias de uma sociedade consumista que só conseguiu aceitar a forma doce de conquistar do velhinho depois de trinta anos de filmes altos e baixos que de uma forma ou de outra tem seu espaço na história do cinema. Conquistada a maior metrópole do terreno americano, o crápula cineasta ainda atravessou o Atlântico e se aproveitou do sarcasmo natural do povo inglês para cravar duas balas diretas no peito e assim continuar a construção de seu império. Depois sua metralhadora de referências pop, personagens bem-feitos e diálgoos geniais se voltou para uma das mais encantadoras cidades espanholas, e bastou o cativante Vicky Cristina Barcelona para que o receptivo povo do país também abraçasse sua forma de fazer cinema e entrasse para o extenso rebanho. De volta as cidade natal só para não perder a prática e a confiança com Tudo Pode Dar Certo, os anos próximos do vilão Woody Allen já estão preenchidos com pelo menos outras três viagens internacionais na busca pela dominação mundial. Brincadeiras a parte, e acho que o próprio Allen apreciaria essa cheia de sarcasmo e crítica social, é notável que o diretor parece ter pego gosto por explorar novos territórios com sua câmera e criar novos e pulsantes personagens para habitá-los. Só nos próximos anos, Allen deve voltar a Londres para filmar um projeto ainda sem título que tem no elenco os nomes de Naomi Watts (King Kong), John Brolin (Milk), Anthony Hopkins (Beowulf) e Antonio Banderas (A Máscara do Zorro), sem contar a presença incerta de Nicole Kidman. Menos ainda se sabe sobre o projeto francês do diretor, um drama romântico filmado na cidade das luzes que pode ou não ter a musa Scarlett Johanasson no elenco. Por fim, a grande notícia é que os próximos alvos prioritários de Allen somos nós, brasileiros, que receberemos a visita do cineasta em 2011, quando irá filmar uma homenagem ficcional a cidade do Rio de Janeiro, de maneira semelhante com o que foi feito em Barcelona. De sua forma particular, Allen já se pronunciou sobre rodar um filme na América Latina, dizendo que “é algo que não me imponho”.

O reino de metal

iron man EW

Pode ter passado voando para quem estava atrás de umas boas férias e não podia esperar para que o mês passasse mais rápido, mas é fato que já faz mais de um mês desde que Homem de Ferro 2, a seqüência mais esperada do próximo ano, figurou pela última vez nas linhas do nosso Boletim. Na época, a notícia era a primeira imagem oficial, que mostrava Mickey Rourke na pele do vilão Chicote Negro e expunha pela primeira vez seu uniforme, muito criticado pelos fãs da revista do herói. Desde então, o marketing da aventura tem sido surpreendente pela discrição, liberando novas imagens reveladoras na rede sem o alarde que era de se esperar para um estúdio recém-nascido que tem mostrado tanta preocupação com a divulgação de seus filmes. Pouco depois da fatídica última notícia a ser colocada nessas linhas sair para quem quisesse ver, foi revelado que o filme seguiria a tradição dos filmes da empresa de quadrinhos e teria mais uma vez o quadrinista Stan Lee em uma participação especial, dessa vez mais destacada, na pele de um apresentador de talk show que questiona Tony Stark sobre as inovações no traje e no comportamento do Homem de Ferro do novo filme. Ainda pouco tempo depois, vazou na rede uma foto de um carro de corrida profissional marcado com o símbolo e o logotipo da Strark Enterprises, empresa de produção de armas do protagonista, que deve ter sua própria equipe de fórmula um no roteiro redigido por Justin Theroux, o homem por trás de Trovão Tropical. Outra imagem, liberada mais recentemente, mostrava Tony vestido com um macacão de corrida, o que confirma as expectativas dos fãs em ver o herói em um cockpit. A revelação seguinte foi o visual de Scarlett Johansson, que pintou as famosas madeixas louras de vermelho para se tornar a encarnação quase literal da Viúva Nega, uma espiã russa que pode se aliar a Stark ou ao Chicote Negro, um dos mistérios da trama que até agora permanece escondido. Se a Viúva de Emily Blunt prometia mais inteligência, ainda que com um pouco menos de beleza não vem ao caso agora, mas ao menos já sabemos que veremos Stark sentado no banco dos réus em algum ponto do filme, como confirmaram fotos de Robert Downey Jr, Don Cheadle e Gwyneth Paltrow em um cenário de tribunal. O motivo da acusação continua um mistério, mas há quem diga que o herói precise responder por dirigir alcoolizado ou até por espionagem industrial. Por fim, as últimas novidades se esquivaram de uma polêmica envolvendo a disputa por atenção entre duas das atrizes principais do filme para “deixar vazar” que a atriz Leslie Bibb (Delírios de Consumo de Becky Bloom) deve voltar a cena como a repórter que importuna a vida do herói com perguntas, digamos asim, espinhosas. A capa aí em cima é da Entertainment Weekly, que publicou a primeira reportagem completa sobre o filme, com acesso aos sets e entrevistas com os atores.

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo… a pedidos, aliás, eu dei uma maneirada no tamanho do Boletim, tentando selecionar só mesmo os filmes e novidades que merecem destaque, mas vou tentar em contra-partida publicar mais freqüentemente, acho que esse é o caminho… então, a gente se vê logo! Obrigado por todos os comentários, aliás, é sempre bom ler as reações dos leitores! Os melhores filmes para vocês e até mais!


~ quinta-feira, 23 de julho de 2009 2 comentários cinéfilos

Harry Potter e o Enigma do Príncipe – Luz e trevas, morte e vida… fã e espectador de um fenômeno que começa o fim de sua jornada

Harry Potter e O Enigma do Príncipe (Harry Potter and The Half-Blood Prince, Inglaterra/EUA, 2009).

De: David Yates.

Com: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Ganbon, Tom Felton, Bonnie Wright, Jim Broadbent, Alan Rickman, Jessie Cave, Evanna Lynch, Helena Bonham-Carter.

153 minutos.

Se vocês me permitirem o intrometimento e talvez até a repetição, adoraria poder lhes contar uma pequena e simplória história sobre o nascimento de um fã. O ano era 2002, e este escriba que voz fala ainda não havia descoberto nem sequer todas as belezas da sétima arte, que dirá o maravilhoso mundo da informação virtual. Quando aquele garoto entrou no cinema em 22 de Novembro para ver Harry Potter a Câmara Secreta, porém, não podia imaginar que daquele dia nasceria uma paixão que me levaria, sem sombra de dúvida, até onde estou hoje. O segundo filme da série, mais uma vez dirigido por Chris Columbus (Esqueceram de Mim), era uma aventura de andamento próprio, único e não menos do que encantador, carregada por uma trama de suspense apoiada por evidências sutis, apresentadas de forma quase ao acaso. Embora eu com certeza não tenha notado na época, era quase como assistir a uma adaptação de Agatha Christie com uma boa dose a mais de diversão, pirotecnia hollywoodiana e, a longo prazo, personagens que de uma forma ou de outra marcariam para sempre a memória e o coração de muita gente. A partir do momento que eu saí daquele cinema, havia me tornado muita coisa que não era quando entrei. Era um cinéfilo agora, era mais um entre muitos fãs do maior fenômeno literário jovem do século e me tornaria também um leitor por prazer, como imagino que muitos mais se tornaram após a intervenção da britânica Rowling, autora desses livros que misturavam aventura, magia literal e mistério dos mais envolventes para produzir, como em uma produtiva aula de poções a cada página, a pura essência do encantamento. Rowling trouxe a sutileza de volta a voga na literatura, e pelo menos nas duas primeiras investidas cinematográficas da sua criação, parecia que faria o mesmo com o cinema. É claro, a partir daquele momento uma sessão de qualquer Harry Potter para mim e penso que para muitos outros, era uma experiência dividida entre a visão de cinéfilo que podia entender certas escolhas de roteiro e direção, e a de fã, que era capaz de gritar de revolta ao ver sua obra preferida mutilada. Eu sei que parece egoísta, mas quem é fã deve saber bem do que eu estou falando, porque para começar quem verdadeiramente ama esse trio de ouro que compõe o trivial de qualquer aventura da série, não há filme perfeito e não há adaptação que não seja passível de uma ou outra correção. É em momentos como esses, sentado confortavelmente em uma sala de cinema sem conseguir evitar de ver cada cena de minha série preferida com uma lente de aumento, que renovam a fé de que a imaginação humana é mesmo algo único e misterioso da forma como deveria ser. Na tela nada ou quase nada acontece da forma como nossa mente projetou ao ler as frases do livro, e de alguma forma impossível de evitar aquela nova visão, a do diretor ou do roteirista, cai como uma luva ligeiramente apertada ou folgada demais. Por melhor que seja a cena, e somos capazes de notar isso apesar dos que dizem os críticos mais entendidos, não é da forma como queríamos, e nunca será. O filme é produto conjunto de mentes e pensamentos que não são os nossos, e quando nossa imaginação projeta algo que marca tão profundamente em nossa memória e sentimento, não há como não sentir uma espécie de revolta, mesmo que culpada. Sexta e antepenúltima aventura em terras cinematográficas dos bruxos, Harry Potter e o Enigma do Príncipe soa como um produto de cinema válido, quase notável, mas é simplesmente impossível de digerir de forma completa para quem foi apresentado ao tratamento único da autora dos livros a um tempo de névoa e guerra que marca o mundo dos bruxos e dos humanos “normais” na sexta aventura em papel. A sutileza é jogada para o alto em favor da brutalidade, e talvez seja isso mesmo que sirva melhor ao cinema do novo século, mas não poderia ter havido pecado maior para um fã do que esse.

De fato, é quase admirável as mudanças e esforços empreendidos pelos produtores para tentar recuperar a confiança dos fãs de longa data desses personagens, ainda mais a luz da chuva de críticas que desceu sobre Michael Goldenberg (Peter Pan) quando o inglês estreou na batuta do roteiro da série em A Ordem da Fênix já deixando de fora diálogos considerados sagrados pelos fãs e de fato essenciais para o desenvolvimento de uma então subtrama que se tornaria mais do que essencial no decorrer da aventura dos livros posteriores. Para o novo filme a Warner tornou a chamar Steve Kloves, o inconstante responsável pelos quatro filmes anteriores e pelo aplaudido texto da dramédia Garotos Incríveis, dessa vez na adaptação de uma trama extrema e perigosamente pessoal para os fãs, ansiosos para assistir o já noticiado primeiro namoro de seu herói e as complicações nos romances entre os personagens que todos tanto amam. Eliminado o elemento surpresa que impregna todo o sexto livro da série nas palavras sempre acertadas de Rowling, a missão de Kloves era ainda mais complicada ao corresponder as expectativas de pelo menos duas platéias. Uma, fanática pelos livros que queria fidelidade e sentir aquele arrepio correr pela espinha nos momentos mais grandiosos, especialmente no clímax da trama, o mais emocionante da série até então, e outra, de críticos empolgados com todo o clima político do quinto filme, que queriam mesmo é ver a guerra entre o lado negro e o lado iluminado da magia explodir em tela antes da hora. O resultado de tanta pressão, ainda mais ao lado da expectativa acumulada devido a polêmica decisão do estúdio em adiar em quase um ano a estréia do novo filme, é um texto que não agrada integralmente a nenhum dos lados, mas tem seus acertos e sua soluções inteligentes. De forma muito mais notável no começo do filme, Kloves consegue montar a guerra já esperada sem com isso irritar os fãs, gerando interesse em ambos os lados da batalha, resumidos com sabedoria em uma série de cenas rápidas e impressionantes. Porém, quando decide deixar para trás certos momentos decisivos para o desenvolvimento da personalidade de alguns personagens cujos traços seriam reforçados no sétimo livro, já anunciadamente dividido em dois filmes a serem lançados em 2010 e 2011, Kloves erra e produz cenas que não marcam tanto quanto as descritas pelas palavras da autora. No clímax, aliás, sem querer estragar um par de surpresas, é mais do que oportuno observar que o roteiro corta pelo menos duas das frases mais marcantes de toda a série em favor de um par de efeitos especiais impressionantes que, apesar da maestria técnica da super-produção, não conseguem emocionar e envolver da forma como fariam estudos tão intensos de dois personagens que se tornarão elementos-chave na trama derradeira. Mais uma vez a trama nos leva de volta a Escola de Magia de Hogwarts, não antes de deixar bem claro que o mundo dos humanos “normais” também não está imune a guerra que começa a se desenrolar nos domínios bruxos. Nesse clima de paranóia e opressão somos levados de novo ao mundo de magia que a série sempre ofereceu ao espectador, dessa vez com um clima de suspense mais acentuado e focado no até então apenas irritante Draco Malfoy (Tom Felton), que finalmente recebe sua Marca Negra e uma missão perigosa para desempenhar a mando do bruxo das trevas mais poderoso de todos os tempos. Enquanto isso, temos Rony Weasley (Rupert Grint) ganhando seu lugar na equipe de quadribol e arranjando uma namorada que rende momentos bem engraçados, Lilá Brown (Jessie Cave). É curioso que, para o filme que antecede uma trama tão focada em seu principal personagem quanto Relíquias da Morte, essa sexta aventura tem poucas cenas de fato marcantes para Harry, mais uma vez interpretado por Daniel Radcliffe. É bem verdade que temos a primeira namorada do herói, Gina Weasley (Bonnie Wright), mas a forma como o roteiro trata o romance é tão menos focada que a do livro que de envolvimento de verdade temos muito pouco enquanto o passado do vilão Lord Voldemort nos é revelado de forma fascinante por meio de lembranças bem mixadas ao restante da trama, nas aulas particulares do protagonista do o diretor Dumbledore (Michael Ganbon), mais sábio e importante do que nunca no contexto da trama.

Com tantos erros e acertos pesados em uma trama que deveria e termina sendo quase espontaneamente tão marcante, é fato que não raro o elenco de peso reunido pela série precisa segurar as pontas das cenas mais indecisas. Da parte jovem da lista temos um Daniel Radcliffe um tanto perdido em meio a um foco tão fraco no personagem que interpreta, tentando segurar as pontas e conseguindo dar a Harry a sensação de deriva e confusão que impregna todos os pensamentos do protagonista no livro. Se Radcliffe se mostra desenvolto mesmo em meio a alguns erros, seu par não pode ser parabenizado da mesma forma. Pela primeira vez mais destacada na pele de Gina Weasley, a graciosa Bonnie Wright não consegue evidenciar toda a personalidade que marcou a personagem nos livros e acaba criando mais um par quase inexpressivo para um protagonista que, sem ter no que se apoiar, acaba soltado ao vento em algumas cenas. Ao menos temos um ponto a favor das garotas com Emma Watson, que dá seu maior show na série até agora tendo que lidar com as primeiras evidências mais claras de uma paixão pelo amigo Rony e injetando bastante emoção a pelo menos um trio de cenas que poderiam passar quase despercebidas. No final, numa das mais bonitas e marcantes cenas criadas com precisão cirúrgica por Kloves, a câmera em um close na interpretação de Emma resume tudo aquilo que cada espectador deve estar sentindo naquele momento. Quem também sai ganhando é Evanna Lynch, mais uma vez a encarnação quase literal da excentricidade de Luna Lovegood e uma das mais carismáticas e marcantes figuras do filme, ainda mais quando salva o herói de uma situação complicada no início e o acompanha em um dos momentos mais engraçados do filme, quase na metade da projeção. Luna e Evanna são a dupla perfeita que, não raro, concedem um pouco de alma e ingenuidade a uma trama de tamanho perigo, suspense e expectativa. Isso ao lado de Rupert Grint, carismático da cabeça aos pés ao encarar algumas das mais marcantes e divertidas cenas do filme, seja lidando com não uma, mas duas tramas de romance, seja segurando bem as pontas nos momentos cômicos e dramáticos de Rony, que cresce muito ao olho do espectador no novo filme. Aliás, no extremo oposto da trama mas também num momento de puro crescimento está Tom Felton e seu juvenil vilão Draco Malfoy, que passa sem escalas de adolescente irritante para ameaça mais do que sólida e se torna um personagem de complexidade impressionante na atuação que não raro é a que mais arranca sentimentos de verdade do espectador comum. Isso porque, é claro, há todo um novo sabor no Dumbledore de Michael Ganbon para quem conhece a importância do personagem na série e na trama, e o ator não decepciona, finalmente encarnando de verdade o diretor da escola mais famosa do mundo da magia e se tornando o elo emocional mais forte com o espectador. Mais por causa dele do que pelo roteiro ou pela direção, o final é aterrador, triste e faz a realidade cair como uma pedra na mente e no sentimento do espectador. Guerra é morte, e se há uma encarnação para ela em Enigma do Príncipe essa encarnação é Belatriz Lestrange, levada com sabedoria por Helena Bonham-Carter em uma interpretação acertadíssima que vai além da loucura demonstrada nas poucas cenas do quinto filme para se tornar o puro símbolo da maldade que a bruxa má é nos livros. De novidade mesmo só o Horácio Slughorn de Jim Boradbent (Moulin Rouge!), dono de pelo menos uma cena impressionante, mas que não cumpre a promessa de ladrão de cenas que carregava das palavras de Rowling e dos produtores do filme. Quem rouba o show mesmo é Alan Rickman, mais uma vez a encarnação literal e magnífica de Snape e a única razão pela qual o corte de uma das frases mais marcantes do personagem (“Não me chame de covarde!”) não fazer assim tanta falta. Atuação, aliás, que só deixa mais forte o trabalho sólido de câmera empreendido por David Yates, o homem por trás do visual mais sombrio e realista que a série já teve, que já assinou contrato para as duas partes derradeiras da série. Ele sabe quando ser detalhista e filma as melhores e piores cenas do roteiro de Kloves com sabedoria e clima variável, num trabalho daqueles de se admirar pela adequação de gênero. Em meio a ângulos acertados, palavras que nem sempre soam como deveriam e um elenco muito mais do que essencial, porém, Enigma do Príncipe é um competente interlúdio para a guerra de verdade, sombria e alucinante, a ser assistida no fim da série. Por enquanto, é o bastante de Harry e sua turma. Até o ano que vem.

Nota: 8,0


~ quinta-feira, 16 de julho de 2009 9 comentários cinéfilos

Listas da década (2000-2009) – As 10 melhores interpretações femininas

Pode ter passado voando, mas é um fato a ser encarado. O tempo é assim, inexorável e inevitável, algo poderoso que não para e não se deixa afetar pelas vontades e controles de nós, meros humanos. Mas o tempo passa, e o homem produz coisas extraordinárias. A cada dia cresce a consciência de nossa espécie em relação ao meio que nos cerca e, acima de tudo, não paramos. Não paramos com os negócios, não paramos nem mesmo com o doloroso e cruel sistema de capital que criamos para nós mesmos. Não paramos com a arte. Que dirá com o cinema, hoje a forma de expressão mais vendável, popular, fascinante e abrangente que se vê por aí. Os filmes estão lá, prontos para serem vistos, julgados e atirados a própria sorte. Afinal, cinema é acima de tudo uma equação que precisa de elementos precisos, acertados, equilibrados. Especialmente em tempos como esses em que nos vemos refletindo sobre tudo o que se passou há tanto tempo e as conseqüências desses atos para a sociedade dos dias de hoje, o elemento mais forte e decisivo de um filme é a honestidade. O passo a seguir é quase óbvio. Afinal, se um filme precisa soar como a vida real, são os humanos em frente as câmeras que precisam convencer de forma mais contundente. Atores, atrizes. Não por coincidência, em uma década na qual a participação feminina no cinema recebeu uma injeção de credibilidade com novas cineastas surgindo por aí, elas terminaram ganhando contronos de maior destaque, sempre tomando o holofote principal como a categoria mais disputada dos prêmios espalhados pelo mundo. Estamos às portas do fim da primeira década do século 21. Nada mais justo do que se lembrar das estrelas que brilharam mais fortes nesses nove anos.

10ª posição: Maria Bello em Encurralados (2007)

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Se toda unanimidade é burra, então não há porque evitar de falar de alguém que possue seus admiradores e seus críticos. No caso da atriz Maria Bello, aliás, os últimos existem aos borbotões por aí depois da britânica assumir o manto de Rachel Weisz no terceiro e malfadado capítulo da série A Múmia. Críticas de fãs e sua validade deixadas de lado, o fato é que assistir a Bello em um momento de inspiração é como observar uma força da natureza tomar conta da tela. Excelente em todos os gêneros e estilos que se propõe a fazer, a atriz brilhou mais do que nunca ao lado de um Pierce Brosnan também inspirado no suspense Encurralados. A trama de seqüestro envolvendo os dois mais o marido da personagem de Bello, interpretado por Gerard Butler, é uma das menos notadas e mais criativas dos últimos anos, com um desfecho de cair o queixo e as palavras finais mais arrepiantes desde muito tempo. E advinhe quem as profere? Bello, é claro, atingindo um nível de suspense, calafrios e crueldade quase impossível de suportar, virando ao contrário a cabeça do espectador e nos presenteando com a melhor demonstação de um dos maiores talentos dos últimos e, esperamos dos próximos anos. Em sua boca, em sua atuação, cada palavra e ato de Abby Randall adquire um novo significado e toda a maestria de sua atuação vem a tona em uma única cena, aproveitada em cada segundo e expressão pela excelência de Bello. Talento puro e brutal, com toda a pompa inglesa, apenas a espera de uma mulher de mentira pela qual valha a pena trabalhar.

Futuro? Adepta dos filmes independentes, Bello tem pelo menos meia dúzia de filmes recentes que ainda não aportaram no Brasil. Certeza mesmo até agora parece só Downloading Nancy, um polêmico thriller virtual, e o drama The Private Lives of Pippa Lee, estrelado por Keanu Reeves na pele de um homem comum que entra numa espiral de puro desespero. Em filmagens ela está com The Company Men, primeiro “filme de crise” produzido por Hollywood, e Grown Ups, próximo filme de Adam Sandler.

9ª posição: Toni Collette em Pequena Miss Sunshine (2007)

Equilibrar comédia e drama pode ser tarefa difícil para um roteirista que se proponha a redigir um filme com os dois elementos, mas é fato consumado que fica para os atores desse tipo de obra a missão mais hercúlea de todas. Para a mistura agridoce funcionar, a receita é, pura e simplesmente, seres humanos de verdade povoando a tela. E, por mais estranho que possa parecer, é muito mais difícil para um ator interpretar esse tipo de personagem do que um cheio de trejeitos e aspectos marcantes capazes de gravar na memória do espectador. Não se trata de uma repetição, mesmo porque pessoas de verdade nunca são as mesmas de um minuto para o outro, mas acima de tudo é preciso carisma. Felizmente, isso e talento são duas coisas que Toni Collette tem de sobra. Não que ela seja uma atriz de impressionar a cada cena, mas sua forma peculiar de construir personagens com nuances e momentos pequenos que fazem toda a diferença de alguma maneira casa bem com a comédia dramática. Tanto que sua atuação em Pequena Miss Sunshine é a chave para entender e se envolver na família disfuncional que protagoniza o filme. Na pele da “normal” Sheryl Hoover, a atriz australiana encontra o ponto de equilíbrio ideal entre desespero e conformação, mesclando cenas de puro desabafo com outras propositadamente contidas para construir um personagem capaz de mexer com as emoções do espectador sem deixar de ser a sólida rocha do primeiro minuto de filme. Um dessmpenho invejável e detalhista que merece mais destaque do que teve.

Futuro? Está comprometida com o papel principal da série de TV United States of Tara, criada pela  badalada Diablo Cody (Juno), cujos doze primeiros episódios atraíram audiência suficiente para evitar o cancelamento.

8ª posição: Maggie Gyllenhaal em Mais Estranho Que a Ficção (2006)

Hollywood pode ser um lugar cruel com quem tenta a sorte em suas ruas. A escada para a fama é longa, de degraus íngremes e ainda tem os mais inimagináveis obstáculos pela frente. Maggie Gyllenhaal teve seu nome para ajudá-la e ainda assim só conseguiu seu discreto lugar na capital do cinema apoiada no irmão Jake, como coadjuvante do cult Donnie Darko. Daí para frente, ela seguiu com equilíbrio invejável, fazendo as escolhas certas e, de quando em quando, sendo permitida a mostrar todo o talento que tem. E se Mais Estranho Que a Ficção se tornou a obra-prima subestimada que é, então boa parte do mérito deveria ir para Maggie. Sua Ana Pascal é o ponto de equilíbrio de um roteiro criativo do início ao fim, a calmaria de normalidade em meio a chuva de idéias bizarras do genial Zach Helm. No papel da padeira sonegadora de impostos pela qual o protagonista, um fiscal da Receita que começa a ouvir a narração da própria vida, se apaixona, Maggie é um poço de serenidade com vida e brilho próprios. Perfeccionista, detalhista mas acima de tudo instintiva em cena, ela constrói aos poucos a ligação emocional mais forte de todo o filme, chegando ao final como o elemento conciliador de um clímax conflitante dominado pela competência caricata de Will Ferrell. É notável o quanto Maggie se destaca entre os coadjuvantes de peso do nível de Emma Thompson e Dustin Hoffman, protagonizando a própria história e tornando cada cena algo um pouco mais especial. Nunca uma história de amor foi tão encantadora. E nunca Maggie demonstrou o quanto mais de espaço seu talento merece para brilhar.

Futuro? A participação em O Cavaleiro das Trevas deu um empurrão a mais em sua carreira, e ela está no ainda inédito Away We Go, filme de verão inusitado do diretor Sam Mendes (Beleza Americana), dessa vez sem a presença da esposa, a atriz Kate Winslet (O Leitor). Está escalada também para co-estrelar a continuação da comédia infantil Nanny McPhee ao lado da protagonista e criadora da trama Emma Thompson, com quem contracenou em Mais Estranho Que a Ficção.

7ª posição: Helena Bonham-Carter em Sweeney Todd (2007)

Não é missão para qualquer atriz a de se destacar contracenando com o sempre excepcional Johnny Depp. Especialmente quando este se apresenta com uma caracterização estourada e impressionante de um personagem atormentado e cheio de nuances. A bem da verdade, Sweeney Todd, primeiro musical assumido de Tim Burton e quinta parceria de diretor e astro, é o show dele. O que apenas torna ainda mais importante a presença de Helena Bonham-Carter, que adiciona uma boa dose de obsessão amorosa e, mais tarde, de sentimento fraternal, ao interpretar a Mrs. Lovett que conspira com o protagonista para sua vingança e ainda arranja um jeito de faturar com seu negócio de tortas. Helena faz seu trabalho de forma impressionante, achando o ponto certo para a personagem não soar estranha no contexto bizarro mas surpreendentemente denso criado por Burton e pelos roteiristas. Não é uma missão fácil, mas ela a desempenha com instinto e força invejáveis, conseguindo não soar apagada quando contracena com Depp e criando uma química com ele que só pode ser descrita como maravilhosa de se assistir. Em certa cena, quando os dois olham pelas janelas da loja dela para planejarem o maligno e sangrento plano de vingança, a dança entre os dois, as vozes que se confundem, a letra que pinga ironia de cada palavra e as duas atuaçõs se integram em uma conjunção virtualmente perfeita que é capaz de trazer junto até o maior dos críticos dos musicais. A verdade é que Helena é mesmo uma atriz capaz de desempenhar qualquer papel e ainda sair-se com uma desenvoltura no mínimo surpreendente. E a Mrs. Lovett de Sweeney Todd é o brilho maior desse talento.

Futuro? Esgatou participações marcantes no quarto Exterminador do Futuro e no sexto Harry Potter, roubando o show na pele da bruxa má Belatriz Lestrange. Garantiu lugar também nas duas partes derradeiras da série e na nova obra do marido Tim Burton, a ser lançada em 2010, Alice no País das Maravilhas.

6ª posição: Jodie Foster em Valente (2007)

Há quem diga que a experiência pouco conta nesse mundo passageiro em que estamos vivendo. Especialmente no cinema, hoje um tipo de diversão muito mais prezado pelos jovens do que pelo público mais experiente. É fato que são os adolescentes que lotam multiplexes para ver os blockbusters do momento, e não intelectuais que pretendem sentar-se confortavelmente e assistir a uma obra de arte. Talvez por tudo isso, a voga do momento é dizer que atuação é uma vocação, um dom, e não apenas um ofício. Ou você nasce sabendo, ou você nunca será capaz de aprender. Jodie Foster é a prova cabal de que as coisas não são tão simples assim, e nunca de fato chegam a ser em qualquer discussão equilibrada sobre uma forma de expressão tão complexa quanto o cinema. Atuando desde os sete anos, com o Oscar em cima da lareira desde vinte e seis, Jodie passou pela carreira de forma seletiva, quase sempre notável dentro de sua área. Passou muito perto de ser considerada a funcionária do mês, e de brinde ainda levou o reconhecimento de uma das atrizes mais talentosas de todos os tempos. Na pele da apresentadora de rádio Erica Bain no pouco visto Valente, Jodie constrói aos poucos uma performance que alcança a integração completa com os outros elementos do filme. Perturbada, aflitiva, sombria e simples a um tempo, a personagem se torna parte indissociável da trama nas mãos de Jodie. Os caminhos que ela segue parecem naturais em sua interpretação completa, que se despe de sutilezas para dizer claramente o quão provocante e contestador pode ser o raciocínio humano. A Erica de Jodie é de verdade, é palpável, é real. E tem boa parte do mérito pela qualidade do filme do qual faz parte.

Futuro? Deve finalmente retornar a direção após o fracasso na pré-produção de Flora Plum, dessa vez comandando as câmeras e fazendo serviço de coadjuvância a Mel Gibson, no papel de um homem que anda pelas ruas com um fantoche na mão e o trata como uma pessoa de verdade. O título provisório é The Beaver

5ª posição: Marcia Gay Harden em O Nevoeiro (2007)

Seres humanos podem ser tão assustadores quanto monstros que nem mesmo sabemos de onde vieram. Essa cruel e desoladora mensagem talvez seja o centro sobre o qual se constroí a trama de O Nevoeiro, a mais recente adaptação da obra do mestre do terror Stephen King empreendida pelo sempre competente Frank Darabont. A teoria soa mal a ouvidos tão acostumados a glórias e conquistas como os nossos, mas é impossível não sentir nojo de si mesmo depois de assistir a forma como gente como a Sra. Carmody aje quando sua vida está em jogo. Disfarçada de si mesmo como uma religiosa fervorosa, a mulher é uma profeta de olhos falsos, fala inflamada e obsessão a beira do ridículo pelo sobrenatural como o sagrado. É equivocada, é enervante e é ainda mais repulsiva do que qualquer dos monstros que invadiram a cidade em que se passa a trama, em que o mercado local é o último refúgio de pelo menos uma dezena de cidadãos. E se a personagem é mesmo tudo isso, a culpa é toda de Marcia Gay Harden. Fascinante, contida e visceral a um tempo, detalhista e brilhante num mesmo quadro, vilã e heroína de diversos pontos de vista, a atriz faz um trabalho complicado de forma magistral, mostrando todo um talento que permanece escondido em produções médias que poucas vezes são capazes de se destacar. Seu brilhantismo não depende de cenário ou produção, e é quase sobrenatural observar como basta a câmera documental do diretor estar ligada para Harden tomar o centro do palco. Sua cena-maior, a oração a luz de velas em um banheiro sujo do mercado, é mais do que hipnotizante. É revoltante. Ou talvez não hajam adjetivos que façam jus a uma performance tão marcante.

Futuro? Tem uma personagem recorrente na série de TV Damages, estrelada pela amiga Glenn Close (101 Dálmatas), mas não para de trabalhar em cinema por isso e já está pronta para lançar The Maiden Heist, filme de assalto estrelado pelos veteranos Morgan Freeman e Christopher Walken como dois seguranças de museu que decidem se aposentar roubando o cofre do lugar. Também é uma das que estão sob o comando de Drew Barrymoore, diretora estreante na comédia romântic Whip It!.

4ª posição: Jennifer Hudson em Dreamgirls (2006)

 

Há certos momentos produzidos pelo cinema e suas sutilezas que são verdadeiramente impossíveis de se descrever. Não só pela qualidade, mas ainda mais freqüentemente pela surpresa que provocam, pelas emoções que despertam sem que ninguém esperasse. Talvez um dos mais recentes momentos do tipo tenha sido quando Jennifer Hudson soltou o vozerião para declarar resolutamente que não deixaria seu amado deixá-la para trás em “And I Am Telling You I’m Not Going”, o maior e mais marcante momento do subestimado musical Dreamgirls, projetado para dar um empurrão definitivo na carreira cinematográfica da cantora Beyoncé e revertido em um show particular de Hudson, ex-perdedora de um American Idol e hoje atriz renomada, com um Oscar na prateleira. O mundo gira, não? E ninguém, ninguém mesmo, estava esperando aquela explosão de emoção visceral liberada sobre um palco pequeno, iluminado por um holofote solitário, filmado de forma quase documental pelo diretor Bill Condon. É quase irônico que tenha sido justamente por essa surpresa que a performance de Hudson tenha crescido tanto em um filme que, além de sua presença, pouco tinha a oferecer para os fãs de cinema e não de música. Dreamgirls, dali para frente, é um show todo dela, construído aos poucos durante pelo menos uma hora de projeção até chegar aquele momento de pura magia, quando ficou mais do que claro a quem a estatueta de ouro pertencia. Hudson foi além da barreira do que os críticos adoram chamar de pieguice e criou um desempenho simbólico, hipnotizante e puramente emocional. Depois de presenciar tamanho talento, não há como discutir o quarto lugar de uma estreante brilhante.

Futuro? Participou da primeira investida cinematográfica da série Sex and The City e foi uma das figuras centrais de A Vida Secreta das Abelhas, mas de inédito mesmo só o suspense O Efeito da Fúria, que deve chegar em breve diretamente para as prateleiras brasileiras.

3ª posição: Audrey Tatou em O Fabuloso Destino de Amélie Poulin (2001)

Quem conhece esse rosto não pode deixar de sorrir ao vê-lo por aqui, e se eu, você e todo mundo que testemunhou a busca dessa estranha garota francesa por um acerto em sua bagunçada vida em meio a toques surrealistas e delirantes não consegue simplesmente esquecer essa expressão de esperteza é porque a história de Amélie é acima de tudo universal. Pode ser que não tenhamos um pai caduco que cria anões de jardim como se fosse preciosidades, nem vizinhos com ossos frágeis que pntam sempre o mesmo quadro, muito menos uma caixa de lembranças guardada no assoalho de nossa casa, mas é inegável que de alguma forma esse tipo de excentricidade se liga a tudo que vemos sem de verdade notar. Nosso mundo não é normal, é estranho e é pulsante em seu frenesi, com bem nos mostra Amélie em uma das primeiras cenas do filme. O restante é uma lição de como viver bem e intensamente, tudo guiado pela câmera de Jean-Pierre Jeunet e pela atuação ao mesmo tempo fiel a estranheza e a normalidade de Audrey Tatou, uma das mais talentosas e subestimadas atrizes que surgiram nesse novo século. A atriz, aqui, é a alma de todo o filme e de toda a trama, encarnando uma Amélie que caminha com facilidade na tênue linha entre a simpatia e a repulsão. É difícil descrever o sentimento exato de ver uma personagem tão complexamente simples em tela, mas talvez seja melhor dizer que Tatou traz um tempero singelo a Amélie que a torna simpática até aos olhos do espectador indisposto. Amélie, hoje quase sinônimo de Audrey, é uma garota doce e linda, que passeia pela vida e deixa a marca que todos nós secretamente desejamos deixar. Sorte a dela, e a nossa, que conseguimos uma paladina de nossas vontades escondidas.

Futuro? Interpreta a personagem-título de Coco Antes de Chanel, filme bastante esperado pelos que conhecem a fantástica história de vida da criadora da maior grife de roupas e perfumes do mundo. O filme fez tanto barulho fechando o Festival de Cannes que até garantiu uma improvável distribuição nos cinemas brasileiros, ainda sem data marcada.

2ª posição: Nicole Kidman em Moulin Rouge! – Amor em Vermelho (2002)

Há uma enorme diferença entre um personagem e um ícone, e talvez muita gente ainda não conheça essa tênue linha que separa seres que habitam obras de arte daqueles que sobrevivem para além delas. Um ícone é maior que sua obra, é mais simbólico e é mais imortal que qualquer trama ou circunstância, é algo que fica para sempre naquela arraigada memória afetiva e fotográfica. Quando a câmera do genial diretor australiano Baz Luhrmann mostra pela primeira vez o rosto conquistador da cortesã francesa Satine, é impossível não perceber de alguma forma misteriosa que, naquele momento, um ícone nasceu e veio para ficar. Branca como a neve, irresistível em seu já lendário vestido vermelho e de cabelos cor-de-fogo que rimam com tudo o que há de mais lindo no visual arrebatador de Moulin Rouge!, uma das mais polêmicas obras-primas do nosso século, Satine é puro deleite para os olhos e para os ouvidos com sua voz afinadíssima e etérea, mas vai além disso na interpretação transparente de emoções fortes imposta pela genialidade pouco valorizada de Nicole Kidman. A atriz, ainda em sua época de glória comercial, encontra o auge do talento na pele de uma mulher forte, insuspeitadamente íntegra, que é levada pelo amor a um final trágico que merece figurar ao lado de grandes obras imortais como Romeu & Julieta. De certa forma, não há nada mais forte do que amor proibido para a emoção humana, e Nicole explora isso de forma genial, deixando-se ver para além da beleza para revelar uma incorporação das mais impressionantes. Satine virou sinônimo de amor, seu visual se tornou um surpreendente padrão e a atuação de Nicole passou como uma das maiores injustiças da história do Oscar, que apenas a concedeu a estatueta por As Horas, um ano depois. É Satine, porém, que até hoje vive nas mente e nos corações de homens e mulheres ao redor do mundo.

Futuro? Uma série de fracassos após o Oscar de melhor atriz pode até ter apagado o nome de Nicole por um tempo, mas ela promete voltar mais uma vez ao topo com uma dupla de musicais que farão bastante barulho nos próximos anos. Nine é a adaptação de uma peça da Broadway pelo diretor de Chicago, que por sua vez já havia se inspirado no clássico Fellini Oito e Meio para desenvolver a trama. Já Rabbit Hole é um drama mais pesado sobre uma família que perde a filha e se vê jogada em um mundo de sonhos e cores parecido com o de Alice. Para finalizar, ela promete incendiar a tela num romance com ninguém menos que Charlize Theron em The Danish Girl.

2ª posição: Meryl Streep em O Diabo Veste Prada (2006)

O ano era 1978, o filme era O Franco-Atirador, uma das maiores obras do cinema americano sobre a Guerra do Vietnã, e pouca gente seria capaz de colocar suas fichas na então jovem atriz revelação Meryl Streep, que concorria pela primeira vez ao prêmio da Academia como coadjuvante na obra do diretor Michael Cimino. Menos gente ainda poderia apostas que aquela atriz de meros vinte e sete anos viria a se tornar uma recordistas da maior festa do cinema americano, e ainda seria freqüentemente chamada de melhor atriz da história do cinema. Que dirá que mereceria tudo isso e muito mais. Corta para 2006, com a adaptação do best-seller moderno O Diabo Veste Prada prestes a chegar aos cinemas do mundo inteiro, que esperava ansioso para ver as desventuras da garota de classe média Andrea Sachs nas mãos da tirana editora-chefe da maior revista de moda do mundo, a fictícia Runway. Aquela altura, todo mundo já sabia que a chefe em questão, de nome Miranda Priestly, era diretamente inspirada em Anna Wintour, poderosa chefona da Vogue, essa sim a maior publicação de moda do nosso mundo de verdade, para quem a autora, Lauren Weisberger, trabalhou no espaço de um infernal ano. O diretor e a roteirista não fizeram mais do que traduzir o veneno das palavras da autora em um mundo de verdade, de imagens e situações comandadas por atrizes afiadas. Mas quando Meryl entrou em cena mostruosa com seu cabelo branco e olhar de desprezo na pele de Miranda, não houve olhos na platéia que não se voltasse para ela. Mais do que um roubo de cenas, O Diabo Veste Prada se tornou o show particular de uma atriz mais do que excepcional, e Meryl construiu cuidadosa e sensacionalmente uma Miranda revoltante para, perto do final do filme, desmoronar toda essa imagem e revelar a editora como, veja só, um ser humano de carne e osso. Se ela chorou e nos fez emocionados ao seu lado, mesmo na pele de uma vilã, o que mais dizer? Mestre é mestre, afinal.

Futuro? Foi comandada por Nora Ephron (A Feiticeira) no novíssimo Julie & Julia, história de romance e culinária que deve sair do forno em Agosto, e por Wes Anderson (A Vida Marinha) na animação-freak The Fantastic Mr. Fox, tirada direto de um conhecido livro infantil do autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Por fim, deve ser filmada pela câmera esperta de Nancy Meyers (Alguém Tem que Ceder) em sua nova comédia, ainda sem título divulgado.

Bom, pessoal, e essa foi nossa primeira lista da década! Sabe, um dia eu pensei que, no final das contas, estamos mesmo prestes a adentrar na segunda década do novo século (nem tão novo assim, afinal)! E não custa nada dar crédito a quem merece. Mais uma coisa, essa lista foi feita mesmo para ser polêmica, então quero comentários dizendo o que acharam do ranking, quem faltou, quem não deveria estar aí, quem está em posição errada, quero ver vocês falando de cinema um pouco também, certo?

Os melhores filmes para todos vocês e até mais!


~ quarta-feira, 15 de julho de 2009 3 comentários cinéfilos

Selo “Blog de Ouro” para o Filme-Pipoca!

blog de ouro

É sempre bom ganha selos, mostra que seu trabalho está sendo reconhecido, lido e lembrado por alguém. Nesse caso, minha querida amiga blogueira Bones, do blog bones-cinema-tv, que me deu a honra de receber um selo tão legal quanto esse aí em cima. Como qualquer selo, esse tem suas regras, mas essas são bastante simples:

1. Exiba a imagem do selo “Blog de Ouro”

2. Poste o link do blog de quem te indicou

3. Indique 4 blogs de sua preferência

4. Avise seus indicados

5. Publique as regras

6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo

Bom, para receber um título tão importante eu vou indicar alguns de meus blogs favoritos, vamos lá: Brasilstation – Games, Clube do Camaleão, Diz que fui por aí... e Poesia Inconstante.

Bom, pessoal, e por hoje é isso… comecei a trabalhar hoje em um especial que provavelmente vai consumir meu tempo livre por alguns dias, então Boletim novo só daqui há algum tempo, e prometo diminuir um pouco o tamanho, a pedidos bastante justos… Enfim, é isso. Os melhores filmes para todos vocês e até mais!


~ segunda-feira, 13 de julho de 2009 3 comentários cinéfilos

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (09/07/2009)

Alice no país das bizarrices

mad hatter helena

O mundo conhece Alice como uma adorável garota inglesa que num dia qualquer se vê encolhendo, seguindo um coelho branco preocupado com as horas e entrando por uma portinhola que conduz a um mundo de cores vivas e habitantes no mínimo excêntricos que nem sempre a recebem bem. Protagonista de País das Maravilhas e da bem menos conhecida seqüência Através do Espelho, a personagem foi criada pelo escritor britânico Lewis Carroll para entreter as crianças da Inglaterra vitoriana, mas sua eternização no imaginário popular acabou vindo somente no século passado, através da animação feita pela Disney dos tempos áureos. Lançado em 1951, o filme do estúdio do rato se tornou um sucesso instantâneo e uma espécie de incorporação irrevogável a cultura popular, tomando posto de destaque entre os clássicos do estúdio. Dito isso e devidamente se respeitando a excelência da Disney em lidar com o público, o fato é que a verdadeira Alice promete chegar aos cinemas apenas agora, nas mãos mais do que competentes do diretor Tim Burton, responsável por fábulas capazes de mexerem tanto com o público infantil quanto com o adulto, a exemplo do eterno Edward Mãos-de-Tesoura. É bem verdade que a conversa agora é outra, mas a expectativa que as primeiras imagens do filme de Burton criaram tanto entre o espectador médio de cinema quanto entre os mais entendidos no assunto é algo que provavelmente não tem precedentes nesse século. É o cineasta mostrando de uma vez por todas como agradar a gregos e romanos, manter o espírito da Disney, que ainda tem seu nome encimado ao pôster da obra, e criar uma obra mais madura, mais ousada e acima de tudo mais fiel ao material original. Isso sem contar que Burton reuniu o melhor de seu time de colaboradores para tornar ainda mais interessante uma trama que por si só já ascende em qualquer um com um mínimo de sanidade a chama do desconhecido e do bizarro. O primeiro a embarcar, como sempre, foi Johnny Depp (Sweeney Todd), que consagra a sétima colaboração com o diretor no papel do Chapeleiro Maluco, uma das bizarras figuras que se senta a mesa de chá com a protagonista, que por sua vez seria defendida pela australiana Mia Masikowa, que pode ser vista recentemente no drama de guerra Um Ato de Liberdade. A partir daí, o elenco começou a crescer e ganhar a atenção de toda a imprensa especializada. Começou com Michael Sheen (Frost/Nixon) assumindo como o Coelho Branco, passou pela esposa do diretor, Helena Bonham-Carter (Harry Potter) encarnando a Rainha Vermelha na sexta parceria com o marido, e chegou até a badalada Anne Hathaway (O Diabo Veste Prada) no papel da irmã aprisionada da vilã. Outros antigos colaboradores do diretor, Alan Rickman (Perfume) embarcou como a Lagarta para o segundo filme ao lado do cineasta, e Christopher Lee (O Senhor dos Anéis), cujo papel continua um segredo, incrementou a lista dos filmes de Burton pela quarta vez. Sob o roteiro de Linda Woolverton (Mulan), as filmagens começaram em Outubro último e as primeiras imagens surpreenderam os que esperavam por novidades, encantaram os fãs de um bom visual e não desapontaram os fãs do diretor. Uma pequena amostra da caracterização de Carter e Depp está aí em cima, para quem anda ansioso pelo mundo das maravilhas góticas de Burton. A data para conferir o produto completo? Abril de 2010.

O horror da nova estrela

Ao contrário do que muita gente deve ter pensado quando viu aquele rosto perfeito estampar as cenas mais, digamos assim, interessantes de Transformers, Megan Fox está se saindo uma estrela bem ousada, especialmente para tempos em que a terra do cinema aceita qualquer coisa, menos correr riscos. Desde que surgiu, já dois anos atrás, no filme de robôs gigantes comandado pelo mestre da ação Michael Bay (A Ilha), a lindíssima atriz americana já se arriscou em um drama independente que nem mesmo conseguiu sair do circuito de festivais e ainda interpretou uma espécie de paródia de si mesma na comédia Um Louco Apaixonado, que chegou a terras nacionais direto para vídeo, tudo antes de retornar à série que a alçou a fama na continuação lançada há pouco tempo nos cinemas. Jogada esperta, aliás, uma vez que a bilheteria astronômica da continuação garantiu um pouco mais de audiência para o já bastante esperado terror Jennifer’s Body, projeto de estimação da estrela desde o final de 2007, quando assinou o contrato para ser a protagonista da história sobre uma líder de torcida adolescente que é possuída por um demônio e começa a seduzir os rapazes de sua classe apenas para matá-los durante o ato consumador da relação. O próprio resumo da trama, anunciado apenas um mês depois da chegada de Fox ao projeto, atiçou a curiosidade da mídia especializada, que deu muito mais atenção a qualquer notícia do projeto após o surgimento do rumor mais do que óbvio de que a atriz poderia ter sua primeira cena de nudez no filme. Enquanto nada em relação a isso era revelado, Jennifer’s Body ganhou a simpatia do diretor Jason Reitman (Juno), que preferiu bancar a realização na cadeira de produtor e abriu espaço para a nova-iorquina Karyn Kusama, responsável pela aventura Aeon Flux, assumir o comando das câmeras. Com tantos nomes notáveis envolvidos, porém, o cargo mais comentado da produção era o de roteirista, ocupado pela badaladíssima Diablo Cody, recém-laureada com o Oscar pelo trabalho no fenômeno pop-indie Juno. Após o texto ter sido concluído e entregue a produtora, o elenco ao redor de Fox começou a se formar e ganhou a adesão de outra estrela ascendente, a britânica Amanda Seyfried, saindo diretor dos sets iluminados de Mamma Mia para o escuro de terror com a metralhadora pop de Diablo debaixo do braço. Quem também embarcou foi Adam Brody, tomando o centro do palco em seu primeiro papel de destaque depois do fim da série The O.C., da qual foi figura central entre 2003 e 2007. Ao que parece, porém, o personagem do ex-galã teen televisivo não é outra das incautas vítimas da protagonista. Segundo a própria Megan Fox, em entrevista a MTV: “Jennifer é sacrificada injustamente pela banda do personagem de Adam Brody, que faz um pacto com o diabo para consegui lançar um CD. Então, ela acaba possuída por um demônio. Eles pensavam que ela era virgem, mas erraram. Jennifer acaba tendo que se alimentar de sangue humano, então decide matar garotos para sobreviver”. Nem tudo, afinal, é o que parece no mundo pop de Cody.

Gênese do rock

runaways 

Certas bandas são tão fortes em seu conceito inicial que não precisam de muito tempo para fazer história. O The Runaways teve seus quatro meteóricos anos de sucesso em meados da década de setenta, uma carreira que não seria tão notável em circunstâncias normais, e terminou em meio a brigas internas quando a divisão do dinheiro se tornou mais importante que as decisões sobre o próximo disco. Ou seja, uma trajetória comum, quase ordinária, se não fosse pelo fato que o The Runaways foi o primeiro conjunto de rock formado apenas por mulheres a ver a luz dourada do sucesso internacional. Isso apenas quando suas integrantes estavam juntas, é claro. Depois daqueles quatro anos, a vocalista Joan Jett se tornou a voz de toda uma geração ao entoar, ao lado da banda The Blackhearts, a versão mais famosa do histórico “I Love Rock n’ Roll”, e ainda de brinde conseguiu ser a primeira mulher a fundar e comandar uma gravadora própria. Enquanto isso, a tecladista Cherie Currie conciliou com maestria uma carreira no rock alternativo e eventuais investidas no campo da atuação, onde chegou a se destacar ao lado de uma jovem Jodie Foster no hit adolescente dos anos oitenta Gatinhas e Gatões. A dupla, que já era centro das atenções no palco das apresentações da banda, deve formar também o foco principal de The Runaways, a cinebiografia que Hollywood está produzindo em um ritmo alucinante para ser lançado ainda este ano, quando se comemoram as três décadas da separação da banda. O roteiro está pronto desde o final do ano passado, e é assinado pela italiana Floria Sigismondi, que deve também ocupar a cadeira de diretora no filme, sua estréia em longas-metragens após uma longa experiência no mundo dos videoclipes, tendo no currículo trabalhos com gente do naipe de White Stripes e The Cure. A óbvia força das personagens femininas no texto não demorou a chamar a atenção de duas das maiores estrelas juvenis da nova geração, que atraíram mais atenção da mídia para o projeto. A primeira a embarcar foi Kristen Stewart, que saiu direto dos vigiados sets da franquia Crepúsculo para assumir o visual eternizado por Jett, que acabou se tornando uma espécie de padrão feminino no mundo do rock. A personagem, aliás, rima muito mais com o restante da carreira de Kristen, que sempre foi do tipo de se arriscar em dramas autorais e personagens complexos, do que a inocente Bella da nova mania teen. Curiosamente, sua companheira de cena toma o caminho contrário e assume a persona de Cherie Currie como uma escolha atípica para seu currículo. Famosa pela boa atuação em filmes infantis e papéis coadjuvantes, Dakota Fanning (Guerra dos Mundos) mostra mais uma vez o quanto cresceu e começa a tomar decisões ousadas que apontam para um futuro muito interessante. De qualquer forma, se o que Dakota quer é ter a estatueta do Oscar cada vez mais perto de suas mãos, então ela pode comemorar, especialmente porque vai contracenar com Michael Shannon, recém-indicado ao prêmio da Academia pelo trabalho de coadjuvância em Foi Apenas um Sonho. Shannon encarna no filme o empresário ambicioso da banda, que a propósito é completada pela desconhecida Stella Maeve (Harold), que assume as baquetas de Sandy West, pela estreante Alessandra Torresani, dona da palheta da guitarrista Lita Ford, e pela ascendente Alia Shawkat, mais conhecida por um papel fixo na série Arrested Development, que deve viver a baixista Micki Steele. A primeira foto da dupla principal caracterizada (aí em cima) foi liberada pelo site Just Jared.

A outra Verônica

Por mais que se critique sua obra e seu talento, é inegável que Paulo Coelho é o escritor brasileiro cujas obras mais forte repercutem fora das fronteiras de nosso país. Veronika Decide Morrer é a decida quinta obra do currículo do escritor, e versa sobre uma garota eslovena, jovem e linda, que aparentemente sem motivo decide cometer suicídio, mas falha em sua tentativa e acaba indo parar em uma instituição de doentes mentais onde se torna parte de uma experiência para testar a reação de pessoas que sabem terem poucas semanas de vida. Sua experimentação vai do amor por outro paciente da instituição, um esquizofrênico, até o ódio e a aversão pela manipulação que seu próprio psiquiatra faz de sua mente. Mesmo com apenas onze anos desde seu lançamento, Veronika Decide Morrer se tornou uma espécie de clássico precoce do teatro americano, sendo montado com diferentes elencos e produções a cada ano, já inspirou não-oficialmente um filme japonês e ainda teve as mais diversas repercussões mo mundo da música, se tornando o título do terceiro álbum de uma banda de metal dinamarquesa e ainda inspirando uma música do cantor punk Billy Talent, chamada “Saint Veronika”. Ainda assim, a terra do cinema precisou de uma década e mais um ano para se considerar pronta para traduzir uma obra tão comentada desde seu lançamento para imagens. Veronika Decide Morrer ganhou seus primeiros rumores de origem hollywoodiana em setembro passado, quando a envolvida para atuar como a protagonista era a badalada Kate Bosworth, ainda no embalo por ter assumido o manto de Lois Lane em Superman – O Retorno. O roteiro era o mesmo, assinado por uma dupla capaz de causar arrepios nos produtores que gostam de se garantir nas bilheterias. Larry Gross é o homem por trás de Geração Prozac, cruel retrato de uma juventude perdida que causou tanta polêmica que foi descaradamente impedido de chegar aos cinemas brasileiros. Roberta Hanley, dona do segundo crédito pela adaptação do livro, também teve sua dose de polêmica com As Virgens Suicidas, um drama pesado sobre um grupo de jovens religiosas que se tornam motivo de mistério após uma delas se suicidar, e o filme que marcou a estréia arrebatadora da hoje célebre Sofia Coppola (Encontros e Desencontros) na direção. De qualquer forma, o tempo se passou após o anúncio de Bosworth como protagonista e a falta de novas notícias era quase preocupante. Foi só em março último que os fãs puderam respirarem aliviados com a divulgação que a nova protagonista do filme seria Sarah Michelle Gellar, mais conhecida pelo papel principal da série Buffy e do filme de terror O Grito. Junto com sua presença veio a formação de um elenco que agradou a imprensa especializada, apesar de não possuir nenhum astro de primeira grandeza na lista. David Thewlis, ator britânico conhecido como o professor Lupin da franquia Harry Potter, deve encarnar o doutor inconseqüente que mente para Veronika, dando-lhe pouco tempo de vida, apenas para estudar sua reação. Enquanto isso, Erika Christensen (Plano de Vôo) e a recém-nominada ao Oscar Melissa Leo (Rio Congelado) atuam na pele de pacientes da clínica psiquiatra que deve ser o cenário de boa parte do filme, dirigido pela inglesa Emily Young, mais conhecida em seu país por Kiss of Life. O filme, que deve estrear em agosto, teve seu primeiro trailer lançado na Internet recentemente.

Ryan. Jack Ryan.

Jack Ryan é um cara de sorte. Desde que foi criado pelo escritor americano Tom Clancy como o sumo estrategista que toma o centro dos holofotes em uma conspiração das mais cabeludas na novela Caçada ao Outubro Vermelho, lançada originalmente em 1984, o personagem se tornou figura central de boa parte da obra do escritor, uma espécie de patrimônio nacional dos Estados Unidos e ainda foi presenteado pelo seu criador com uma carreira surpreendente e meteórica que o conduziu em velocidade alucinante desde um dos cargos mais baixos da CIA até o posto de presidente americano, perpetrado em sua sétima aventura, Dívida de Honra. E o destino afortunado do personagem não para por aí. Seis anos de algumas continuações depois de se lançado no meio literário, em 1990, Caçada ao Outubro Vermelho deu a Ryan sua primeira e mais marcante investida cinematográfica, dirigida por John McTiernan (Duro de Matar) e estrelada pelo então mega-astro Alec Baldwin, hoje bem acomodado com seu papel na sensacional 30 Rock. Os próximos anos viram o mito de Ryan crescer no cinema com duas novas aventuras, dessa vez encabeçadas pelo diretor Philip Noyce (Em Nome da Honra) e pelo astro-maior do século passado Harrison Ford (Indiana Jones). Depois do terceiro filme da franquia ser lançado em 1994, a capital do cinema pareceu ter desistido do mundo de intrigas povoado por Ryan, mesmo que os filmes não tenham decepcionado no âmbito comercial, o que só acabou acontecendo com A Soma de Todos os Medos, prequel que mostrava o começo da carreira do agente, dessa vez interpretado por Ben Affleck, que havia acabado de afundar sua carreira com Contato de Risco. Logo após o que parecia ser a derradeira aparição de Ryan na tela grande, porém, Clancy inovou em sua série com O Dente do Tigre, enorme sucesso que apresentava ao leitor o filho do agente, que ressoa como o substituto do pai no papel principal das aventuras do escritor. Foi o que era preciso para que o interesse de Hollywood nas histórias de Ryan reascendesse e os primeiros rumores, datados no começo do ano passado, davam conta de um nome de classe para comandar as câmeras do novo filme, ainda sem título ou sinopse. Ao que parece, porém, Sam Raimi preferiu honrar seu compromisso com a série do super-herói aracnídeo que vem comandando desde o primeiro capítulo e deixou o cargo principal da aventura vago como está até hoje, mesmo que o roteiro já esteja quase finalizado. Quem assina o texto, aliás, é o iraniano Hossein Amini, responsável pelo drama de guerra As Quatro Plumas, lançado em 2002. A notícia mais recente desmente os boatos de que a idéia seria tornar Ryan mais jovem para se adequar ao mundo da espionagem do século XXI. Segundo a Paramount, que desistiu de um projeto encabeçado por Brad Pitt para realizar o mais rápido possível a aventura do agente americano, as negociações mais promissoras são com o ator George Clooney (Onze Homens e Um Segredo), que quer fazer um filme mais comercial. Cara de sorte, esse Jack Ryan.

O mortal escuro da noite

brandon 

Em algum momento dos últimos três você deve ter se perguntado o que aconteceu com Brandon Routh, mesmo que o nome do ator americano de quase trinta anos não tenha de fato passado por sua mente. De nome complicado mas rosto familiar, ele foi o homem que assumiu os óculos de Clark Kent e o uniforme do Super-Homem no último filme do personagem em terrenos cinematográficos, o já esquecido Superman – O Retorno, para em seguida desaparecer em papéis coadjuvantes de filmes fracassados comercialmente, inclusive sendo comandado por Kevin Smith no grosseiro e controverso Pagando Bem, que Mal Tem?. O motivo para tal desaparecimento repentino, porém, é esclarecido mais do que facilmente pela demorada e atribulada produção de Dead of Night, adaptação de uma das mais bem-sucedidas séries de quadrinhos da história, com 80 milhões de cópias vendidas em mais de duas décadas desde a primeira edição, lançada no final de 1986. A série em questão é protagonizada pelo detetive Dylan Dog, que segue a tradição dos quadrinhos italianos em mostrar o sobrenatural e o surreal sob o ponto de vista de um personagem ambíguo, que fica no limiar fino entre o herói e o anti-herói. Para se ter uma idéia, a adaptação da série em quadrinhos vem sendo comentada desde o final de 2007, quando Routh se comprometeu a interpretar o protagonista do roteiro assinado pela dupla Joshua Oppenheimer e Thomas Dean Donnelly, os responsáveis por O Som do Trovão e Sahara. Na época, quem estava comprometido a por um pouco de realismo na ação do filme era David Ellis, o homem por trás do suspense quase insuportável do bom Celular – Um Grito de Socorro e da aventura cult do hit virtual Serpentes a Bordo, tudo obedecendo a um orçamento mediano de 35 milhões de dólares. Ou pelo menos era essa a cifra que até abril último, quando a cadeira de direção foi passada para Kevin Munroe, o dono da câmera de Tartarugas Ninja – O Retorno, o desenho animado em três dimensões que fez do grupo de tartarugas mutantes algo, veja só, emocionalmente profundo. As filmagens demoraram quase mais um ano para começar, mas aos poucos o projeto ganhou forma, com o diretor revelando que quer retratar um Dylan no fundo do poço dando a volta por cima, e o elenco sendo completado. A começar pela ironia das ironias, a presença de Sam Huntington interpretando o amigo do protagonista. O ator foi também o homem de apoio de Routh em Superman – O Retorno, onde interpretou o fotógrafo Jimmy Olsen. Ao redor do protagonista, cuja primeira foto foi revelada há poucas semanas, também estarão a islandesa Anita Briem (Viagem ao Centro da Terra), que será o interesse romântico de Dylan, e o eterno vilão de Equilibrium, Taye Diggs, que irá atuar na pele do líder de um bando de vampiros. As filmagens terminaram há pouco tempo, mas Dead of Night não tem previsão de lançamento.

Trio promissor

Há tanta coisa envolvida tanto no negócio quando na arte de fazer cinema, que é sempre melhor pensar duas vezes antes de dizer que um filme foi um fiasco ou um sucesso. Eu Sou a Lenda estreou no final do ano retrasado como mais um remake maldito de um clássico de seu gênero que os estúdios poderosos de Hollywood transformariam em um show de pirotecnia apenas para demonstrar seu poder de fogo digital. Não que tal rótulo estivesse completamente errado, é claro, mas é impossível ignorar o fato de que quando um filme dá a um ator o status de astro-maior de seu meio, tem a seqüência mais cara da história do cinema e ainda consegue pagar seus custos na bilheteria, deixando algumas centenas de milhões de dólares para os cofres do estúdio que o bancou, esse filme não pode ser rotulado como um fracasso. Francis Lawrence, diretor por trás dos demônios e anjos caídos do sombrio e impactante Constantine, de forças aliadas com o carisma sem igual do grande ator que é Will Smith, criou uma espécie de clássico moderno sobre a solidão e a forma como a emoção e o conhecimento podem trazer a tona tudo ou quase tudo aquilo que chamamos de humanidade. Não é exatamente um filme profundo, de forma alguma pode ser chamado de denso, mas é sem dúvida entretenimento com muita gente competente envolvida. O mesmo pode se esperar da nova empreitada da dupla, que ainda se uniu a um dos mais talentosos roteiristas da Hollywood atual para produzir outro show de efeitos com algum conteúdo e muito envolvimento no vindouro The City That Sailed, um dos dois roteiros com a assinatura de Andrew Niccol prestes a entrarem em processo de filmagem. Só para constar para quem não conhece o homem de nome, Niccol começou carreira criando um épico de ficção científica que questionava a própria humanidade em Gattaca, que também dirigiu, e seguiu carreira assinando celebrados textos como O Show de Truman, O Terminal e a dupla Simone e O Senhor das Armas, que marcaram seus retornos ao trabalho por trás das câmeras. Também de passagem não custa lembrar que antes mesmo de The City That Sailed deve ser lançado The Cross, seu retorno a ficção científica e a função de diretor, comandando a história própria sobre um homem em uma sociedade futurista que tenta realizar o sonho de ultrapassar uma linha nunca antes cruzada por seu povo. A mais nova trama desenvolvida pela habilidosa e sempre surpreendente mão do neozelandês, porém, é simplesmente sobre uma garotinha que deseja reencontrar seu pai, um mágico de rua nova-iorquino, após ser separada dele e levada para Londres. É claro que para conseguir seu objetivo a garota sai em busca de uma lendária sala cheia de velas mágicas onde pode fazer pedidos. Quando encontra-a, porém, não consegue pensar em nenhuma circunstância para reencontrar o pai a não ser pedir que Manhattan desmorone e afunde. Com Smith e Lawrence envolvidos, alguém duvida que o recorde de Eu Sou a Lenda vai ser quebrado?

A história de amor de Michael Moore

Hoje o maior popstar entre os documentaristas americanos, Michael Moore surgiu para o mundo, e pouca gente deve se lembrar disso, como um homem comum brigando por uma razão tão pública quanto pessoal no filme Roger & Eu, o relato de sua própria saga para conseguir uma entrevista com o presidente da General Motors Roger Smith, que sem nenhuma explicação havia fechado a fábrica da marca na cidade do diretor, no estado americano de Michigan, e deixado boa parte da população desempregada. Na época, foi um furacão que passou pelos festivais de Berlim, Los Angeles e Toronto, três dos maiores do mundo, como o serviço público cinematográfico do ano e, quem sabe, até da década. Pouco tempo depois e algumas tentativas fracassadas de emplacar na ficção deixadas para trás, Moore chocou o mundo ao expor a predileção americana pela violência com armas de fogo no impressionante Tiros em Columbine, dono indiscutível do Oscar da categoria documental daquele ano, e ainda foi o primeiro a mexer forte na ferida americana mais aberta do século em Fahrenheit 11 de Setembro, uma obra-prima de manipulação que queria mostrar de uma vez por todas o quanto George Bush era um estúpido incompetente para estar no cargo onde ficou por oito anos. Por falar em ataque terrorista, a última explosão do cineasta atende pelo nome de Sicko, foi nominado ao prêmio da Academia e mesmo assim não aportou em terras brasileiras para expor o pouco caso que o governo americano faz de seu sistema de saúde. Sempre de opinião controversa, porém, Moore promete ainda mais polêmica em Capitalism: A Love Story, seu deturpado ponto de vista sobre a crise econômica mundial, fazendo em minúcias os fatores progressivos que levaram a ela, criticando o pacote de medidas do governo e chamando as campanhas de doação a grandes empresas de “o maior roubo da história desse país”. Sempre polêmica, a mais recente declaração de Moore sobre a obra vai além da ironia do esperto teaser lançado antes mesmo do filme ganhar um título. Nas palavras dele: “O filme terá tudo: luxúria, paixão, romance e 14 mil empregos sendo eliminados todos os dias”. Ao que parece, Moore entrevistou trabalhadores da rua mais movimentada da economia americana, a Wall Street, para um dos segmentos centrais da obra e já disse que o filme deve completar uma trilogia sobre o “império americano”, que começa com Tiros em Columbine e passa por Fahrenheit 11 de Setembro. O filme deve estrear em Outubro, um dia antes do lançamento do tal pacote do governo. Obama que se cuide!

Bom, pessoal, e por hoje é isso! Só para compensar o atraso dessas notícias que eu estou reunindo desde anteontem, essa é a maior edição do Boletim em muito tempo! Espero que vocês tenham gostado, tenho tentado colocar as novidades mais interessantes por aqui! Então, por enquanto é isso mesmo… os melhores filmes para todos vocês e até a próxima!


~ quinta-feira, 9 de julho de 2009 3 comentários cinéfilos

A Pantera Cor-de-Rosa 2 – A magia do carisma com Steve Martin

the pink panther 2 poster

A Pantera Cor-de-Rosa 2 (The Pink Panther 2, EUA, 2009)

De: Harald Zwart.

Com: Steve Martin, Jean Reno, Andy Garcia, Alfred Molina, Emily Mortimer, Aishwarya Rai, John Cleese.

92 minutos.

Carisma não é algo fácil de explicar. De fato, é uma daquelas coisas que simplesmente acontecem, não raro sem que você perceba, em uma sala de cinema, com a luz da tela refletindo em seus olhos. Como num passe de mágica, você começa a se importar pelo que acontece lá, naquele mundo de mentira que quase sempre tem muito mais a mostrar atrás do que na frente das câmeras. Parece e soa como um truque, uma manipulação, e há quem não goste de ser colocado em uma posição tão desconfortável pelas emoções que um filme é capaz de passar quando a dose certa de carisma é colocada na tela. Talvez seja assim que surjam críticas tão amarguradas, tão revoltadas e acima de tudo tão pouco fundamentadas, vindas de gente que não sabe apreciar a verdadeira magia do cinema e se porta de maneira tão egoísta que chega a provocar repulsa. Quem quase sempre sai prejudicado é o espectador que entra com más expectativas em uma sessão e sai sem saber o que pensar. Afinal, o que é mais provável aos olhos de nossa sociedade? O crítico conceituado ser movido por razões puramente egoístas, ou o espectador ver e não saber distinguir um bom filme de um ruim? A verdade é que cinema não precisa ser nada mais do que entretenimento para cumprir sua missão, e é sempre bom lembrar que, se você se levantou de sua confortável poltrona numa sala com um sorriso no rosto, não tenha dúvidas ao pensar na peça valiosa de cinema que o filme que acabou de passar na tela é, mesmo que tudo aquilo seja puro carisma e nada mais. Porque não é fácil fazer filmes, e talvez seja ainda mais difícil passar por cima de preconceitos para se provar algo pelo qual valha a pena usar duas preciosas horas de nossas vidas. O sorriso estava lá em A Pantera Cor-de-Rosa, o remake lançado três anos atrás e estrelado pelo mais do que carismático Steve Martin, que foi massacrado pela crítica ao redor do mundo, quase sempre apoiada por comparações tanto em relação ao passado de seu astro quanto do seu personagem principal. O Inspetor Jacques Clouseau, para quem não sabe, antes de ser defendido por um Martin em momento de baixa na carreira, foi protagonista de nada menos que sete filmes produzidos entre 1963 e 1982, todos comandados pelo mestre da comédia Blake Edwards (Bonequinha de Luxo) e estrelados pelo britânico Peter Sellers, que deve muito de sua fama a inspirada performance como o atrapalhado detetive francês que sempre se via as voltas com o roubo diamante que dá nome a série, um símbolo da riqueza de sua pátria. O remake, realizado mais de uma década depois da primeira tentativa após a morte de Sellers ter falhado miseravelmente, conseguiu uma surpreendente bilheteria de quase 150 milhões de dólares ao redor do mundo, o que obviamente conduziu a série a uma continuação, lançada há pouco tempo nos cinemas sem tamanho sucesso. A queda de bilheteria quase pela metade pode cortar novamente as memórias do Clouseau de Martin na capital do cinema, mas não há dúvidas de que a continuação ainda é uma boa peça de entretenimento. Afinal, não custa nada abrir um sorriso numa sala de cinema de vez em quando.

A continuação já começa bem na troca de roteiristas, deixando para trás o anacrônico e grosseiro Len Blum (O Rei da Baixaria), claramente o responsável pela amarração de cenas cômicas sem desenvolvimento de personagens que incomodava um pouco na primeira investida da nova franquia, e colocando para assinar o novo script ao lado do astro Martin a bem mais sutil duplas Scott Neustadter e Michael Weber, cuja obra anterior, o romance 500 Days of Summer, ganhou elogios lá fora deve estrear em breve em terras brasileiras. Nas mãos dos novos escritores, Clouseau e seus coadjuvantes deixam de ser caricaturas levadas por atores competentes para se tornar personagens de verdade, o que deixa bem mais fácil para o espectador se envolver em todo o clima cômico-romântico que permeia a nova história. Sim, temos romance de verdade aqui, mas as sacadas cômicas continuam no mesmo nível do filme anterior, levadas com boa fluência e colocadas de forma inteligente na trama. Não dá para dizer que o ritmo é perfeito todo o tempo, mas não há erros grandes o bastante para tirar a graça e a magia do carisma de um elenco crescente que desempenha seus papéis com desenvoltura deliciosa de acompanhar. Martin, co-autor do roteiro, garante as melhores partes para si e brilha genuinamente como um mestre na arte de fazer rir em cada minuto em tela. Isso sem contar que o lado prático da trama investigativa tem adições de personagens que apenas a deixam mais interessante e integrada as trapalhadas do babaca adorável que é o Clouseau do novo século. Um tipo comum, é verdade, e uma forma garantida de conquistar o público, mas o elemento clichê funciona bem em uma trama que não se pretende nada além de pura diversão e alcança seu objetivo com primazia. Dessa vez, o filme começa com Clouseau relegado a fiscal de trânsito até que o Inspetor Dreyfuss, seu superior, recebe a ordem de incluir o detetive, célebre por sua heróica recuperação do diamante símbolo do país, em um “time dos sonhos” da investigação, que juntaria os melhores de todo o mundo para desvendar o mistério do Tornado, um ladrão que voltou a ativa depois de uma década sem dar as caras e já surrupiou artigos lendários como a Espada Imperial japonesa e o Anel Papal, além é claro do Pantera Cor-de-Rosa. O script espertamente integra a trama do “time dos sonhos” com o desenvolvimento progressivo do romance entre Clouseau e a secretária Nicole, que se vê assediada pelo componente italiano do time enquanto o próprio inspetor francês se envolve com a encantadora especialista nos crimes do Tornado. É nessa integração, trabalhada quase sempre com habilidade ao longo dos acertador 96 minutos de A Pantera Cor-de-Rosa 2, que a seqüência garante sua evolução em relação ao primeiro filme na mesma medida que torna os personagens envolvidos mais realistas e interessantes.

A mudança de câmera também não faz nenhuma mal a série, é claro. Shawn Levy (Doze é Demais) fica só na produção e abre caminho para os ares europeus do holandês Harald Zwart, mais conhecido como o comandante da aventura juvenil Agente Teen. Não que o novo comandante da série seja um gênio com a câmera, mas é impossível negar que suas idéias se integram bem a nova trama e suas escolhas de ângulos e movimentos não fazem nenhum mal a quem gosta de observar esse tipo de coisa mesmo quando a peça de cinema em questão é puro entretenimento. Zwart injeta um novo espírito de frescor a série com seus cortes ao mesmo tempo convencionais e bem escolhidos e sua edição bem calculada, aliada a uma direção de atores competente e a criação de um novo clima de confraternização e rivalidade entre o grupo ali reunido. Nas mãos dele, tudo soa como uma espécie de desafio entre amigos, e não há espírito melhor para conduzir uma boa comédia aventuresca, especialmente em se tratando de um roteiro que dá tanta importância aos personagens e a relação entre eles. Sua direção, em suma, é elemento mais do que fundamental para que o carisma daquilo que vemos em cena funcione como deve. É claro que o restante do show é todo com o elenco, e estamos falando de um bem servido aqui. A começar pelas novas adições ao time, especialmente Andy Garcia, mostrando sua afiada veia cômica, algo que o espectador andava furtado de apreciar desde 2003, com a rápida e irônica aparição do ator em Confidence. Aqui, ele exercita seu bem treinado sotaque italiano para se tornar a peça-pivô de uma espécie de crise escondida entre Nicole e Clouseau, colocando o velho charme conquistador para funcionar e acabando o filme como um dos mais ambíguos e interessantes personagens da trama, brilhando mesmo quando ao lado de Martin, protagonista absoluto. Quem também entra na dança é Alfred Molina, o inesquecível vilão de Homem-Aranha 2, não fazendo muito esforço para criar um especialista em dedução que passa o filme todo sem saber para que lado atirar e ainda assim se acha superior a seus colegas de time. É de certa forma vilanesco, mas não deixa de ser um dos “caras do bem”, e Molina faz isso sem grandes arroubos de ousadia, mas acima de tudo com competência. Outra troca bem pensada entre as muitas da continuação acontece no papel do Inspetor Dreyfuss, um tanto limitado a caretas de dor quando na pele de Kevin Kline no primeiro filme, e agora muito mais sarcástico e interessante ganhando o rosto e o talento de John Cleese, provavelmente um dos mais talentosos comediantes que há por aí. O britânico brilha especialmente no começo, numa das primeiras cenas do filme, quando o personagem recebe a recomendação de Clouseau para o time dos sonhos. De familiar mesmo só a honra e a coadjuvância eficiente de Jean Reno, sempre uma valiosa adição a qualquer elenco, que se mostra um comediante de mão cheia mesmo ao lado de alguém tão bom na arte de fazer rir quanto Martin, com quem divide a maioria de suas cenas. Por fim, no campo feminino do elenco temos Emily Mortimer (Match Point), um tanto afetada na confusão amorosa de Nicole, mas sem dúvida adorável quando o filme chega ao fim, e a indiana Aishwarya Rai (A Última Legião), cuja beleza estonteante fica infelizmente apagada pela personalidade pouco trabalhada de sua personagem. Elenco de apoio bem interessante, é verdade, e isso apenas aumenta o mérito de Steve Martin em construir um personagem tão cativante quanto Clouseau. Seja tentando dirigir e conversar sobre o caso ao mesmo tempo, se fingindo de dançarino de flamenco para mudar uma escuta de lugar em um restaurante recém-inaugurado, tomando aulas de etiqueta ou fazendo confissões amorosas para seu parceiro, Martin é magnético e talentoso acima de todas as dúvidas do começo ao fim. Ponto para ele, que sabe reconhecer um bom projeto, e para o espectador, que é presenteado com mais uma demonstração do quão divertido pode e deve ser o cinema.

Nota: 7,0

The Pink Panther 2

Pink Panther 2


~ segunda-feira, 6 de julho de 2009 4 comentários cinéfilos

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (26/06/2009)

Câmera pop

Diretor de clipes para gente pouco conhecida do grande público antes de migrar para o cinema e logo de cara ganhar a simpatia dos fãs de horror com o bom Madrugada dos Mortos, Zack Snyder é a prova mais recente de que o caminho para o sucesso na terra do cinema do novo século é mesmo o dos vigilantes mascarados. No que tange a ele, ao menos, o trampolim para a fama tem classe. Foi na missão hercúlea de adaptar para o cinema a maior saga heróica dos quadrinhos, o clássico Watchmen, que Snyder tomou de assalto a capital do cinema. Mesmo com uma bilheteria nem tão impressionante, o thriller de super-humanos comprou para o diretor a credibilidade de um homem com “um filme sério” no currículo e ainda abriu as portas de dois projetos que os fãs do estilo caótico de sua câmera esperam com ansiedade. Especialmente aqueles que se divertiram com a extrapolação histórica e o impacto visual de 300, engodo baseado em uma graphic novel de Frank Miller que explodiu mundo afora com sua adrenalina a flor da pele. Sim, a prioridade de Snyder no momento é a continuação do épico da Grécia antiga estrelado por um visceral Gerard Butler (Encurralados) em 2006. A continuação, que deve sair em 2011 e está em processo de pré-produção e roteirização, continuará acompanhando o avanço das tropas persas, comandadas pelo Xerxes que o brasileiro Rodrigo Santoro (Carandiru) representou no primeiro filme, através do território grego após passar por cima das três centenas de soldados reunidas por Leônidas. Conhecidos historicamente como Guerras Médicas, os confrontos entre gregos e persas duraram mais de dois séculos e passaram por pelo menos cinco grandes batalhas. Duas delas, segundo disse Snyder, vão se misturar as conseqüências da morte de Leônidas na trama do segundo filme. A primeira seria a de Salamina, ilha onde as marinhas dos dois lados da guerra se enfrentaram, que marcou a primeira vitória grega frente aos persas. Já a segunda seria a de Platea, cidade que assistiu a 10.000 espartanos se defenderem das numerosas forças persas. Ao mesmo tempo em que desenvolve o roteiro da continuação ainda sem título oficial, Snyder finaliza a fantasia Sucker Punch, seu primeiro trabalho como diretor que possui um roteiro original. A primeira frase de efeito divulgada define o filme como “Alice com metralhadoras”, o que casa bem com a trama sobre uma garota problemática que é internada em um hospício por seu padrinho perverso e imagina um violento universo alternativo enquanto espera para se submeter a uma lobotomia. No processo de definição do elenco, Snyder surpreendeu ao anunciar que a boa moça Vanessa Hudgens (High School Musical) seria a intérprete de Blondie, a protagonista. Para atuar ao lado da garota, Snyder escalou outros talentos jovens de Hollywood, a exemplo de Emily Browning (Desventuras em Série), Jena Malone (Donnie Darko), Jamie Cheung (Dragonball: Evolution) e Abbie Cornish (Candy). As filmagens devem terminar no próximo mês, e Sucker Punch deve ser lançado por volta de Março de 2010.

A rede no cinema

200 milhões é um número expressivo em muitas situações, mas talvez seja na capital do cinema que essa determinada quantia adquira um significado cabalístico. No mundo de cifras da Hollywood capitalista, a marca no começo desse texto representa a meta inicial de qualquer estúdio que pretenda ter um sucesso no currículo. É ao passar das duas centenas de milhões em solo americano que blockbusters ganham definitivamente esse nome atrelado a seus títulos. Talvez por causa desse significado obscuro mas bem conhecido dos que acompanham as bilheterias internacionais, a história surpreendente do site de relacionamentos Facebook tenha atraído os grandes estúdios antes do que qualquer outra. Criado em 2004, quando a mania de se relacionar socialmente na rede já era quase unanimidade, o Facebook rapidamente se tornou mania em terras americanas, ultrapassando os concorrentes em número de usuários em pouco tempo. Hoje, o site é um dos maiores do mundo, o maior em território ianque, e possui nada mais nada menos que 200 milhões de associados, amealhados durante os cinco anos que está no ar. Atenta para a crescente fatia do público que quer ver modernidade e tecnologia aliadas a boas tramas no cinema, Hollywood tratou de buscar a história da criação do site e já tem um projeto pronto para decolar nos próximos anos contando essa trama real. The Social Network ganhou força com o envolvimento do renomado roteirista Aaron Sorkin, gênio por trás de filmes como Jogos do Poder e Questão de Honra, pelos quais foi indicado ao Globo de Ouro de melhor roteiro. A versão final de Sorkin para a trama foi aprovada pela Columbia no último dia 24, e a notícia de que o roteiro estava pronto para chegar as vias de fato atiçou os rumores de que David Fincher, recém-nominado ao Oscar pelo trabalho em Benjamin Button, estaria negociando para assumir as câmeras do projeto, que ganhou a atenção da mídia especializada. A história, ao que parece, é focada na figura de Mark Zuckerberg, que era um estudante de 19 anos em Harvard quando teve a idéia de criar um novo site de relacionamentos, despreocupado com sua repercussão, e viu sua criação crescer em pouquíssimo tempo. O fenômeno da Internet parece de fato ter provocado alguma agitação nos corredores dos estúdios, tanto que menos de um dia depois do anúncio que o projeto estaria pronto para ser filmado já surgiram os primeiros candidatos ao papel principal. Segundo as últimas notícias, a longa lista montada pelo estúdio tem no topo os nomes de Michael Cera (Juno), mais acostumado ao tipo nerd que Zuckerberg fazia, e Shia LaBeouf (Transformers), que possui uma credibilidade grande com o público americano. Mal o projeto começou a ser filmado, porém, e as primeiras críticas, vindas do site CNET, já vieram, afirmando que o roteiro de Sorkin é equivocado e trata o protagonista como um “nerd desagradável”.

Risos em português

Protagonizada por dois atores bastante ativos no cinema nacional, a série cômica Os Normais pode até ter tido uma vida bem curta na telinha, com três temporadas exibidas, mas as loucuras do casal Rui e Vani continuaram vivas no cinema um ano depois do fim da série, quando o filme protagonizado pelos dois foi lançado nos cinemas e se tornou um dos poucos filmes nacionais a alcançar um milhão de espectadores no ano. Ganhou o espectador, que riu a beça com a história do casamento do casal neurótico encarnado com gosto por Fernanda Torres (Saneamento Básico) e Luís Fernando Guimarães (O Que é Isso, Companheiro?). Passaram-se quase meia década desde então, e numa época em que as comédias dominam o panorama do cinema brasileiro e aos poucos vamos nos tocando que o medo de ser popular tem matado nossa sétima arte, nada mais natural que o maior símbolo dessa transição de cinema marginal para cinema popular entre em cena mais uma vez. Em filmagens desde o começo do ano, o novo longa protagonizado pelo “casal mais normal do mundo” tem uma trama polêmica, coadjuvantes estelares e um trailer não menos que hilário lançado na rede, que pode ser conferido aí em cima. As primeira informações liberadas da continuação vieram em janeiro, quando o roteiro foi entregue pelos mesmos autores do script do primeiro filme. O casal Alexandre Machado e Fernanda Young, responsáveis pelo recente Muito Gelo e Dois Dedos D’Água, tramou a nova história, que envolve Rui e Vani na busca por um terceiro elemento, que viria para apimentar a relação. Em uma única noite, os dois percorrem Copacabana em busca da terceira pessoa ideal para completar o ménage a trois, passam por um hospital onde a prima de Vani vai internada após um “acidente” na relação e até vão parar em um centro espírita onde acontecem jogos sinistros. O subtítulo do filme, A Noite Mais Maluca de Todas, promete tantas boas piadas quanto o trailer, embalado por uma versão trash de “Livin’ La Vida Loca” e que revela diversas participações globais no decorrer do filme. Sob a direção do mesmo José Alvarenga Jr do primeiro filme, que vem recém-saído do sucesso de Divã para a direção de um time de estrelas que promete risadas antológicas. Isso porque entre as candidatas a complementar a relação a três estão Cláudia Raia, em seu primeiro papel no cinema desde Boca de Ouro, Danielle Winits (Sexo com Amor?), Alline Moraes (Fica Comigo Esta Noite), Drica Moraes (Amores Possíveis) e a novata Danielle Suzuki. Além do time feminino, o experiente Daniel Dantas (Caixa Dois) atua na pele de um amigo esquecido de Rui. A comédia está marcada para estrear em 28 de Agosto próximo.

Nota de Luto: Farrah Fawcett (1947-2009)

A vida é uma coisa engraçada. Permanecemos nela por um tempo tão arrastado e tão fugaz, passamos por ela tendo que tomar decisões, seguir caminhos, fazer escolhas, ser quem somos, mesmo que não saibamos o porquê de sermos assim. No final, tu do fica entre os que lutaram e os que desistiram. Não há dinheiro, não há fama, não há nenhuma conquista de vida que seja capaz de parar a jornada impiedosa que fazemos a cada dia em direção ao fim desse bem tão precioso que chamamos de vida. A pergunta final, para qualquer um: valeu a pena? A impressão que fica é que, para Farrah Fawcett, valeu. Derrubada pelo câncer que a acometia a uma trinca de anos, a atriz texana havia acabado de lançar o documentário para televisão Farrah’s Story, que registrava sua luta contra a doença e os dilemas de uma mulher que não sabia se valia a pena voltar para uma vida antiga, que havia ficado para trás, quando já estava a beira da morte. Uma semana antes de sucumbir as amarguras da vida, Farrah decidiu aceitar o pedido de casamento do ator Ryan O’Neil, protagonista do clássico Love Story, com quem havia se unido extra-oficialmente por dezessete anos antes do fim do relacionamento, treze anos atrás. Em vida, Farrah teve uma carreira brilhante que deve seu ponto de decisão ao ator Lee Majors, protagonista da popular série O Homem de Seis Milhões de Dólares e responsável pela escalação da então namorada para o papel principal da comédia Myra Breckinridge, baseada em uma novela do sempre polêmico Gore Vidal (Calígula). Não dá para dizer que a obra foi um sucesso de bilheteria, mas serviu de trampolim para a texana engatar uma série de papéis ascendentes até chegar, seis anos depois, ao clássico Fuga do Século 23, onde chamou a atenção do bem-sucedido produtor Aaron Spelling, que a convidou para protagonizar sua nova série de TV, sobre um trio de espiãs de uma organização misteriosa que eram comandadas por um estranho chamado Charlie. Sim, estamos falando de As Panteras, a série clássica, que lançou Farrah ao estrelato e teve quatro explosivas temporadas exibidas entre 1976 e 1981. Dedicada como era ao papel, Farrah fez pouco enquanto atuava na televisão, mas tratou de por em dia a carreira cinematográfica logo após do fim da série, quando atuou no clássico Quem Não Corre Voa e ganhou suas primeiras indicações ao Globo de Ouro, no campo televisivo pelo polêmico e violento Cama Ardente, e no cinematográfico pelo suspense cult Seduzida ao Extremo. Ainda na década de 1980, voltaria ao prêmio da imprensa americana pelos desempenhos nos telefilmes Caça aos Nazistas, Pobre Menina Rica e Sacrifício Final. A virada da década trouxe-lhe um amargo esquecimento até 1997, quando o drama O Apóstolo a trouxe de volta a voga mais pela polêmica do tema do que pela relevância do seu papel. Desde então, se destacou na comédia Dr. T e as Mulheres, do falecido Robert Altman (A Última Noite) e com participações em séries como Spin City e The Guardian. Lutando com o câncer desde 2006, Farrah Fawcett sucumbiu a doença após diversas internações. Tinha 62 anos, quarenta deles dedicados a atuação, deixou um filho e um amor que não viu o casamento acontecer.

Nota de Luto: Michael Jackson (1958-2009)

Não é fácil falar de alguém que recebeu o título de “rei do pop” por méritos próprios indiscutíveis e jogou esse título fora com besteiras, polêmicas e processos judiciários. Afinal, em mais de três décadas de carreira, o americano do estado da Indiana nunca deixou que seu nome ficasse fora de voga, de uma forma ou de outra. Tudo começou no final da década de 60, quando o grupo musical Jackson Five surgiu para o mundo vendendo discos feito água e emplacando um número impressionante de músicas nos topos das paradas. Para um país recém-saído da luta de direitos raciais, era quase um milagre em se tratando de um quinteto de jovens negros, irmãos, cuja figura central era o caçula, Michael. Revelados pela cantora e atriz Gladys Knight (Em Busca do Dólar), o grupo explodiu na lendária gravadora de artistas negros Motown, que ganhou um fenômeno pop para chamar de seu com o quinteto. A adaptação de grupo vocal infantil para super-popstars da era disco foi o golpe final para Michael começasse a brilhar mais do que os irmãos. Em 1983, o grupo se dissolveu e o irmão mais famoso seguiu carreira solo, estreante logo com o álbum mais vendido de todos os tempos, o lendário Thriller. 50 milhões de cópias vendidas, 37 semanas no topo da Billboard e uma dupla de clipes revolucionários para a arte de promover músicas através de imagens. Antes de falar sobre o videoclipe mais cinematográfico de todos os tempos, porém, é bom lembrar que Michael já havia demonstrado sua paixão pela sétima arte ao encarnar o Espantalho na versão setentista da história O Mágico de Oz, dirigida pelo mestre Sidney Lumet (Um Dia de Cão), que não se tornou o sucesso tamanho que se esperava. Persistente em suas obsessões, porém, Michael chamou o célebre cineasta John Landis (Trocando as Bolas), mestre da comédia que fez do videoclipe de “Thriller” um dos maiores hits da história e um marco para geração MTV de fãs de música. Sinônimo de sucesso após o álbum, o cantor ainda firmou uma das maiores parcerias da história dos videoclipes com o grande Martin Scorsese (Gangues de Nova York), diretor de “Bad”. A década de 1990, porém, trouxe as primeira polêmicas para a carreira do cantor, que começou a ser visto com a pele mais clara e modificações no rosto, supostamente provocadas por vitiligo, uma doença que deforma o rosto, e por cirurgias plásticas. O cinema continuou em sua vida com lançamentos como a coletânea de curtas Moonwalker, lançada diretamente em vídeo, e curtas-metragens de ficção como Captain EO, dirigido por Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão), e Ghosts, desabafo em forma de filme de horror feito pelo mestre dos bonecos Stan Winston (Muppets). Casos de pedofilia, álbuns que vendiam cada vez menos, polêmicas em relação a seus filhos, dos quais Michael nunca mostrou o rosto, e a dois casamentos fracassados acabaram levando o cantor a uma reclusão que só foi revertida recentemente, quando anunciou que faria uma turnê ao redor do mundo. O primeiro show seria ainda na primeira semana de Julho, mas os fãs foram deixados na expectativa e na tristeza com a notícia da morte do ídolo, de causas ainda não esclarecidas, a 25 de Junho último. Michael deixou três filhos e milhões de fã. Mas o trono de rei continua ocupadíssimo.

Em memória de Farrah Fawcett *02/02/1947 +25/06/2009

Em memória de Michael Jackson *29/08/1958 +25/06/2009

Bom, pessoal, e por hoje é isso mesmo… infelizmente em luto pela morte de duas pessoas tão importantes para o cinema e, no caso de Michael, para a música… meus pêsames aos fãs de ambos… mas a vida continua, senhoras e senhores! O jeito é seguir em frente. Por enquanto, os melhores filmes para todos vocês e até mais!


~ sexta-feira, 26 de junho de 2009 6 comentários cinéfilos

O Tal do Twitter + Sunshine de Inverno

Manias de Internet, como esse novo séculos já nos ensinou tantas vezes, são coisas passageiras e quase nunca deixam alguma marca em quem escolha se integrar a ela por alguma ventura. Talvez justamente por pensar assim, sou meio desconfiado quanto aos sites de relacionamento que andam pipocando por aí, e inicialmente o hoje mundialmente conhecido Twitter não me despertou muita atenção. Parecia, sinceramente, algo indefinidamente inútil, coisa de gente que não tinha o que fazer e ficava contando a própria vida em detalhes sórdisos para quem quisesse ler.

Bom, talvez fosse assim no começo, mas como tudo na vida o Twitter separou o joio do trigo, refinou-se nas funções que aos pocuos foi ganhando e, de uma hora para a outra, se tornou função indispensável para quem quisesse se dizer “concectado” a tudo o que acontece ao redor do mundo. Até eu, essencialmente blogueiro e aos poucos vendo as utilidades de divulgação, expressão e contato que o site do pássaro pode trazer para esse tipo de gente, me juntei ao bando. Sim, lá estou eu, gorjeando todos os dias de tudo que você pode imaginar. Caso queira conferir o que tem pra dizer esse humilde bogueiro, siga o link aí embaixo:

Minha página no Twitter, a última palavra da Internet

sunshine

Outra coisa que eu estava louco para divulgar por aqui, é que meu grande amigo Rubens Medeyros (só clicar aí do lado pra entrar no blog dele) me concedeu a honra de estar presente na sua revista virtual, intitulada Sunshine, que chegou a sua segunda edição poucos dias atrás. Eu assino duas páginas modestamente falando sobre… cinema, obviamente.

Primeiro, antes de tudo, preciso agradecer muito ao Rubens por essa oportunidade, é um orgulho estar entre gente tão talentosa nessa revista maravilhosa… Além disso, cá estou também para lhes passar o link para download da revista, que pode ser encontrado no blog do Rubens ou logo aqui embaixo. Tenha uma boa leitura… e se apaixone você também por esse raio de sol brilhante.

Download da Sunshine de Inverno, divirta-se

Bom, pessoal, e por enquanto é só isso mesmo… ando meio ausente por aqui porque preciso mesmo estudar para algumas provas, mas logo depois entro de férias, o que significa mais posts por aqui! Então, com essa deixa, vou ficando por aqui, provavelmente até segunda ou terça-feira, quando pretendo reunir mais algumas notícias para deixá-los informados… então, os melhores filmes para todos vocês e até mais!


~ quarta-feira, 24 de junho de 2009 4 comentários cinéfilos

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (22/06/2009)

Indefinição no reino bárbaro

Faz menos de um mês desde a última vez que este mesmo humilde cinéfilo os deixou informados sobre a saga do bárbaro Conan para voltar aos cinemas quase duas décadas depois de sua última aventura cinematográfica. Para quem não se lembra, o projeto vem sendo desenvolvido de forma inconstante desde 2001, quando o próprio John Millius, o diretor do original de 1982 estrelado pelo hoje governador Arnold Schwarzenegger, chegou a escrever um roteiro, intitulado King Conan: Crown of Iron, mas terminou por deixar o leme do barco, que a Columbia entregou a Robert Rodriguez (Sin City), que por sua vez o passou a Boaz Yakin (Duelo de Titãs). Porém, foi nas mãos do sempre eficiente Brett Ratner (A Hora do Rush) que o projeto ganhou rumo definitivo, sob um novo roteiro, de autoria da dupla responsável pelo surpreendente Outlander. Howard McCain e Dirk Blackman viram seu script mudar de mãos mais uma vez e dessa vez parecia que de fato o diretor definitivo para o projeto seria James McTiegue, o culpado pela câmera estilosa de V de Vingança e protegido dos Irmãos Wachowski (Matrix), que estiveram envolvidos no filme desde o primeiro projeto. A ilusão de que as coisas finalmente estariam indo por um caminho foi destroçada logo no dia seguinte a notícia dando conta de McTiegue. Ao que parece, a disputa da vez é entre os dois estúdios que produzem Conan. Enquanto a Millenium teria indicado McTiegue para o comando, a Lionsgate apareceu com uma extensa lista de candidatos que incluía o diretor francês Christophe Gans (Silent Hill) e o britânico Neil Marshall (Abismo do Medo). No final das contas, um mês depois do começo da disputa, os dois lados saíram em um acordo baseado na presença conciliadora do badalado Marcus Nispel, responsável pelos mais recentes remakes de O Massacre da Serra Elétrica e Sexta-Feira 13. A imprensa, ansiosa pelo filme desde o começo do século, não gostou muito da decisão, mas é inegável que a câmera estilosa de Nispel merece uma chance para ser guiada por um bom roteiro. Discussões de mérito a parte, parece que agora, já há algumas semanas como o nome oficial da direção de Conan, o alemão vai mesmo levar a coisa até o fim. Sete dias depois de assumir, ele já tomou uma decisão importante que poucas vezes havia passado perto do projeto e ainda, de brinde, agradou os fãs com ela. Antes da esperta escolha de Roland Kickinger por Nispel, os únicos a seres sequer cogitados para o papel do rei bárbaro foram o próprio Schwarzenegger antes de se eleger governador e o astro da luta livre Triple H, que foi citado por Millius por volta de 2003. O nome do agraciado com o papel pode ainda não ser familiar, mas Kickinger já estrelou Son of the Beach, uma polêmica e curta série de TV, e fez nerds no mundo inteiro delirar ao se tornar a nova face do T-800, modelo clássico da série Exterminador do Futuro, na quarta encarnação da série, lançada a pouco tempo. Papel que foi de... Schwarzenegger, Conan em pessoa, nos três primeiros filmes. Esperto esse Nispel, não?

Astros atrás das grades

Astros de Hollywood são capazes de qualquer coisa para voltar ao topo uma vez que seus nomes ficaram fora de voga por algum tempo, até mesmo ir parar atrás das grades de uma prisão por um bom salário. Em 2001, o cinema alemão passava por uma fase de redescoberta nas mãos de gente moderna e esperta como Tom Twyker, responsável por um dos maiores sucessos da geração Internet de cinéfilos, o verborrágico e genial Corra Lola Corra. Em meio a tamanha visibilidade, com os olhos dos festivais europeus voltados aos germânicos, um até então desconhecido diretor de televisão estreou no cinema com uma pequena produção intitulada A Experiência. A combinação de atores desconhecidos, um roteiro a seis mãos que venceu prêmios ao redor do mundo e uma câmera cheia de equilíbrio e ponderação, esse pequeno filme se mostrou um dos mais fascinantes estudos sociais do instinto humano lançados no cinema em muito, muito tempo mesmo. Numa trama ainda mais inacreditável por ser baseada em um caso real, uma equipe de cientistas resolve realizar um experimento psicológico com vinte homens escolhidos ao acaso e contratados mediante pagamento para passar duas semanas em um ambiente simulando, da melhor maneira possível, uma prisão. Coisa simples, que vai longe demais e provoca reações capazes de despertar a mais profunda concepção animal do homem. Se você foi esperto o bastante para ligar uma coisa a outra depois de ler o começo desta nota e a trama descrita logo abaixo, considere-se um privilegiado. Ou não. Afinal, não é exatamente uma surpresa que Hollywood pegue um filme de enorme êxito crítico e comercial europeu, um tanto esquecido devido ao tempo, e anuncie o projeto de uma “reimaginação”, o termo da moda para a prática. A bola da vez na terra do cinema é mesmo o primeiro longa-metragem de Oliver Hirschbiegel, que após a estréia gloriosa se tornaria o diretor a dar um retrato definitivo a maior vergonha da história alemã no magnífico A Queda e ainda sujaria seu nome com o adiado, trucidado e esmagado pela crítica Invasores, mas ao menos Hollywood chamou alguém com história semelhante a do alemão para escrever e dirigir o remake. Além de ser um estreante em cinema, Paul Shceuring tem experiência em lidar com homens encarcerados na celebrada série Prision Break e ainda tratou de se cercar de talentos interpretativos para dar vidas as mentes perturbadas que vão se mostrando no decorrer da narrativa. A começar por dois vencedores do Oscar que andam seletivos demais em relação a seus trabalhos. Adrien Brody não tem um filme lançado em terras brasileiras desde O Expresso Darjeeling, e Forest Whitaker não dá o ar da graça em salas de projeção tupiniquins desde a atuação em alta voltagem que entregou em Os Reis da Rua. Junto deles no projeto está outro talentoso sumido, Elijah Woods, que não aparece desde que pôs um nome a mais no já lotado cartaz de Bobby, e o elenco se completa com Cam Gigandet, o James da franquia Crepúsculo.

Na correria com Reese

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Por mais que os críticos e os mais entendidos de cinema possam chiar, a verdade é que Reese Witherspoon enganou a nós todos. Na luta desde 1991, quando protagonizou uma curiosa história de amor no cult No Mundo da Lua, essa americana do estado do blues surgiu para o grande público no final da mesma década, interpretando papéis típicos do cinema adolescente que era tendência na época, e seguiu carreira intercalando bobagens divertidas como Legalmente Loira com o que de fato pareciam surtos de juízo ao se envolver com gente do naipe de Alexander Payne (em Eleição) e Oliver Parker (Armadilhas do Coração). O ano da virada foi 2005, quando Reese provou arrepios nos fãs do country mais puro do coração da América ao assinar para encarnar June Carter, esposa do lendário Johnny Cash, na cinebiografia Johnny & June. Surpreendeu muita gente, botou um sorriso no rosto de outros tantos e ainda levou um Oscar para casa por sua interpretação. A partir daí, o que ela fez? Basicamente, sem contar um par de filmes independentes e uma comédia romântica que passou em branco pelas bilheterias e pela crítica... nada. Isso até sua popularidade ressuscitar com o sucesso-surpresa de feriado Surpresas do Amor e o maior blockbuster animado da história, Monstros vs. Alienígenas estrear causando furor nas bilheterias. Recuperada, de volta aos holofotes, parece que Reese finalmente entendeu que já foi compreendida por seu público e partiu para duas parcerias que abriram um sorriso em seus fãs. A primeira, que deve sair até o final do próximo ano de 2010, é How Do You Know, título provisório da próxima dramédia romântica do consagrado James L. Brooks. O cineasta, que por sua vez também tem um Oscar na prateleira, de melhor direção por Laços de Ternura, juntou Reese a uma trupe de peso que inclui seu parceiro habitual, Jack Nicholson, que deve ao diretor seu prêmio de melhor coadjuvante por Melhor é Impossível, além de gente nova na trupe como Owen Wilson (Uma Noite no Museu) e Paul Rudd (Ressaca de Amor). Já com as fotos das filmagens liberadas na rede, o filme contará a história de uma mulher em crise amorosa que se vê sendo disputada por dois homens, um homem de negócios e um jogador de beisebol descuidado. Saindo do set deste projeto, Reese vai direto para as mãos de outro diretor cheio de moral entre os críticos, o californiano Cameron Crowe, vencedor do prêmio da Academia de melhor roteiro original pelo trabalho em Quase Famosos, que também dirigiu. Por enquanto, a maior discussão entre os sites de cinema a respeito do novo filme do diretor com a presença de Reese no elenco é o título. Há quem garanta que o nome escolhido para o romance, mais dramático que cômico, é Deep Tiki, mas o IMDB e uma braçada de outros sites firmam a opinião em Volcano Romance, algo mais descritivo do que foi revelado na trama até agora. No roteiro do próprio Crowe, Reese será a paixão da vida de Ben Stiller (Trovão Tropical), um militar que não se dá bem com muita gente, que acaba de trocar a garota certa para sua vida por uma que, ele sabia de alguma forma, não valia a pena. Sua redenção vem quando é chamado para o Havaí, onde é perseguido pelos deuses nos quais os nativos acreditam e reencontra a mulher de sua vida, ao lado do novo marido e dos filhos.

A Facada Final de Williamson

Quando o primeiro Pânico estreou no final da década de 90, é impossível não dizer que foi o filme certo na hora certa. Cansados de um “cinema para adultos”, os adolescentes entraram pela primeira vez durante muito tempo em uma sala de projeção e assistiram a uma obra feita especial e visivelmente para seus olhos. Wes Craven, um diretor cheio de moral entre os críticos por contribuições ao gênero do terror com filmes do naipe de A Hora do Pesadelo, havia diminuído a faixa etária dos protagonistas de sua fórmula e construíra por cima do roteiro de Kevin Williamson, o homem-hype do momento, o símbolo de toda uma geração de freqüentadores assíduos de cinema. Pânico virou padrão porque era uma obra levada com competência, sim, mas ainda mais porque foi um filme extremamente oportunista. E Craven ainda teve a audácia de desafiar o passar dos anos duas vezes, produzindo um par de seqüências que não só se integraram no panorama da série perfeitamente como ainda deixaram os fãs que ela ganhou durante quatro anos e um trio de filmes, com um gosto de quero-mais. Faz nove anos que o terceiro capítulo estreou nos cinemas, e desde então o gênero do terror criou uma tendência a se despir das ousadias cool de gente como Craven e Williamson para se tornar cada vez mais psicológico, visualmente forte e, que me perdoem os críticos, não raro entediante. Com boatos de acontecer desde 2001, apenas um ano depois do lançamento do capítulo derradeiro da primeira trilogia, o filme atravessou os anos do novo século como uma espécie de mito dentro de Hollywood, que passou por épocas muito próximas a realidade e outras absolutamente esquecido. O projeto ganhou mais uma sobrevida em meados do ano passado, quando os boatos intermitentes ganharam uma boa força quando Wes Craven, o próprio, falou que “voltar ao universo de Pânico seria uma diversão e tanto para mim” e disse estar “negociando a possibilidade com os produtores”. Do rumor a confirmação, Craven veio para a quarta aventura da série e trouxe junto os boatos de que o trio de protagonistas dos três primeiros filmes também retornariam para a terceira seqüência da trama. Fazia até sentido, tão esquecidos das grandes produções estavam David Arquette, que não faz nada digno de nota desde uma ponta em Sharkboy e Lavagirl, Courtney Cox, que não engata nada em TV ou cinema desde o fim de Friends, e até Neve Campbell, sumida desde o fim da série O Quinteto. Os boatos ainda foram além, dando conta de uma nova trilogia para a série e finalmente confirmando a presença de David e Courtney no elenco, possivelmente tomando o lugar de protagonistas da trama, o que surpreendentemente jogou Campbell para escanteio. Só na última semana, porém, é que foi confirmado que a personagem da atriz não estaria presente na nova trama, focada na produção do filme ficcional A Última Facada, baseado nas experiências que os protagonistas tiveram nos filmes anteriores. A fórmula do “filme-dentro-do-filme”, já usada por Williamson no terceiro empreendimento da série, parece não estar funcionando as mil maravilhas, porém. Recentemente, em seu Twitter, ele disse estar tendo dificuldades em escrever o novo roteiro, o que instalou mais incerteza nos fãs da série.

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo… dia corrido, fazer o quê? Mas enfim, amanhã ou depois eu tenho uma surpresinha para vocês, e quem quiser seguir a pista basta entrar no meu Twitter e até tirar uma idéia do que pode ser essa nova forma de dar notícias cinéfilas para vocês. O link é: https://twitter.com/caiocoletti. Por enquanto, os melhores filmes para todos vocês e até mais!


~ segunda-feira, 22 de junho de 2009 3 comentários cinéfilos

Filadélfia – Amor, contradição e emoção verdadeira em uma obra-prima importante e eterna.

phila 

Filadélfia (Philadelphia, EUA, 1993).

De: Jonathan Demme.

Com: Tom Hanks, Denzel Washington, Antonio Banderas, Jason Robards, Joanne Woodward.

125 minutos.

Não é fácil nem mesmo falar sobre amor, que dirá criar um do nada. O sentimento mais nobre do ser humano é de uma complexidade e inconstância tremendas, impossíveis de se mapear, prever ou simular. Há um certo caráter único sobre cada tipo e cada espécie de amor que torna ainda mais árdua a tarefa dos que ousam tentar defini-lo, domá-lo ou, tão freqüentemente, usá-lo para enriquecer uma obra de ficção. Talvez por causa de tamanha complicação, histórias de amor dependem de momento, de intenção, de uma concordância quase cósmica entre quem estava atrás da câmera e quem está sentado na platéia, para funcionar em uma sala de projeção. É claro, nesse processo está envolvida muita ponderação, precisão mais do que cirúrgica, e as probabilidades de todas essas barreiras ficarem para trás quando gente talentosa está envolvida são infinitamente maiores. Filadélfia é uma história de amor, mas não uma convencional. É uma história de amor fraterno, de um afeto e um envolvimento construídos aos poucos por lados aparentemente antagônicos que se juntam por uma causa e, como num passe de mágica, desfazem as próprias contradições. É uma narrativa habilidosa, cheia de camadas e de emoção verdadeira impossível de descrever, que chega ao final e faz aflorar as lágrimas sinceras que qualquer outra história romântica sempre sonhou. É um triunfo, de cinema e de realidade, que tem algo a dizer para o mundo fora de sua encenação realista, mas não perde o foco nos personagens e nos seres humanos que eles precisam se tornar para envolver a platéia da forma necessária para que a mensagem seja passada e aquela trama deixe as marcas profundas que foi feita para deixar. Sim, Filadélfia é um filme com uma causa a defender, é parte do engajado cinema-denúncia que tantas vezes os críticos desprezam como “panfletagem inútil” ou qualquer outra expressão cínica que prefiram usar. Mas é também uma jornada de emoção verdadeira e andamento tão lento quanto a deterioração da doença que todos temiam no início da década de 1990, quando o filme foi lançado e a AIDS ainda era uma praga desconhecida que provocava medo e reações irracionais. Afinal, a vida de cada um estava em jogo, e não parecia antiético, ao menos naquele momento, discriminar alguém que, você pensava, poderia te condenar a uma lenta e dolorosa morte se chegasse perto demais. Quem sofria com isso, é claro, eram os atingidos pela síndrome, que tinha que lidar com uma população pouco informada sobre o mal que temiam e acabavam jogados de lado, descartados, isolados. Discriminados. Na época, não parecia preconceito, mas hoje talvez fosse um caso fácil de se resolver na justiça. Os tempos mudaram, mas como toda verdadeira obra-prima, Filadélfia continua grandiosa e tocante, resistindo bravamente ao tempo que mudou todas as circunstâncias de sua trama, que poderia até soar banal, distante dos dias de hoje, se não tivesse seres humanos de verdade envolvidos. É por eles, e não por uma causa, que derramamos todos nós nossas lágrimas.

Concentrar narrativas em personagens capazes de envolver o público sempre foi uma estratégia infalível para criar grandes obras, e é seguindo justamente esse caminho que Filadélfia encontra seu diferencial e seu ponto de decisão entre a emoção barata e a verdadeira. É notável, porém, imaginar o quão menos envolvente a mesma narrativa poderia soar nas mãos de um roteirista menos sutil e sensível que o inconstante Ron Nyswaner (O Despertar de Uma Paixão), encontrando o pico de sua carreira na história improvável de um homem que desafia o sistema e luta pela própria liberdade em um mundo que tem medo dele próprio. Sim, porque Andrew Beckett é um pioneiro, um obstinado explorador de novos caminhos que encontra uma causa própria para dedicar sua limitada, quem sabe até curta, vida. Andrew é o jovem e talentoso advogado que se torna a estrela em ascensão de uma conservadora firma, é presenteado com os casos mais importantes e apresenta sem medo suas opiniões ousadas ao chefe, encantando com seu talento. Isso até todos descobrirem que Andrew é homossexual e, ainda mais, é portador do vírus da AIDS. A desventura motivada pelo medo e pelo preconceito leva Beckett a buscar paz em um processo contra seus ex-empregados, criando um caso na justiça que nenhum outro advogado, em sã consciência, aceitaria. É na busca por um defensor da lei que o caminho de Beckett cruza com o de Joe Miller, advogado negro conhecido do povo americano graças a suas propagandas televisivas sobre direito do consumidor, um aventureiro capaz de correr riscos que, dizem, nenhum outro em sua área aceitaria. Justamente o que Beckett precisa, ou pelo menos é isso que parece até descobrirmos que Miller, além de não ter nenhuma informação concreta sobre a AIDS, é homofóbico. É de fato um grande passo a frente para um filme com esse tipo de trama que os dois simplesmente não se unam de uma vez, contrariando os próprios princípios no que seria chamado pelos críticos mais inocentes de “ímpeto de ousadia” ou “espírito de inovação”. Aqui, as coisas acontecem em seu ritmo natural, e a habilidade de Nyswaner ao conduzir a integração dos dois protagonistas, contradições íntimas em pessoa, é notável. As cenas de tribunal, então, são demonstrações do talento de um roteirista capaz de criar diálogos memoráveis e situações marcantes sem precisar tornar os personagens dentro delas bidimensionais. Ironicamente para um roteiro que trata e se utiliza tão bem de oposição de idéias e sentimentos, não há nenhum momento em que as ações de um personagem soem falsas, precipitadas ou atípicas. Tudo corre conforme deveria. De algum modo, soa como se tivesse acontecido de verdade, e esse nível de realismo muito influi no envolvimento que Filadélfia provoca no espectador. Enfim, é por causa da liga forte do roteiro de Nyswaner que cada um dos outros talentosíssimos elementos envolvidos em Filadélfia conseguem brilhar com tamanha intensidade, sem nunca ofuscar a importante, relevante e emocionante história que se passa na tela.

A começar por Jonathan Demme, um dos mais subestimados grandes mestres do cinema americano. Em um de seus momentos de maior glória na carreira, ele seguiu o suspense O Silêncio dos Inocentes, filme que lhe rendeu a estatueta da Academia de melhor direção, com esse épico dramático e polêmico que estreou prometendo trazer uma mensagem importante em um envoltório dramático que provocava medo entre os pouco chegados a um bom drama. No final, o Filadélfia construído por ele se mostrou uma obra capaz de transpassar gêneros e gostos para soar forte na razão e na emoção de qualquer um que fosse capaz de olhar a sua volta e ver alguma coisa. Com controle narrativo irretocável e uma câmera que se despiu de modismos para simplesmente vigiar uma trama que falava por si mesma, Demme faz um trabalho memorável observando desempenhos interpretativos espetaculares e construindo uma ambientação que muito merece de mérito pelo envolvimento que Filadélfia provoca no espectador. Em especial na cena do último depoimento de Beckett em corte, uma das mais aflitivas e opressoras da história do cinema, sua câmera é elemento fundamental para a compreensão absoluta do que ocorre em tela. É vigilante, é detalhista, é inteligente, mas acima de tudo é parte indissociável do cenário que compõe. Em suma, Demme é quase como os brilhantes olhos privilegiados do espectador, e realiza um trabalho que merecia mais destaque do que teve a época do lançamento do filme. A bem da verdade, porém, uma direção tão competente foi jogada de escanteio pela causa nobre da forte impressão que os atores em cena, mais especialmente a dupla de protagonistas, provocou no público. E eles são os culpados por traduzir um roteiro complexo em emoções simples e fascinantes que transparecem não em rostos de atores, mas em rostos de personagens. A começar pelo protagonista absoluto de Tom Hanks, aqui no papel que lhe rendeu o primeiro de dois Oscar seguidos, quebrando seu próprio paradigma de ator cômico para brilhar em uma performance completa, plena em cada segundo de tela e absolutamente dominante dos momentos em que a câmera de Demme se concentra em vigiá-la. Seu Andrew Beckett é carismático, luminoso, perseverante e adorável, mas tem um toque de amargura na voz e um brilho triste nos olhos que não se traduzem em palavras porque são complexos demais, mas reluzem na interpretação de Hanks. Muito se disse sobre a cena em que seu personagem recita uma passagem da ária “Andrea Chenier”, e de fato se trata de um desempenho apaixonado, entregue, não menos do que perfeito, cheio de emoção que atinge o espectador de uma forma que poucas outras produções, cinematográficas ou não, jamais conseguiram. Ao lado dele, é claro, Denzel Washington não deixa por menos em uma das numerosas e memoráveis performances que entregou ao seu público durante o começo da década de 1990. Na pele de Joe Miller, o ator faz jus ao roteiro e cria emoções autênticas, contidas, mas especialmente retumbantes, para representar um personagem que, nas mãos de outro qualquer, poderia ficar sob a sombra da grande e carismática figura de Beckett. Não é o caso na interpretação acertadíssima do grande ator que Washington sempre foi, aqui entregando fechamento e humor a um único tempo, fazendo de Miller tão protagonista quanto Beckett, da forma como foi idealizado no roteiro. Entre os coadjuvantes, vale destacar a presença cheia de classe de Jason Robards (O Dia Seguinte) no vilanesco papel do ex-chefe de Beckett e a galhardia competente de um jovem Antonio Banderas (A Lenda do Zorro) como o namorado latino do mesmo. Virtudes menores que tem pouco tempo para brilhar em um filme que concentra sua narrativa e encontra a mais pura das emoções, do triunfo ao remorso, do começo ao fim. Afinal, não é o amor a própria contradição?

Nota: 9,0


~ domingo, 21 de junho de 2009 0 comentários cinéfilos

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (15/06/2009)

A volta de Hunt. Ethan Hunt.

O primeiro filme da série Missão Impossível estreou em 1996 como o projeto arriscado e ambicioso de um diretor consagrado que não andava em seus melhores momentos. O resultado surpreendeu a todos, rendendo mais que cinco vezes o moderado orçamento de 80 milhões de dólares. A história se repetiu com um escopo maior quatro anos depois, quando John Woo assumiu o comando da franquia e concedeu o pedigree da sua direção de ação para a jornada de Ethan Hunt. Na brincadeira, a Paramount levou mais meio bilhão de dólares para o cofre. Talvez por causa de tamanho histórico, os 380 milhões do terceiro capítulo da série, lançado em 2006 e comandado por J.J. Abrams, tenham sido bem decepcionantes. É de se notar, porém, que na época Cruise andava em um momento de escândalos em sua vida pessoal, atitudes equivocadas com a imprensa e momentos de puro constrangimento, especialmente em se tratando da polêmica religião do astro, a cientologia. Agora, três anos depois do relativo fiasco, Cruise ressurgiu das próprias cinzas com o sucesso de Operação Valquíria, foi indicado ao Globo de Ouro pela ousada performance em Trovão Tropical, e anda arranjando novos projetos para manter esse status a cada semana. É claro, um astro de verdade nunca se esquece de sua franquia preferida, e era questão de tempo para Cruise decidir ressuscitar Ethan Hunt dos mortos e tocar para frente o projeto sempre vivo de continuar a franquia em um quarto episódio para os cinemas. Mas o caminho não é tão fácil quanto parece. De relações cortadas com a Paramount e com o produtor Summer Redstone desde o infame episódio da entrevista para Oprah Winfrey em 2006, o primeiro passo para trazer de volta a série foi, me perdoe o trocadilho, uma missão verdadeiramente impossível. A negociação se estendeu por nada menos que uma dezena de meses, começando em maio do ano passado para encontrar um acordo somente em março último, quando o estúdio aceitou as exigências de Cruise e resolveu dar uma segunda chance a franquia do espião high-tech. Depois de tudo acertado, o próprio Cruise começou a trabalhar no argumento da nova aventura, lançando rumores sobre uma ambientação “mais alternativa” para a nova missão de Hunt. Três meses depois dos primeiros boatos serem silenciados pelo astro, o primeiro convite oficial para integrar a equipe da seqüência foi para o diretor J.J. Abrams, recém-saído de outra ressurreição, a de Star Trek. O convite para retornar a direção da série pode ter adiado as férias que o diretor pretendia tirar para assistir ao fim de Lost, a série que ajudou a tornar um fenômeno. Segundo ele: “Estou muito lisonjeado que Tom tenha me convidado para retornar”. O diretor, porém, não confirmou se planeja aceitar o convite.

O riso dos mortos

zombieland

Zumbis são a última tendência em termos de cinema. Ou talvez não, afinal os mortos-vivos andam aparecendo por todos os lados desde que o britânico Danny Boyle os apresentou para toda uma nova e refinada geração com seu brutal Extermínio, sucesso surpreendente que já ganhou uma continuação e tem o fechamento da trilogia já a caminho. Desde então, e estamos falando de mais de sete anos, os zumbis já passaram pelas mãos brilhantes de um comediante inglês em Todo Mundo Quase Morto, pela câmera trepidante de uma dupla de cineastas italianos desconhecidos em [REC] e até levaram a fama o hoje aclamado Zack Snyder, com seu Madrugada dos Mortos. Ao que parece, a onda tende a crescer ainda mais nos próximos anos, mesmo que os projetos anunciados com o tema não sejam exatamente promessas de obras-primas. Antes de tudo, é bom falar que as próximas linhas contém uma heresia capaz de fazer os fãs de literatura clássica enfartar. Ainda aqui? Pois bem, aí vem a bomba: está sendo produzida a adaptação de Pride & Prejudice & Zombies, obra de um apresentador de talk-show americano que teve a brilhante idéia de misturar a clássica trama de Jane Austen com uma invasão inesperada de zumbis na Inglaterra vitoriana. Quer mais? O projeto ainda pegou de jeito a sumida Natalie Portman, que pode sair de uma folga de três anos desde V de Vingança para estrelar a tragédia. Enquanto, ironicamente, a heresia é disputada a tapa pelos grandes estúdios da capital do cinema, a bola da vez é da Columbia, que tem Zombieland pronto para estrear no final do ano. Marcado para dia 4 de Dezembro, o projeto vem sendo comentado desde meados do ano passado, quando Woody Harrelson, que anda reconstruindo sua carreira em papéis menores, embarcou para interpretar o caçador de zumbis da vez. No roteiro a quatro mãos da dupla Paul Wernick e Rhett Reese, responsáveis por shows de comédia como o The Joe Schomo Show e estreantes na tela de cinema, o personagem do ator se junta a um adolescente que encontrou no medo a maior ferramenta para a sobrevivência e a outros dois misteriosos andarilhos de um mundo dominados por zumbis e precisa decidir se a confiança vale a pena frente a sobrevivência. Dois meses depois de Harrelson aceitar o papel do caçador destemido, seu contra-ponto medroso foi materializado em Jesse Eisenberg (A Lula e a Baleia), que anda bastante ocupado nos últimos tempos. Dupla principal definida, os coadjuvantes foram aparecendo espontaneamente e acabaram atiçando ainda mais a curiosidade do público. Emma Stone, uma das garotas do super-sucesso Superbad, assinou para viver uma das andarilhas misteriosas, tendo a seu lado a pequena Abigail Breslin, que também ficou com a agenda cheia desde Pequena Miss Sunshine. O elenco ainda foi completado pela presença surpreendente de Bill Murray (A Cidade das Sombras), e pela participação da ucraniana Mila Kunis, vista recentemente em Max Payne. A primeira foto da trupe toda já foi liberada e figura aí em cima.

Um par de damas

Personagens de vidas duplas sempre foram um prato cheio para o cinema. Se pelo menos metade dos espiões cinematográficos devem seu charme a esse tipo peculiar de se estudar um personagem, ao menos outras dezenas de donas de casa já se revelaram muito mais interessantes ao atravessarem o batente de seus lares. Um pouco perdido na conversa? Projetos postos em questão: Lunch Lady e Secretariat. Cada um com suas peculiaridades, com suas histórias e com suas estrelas, mas unidos pelo expediente bem comum de conceder uma segunda vivência a personagens que, por uma visão simples, não seriam exatamente fascinantes. Comecemos do começo, então. Lunch Lady, como a maioria das grandes atrações futuras da grande Hollywood, é a adaptação de uma série em quadrinhos que, até agora, teve apenas seus dois primeiros exemplares lançados. A trama criada pelo autor de histórias infantis Jarrett Krosoczka foca na doce garçonete de uma cafeteria que age secretamente como uma agente do governo treinada para ajudar a polícia em suas investigações mais obscuras e misteriosas. Em suma, um filme de detetive para crianças com altas conspirações governamentais e uma estrela da comédia para os adultos. A estrela em questão, Amy Poehler, pode ter dado um grande passo rumo a consolidação de sua até então inconstante carreira cinematográfica ao aceitar o papel principal de uma produção bem mais vendável do que os quadros de humor ácido que costumava fazer no Saturday Night Live com a amiga Tina Fey, hoje estabelecida com sua 30 Rock. O roteiro também vem direto da televisão, onde a autora Emily Halpern trabalhou em episódios de The Unit e Private Practice, mas por enquanto não se sabe se o script cobrirá a trama dos quatro episódios previstos para a série no papel ou apenas a do primeiro tomo, Lunch Lady and the League of the Librarians. Em tom um pouco mais sério e com origens em uma história real, o segundo projeto que investe em uma vida paralela para sua protagonista é Secretariat, título provisório para a cinebiografia da Penny Chennery, célebre por ter se tornado a “primeira dama” da corrida de cavalos. Antes de tudo isso, Penny era uma dona de casa com uma vida aparentemente perfeita no contexto do american way of life, que viu sua vida mudar após herdar uma fazenda de seu falecido pai e se apaixonar pela bucólica paisagem do lugar, aprendendo progressivamente mais sobre as competições de cavalos. Saiu premiada e agora a Disney quer colocar essa história em película com seu clima familiar de sempre. Ponto para eles, que escalaram a talentosa Diane Lane (Noites de Tormenta) para estrelar a obra e têm Mike Rich (Encontrando Forrester) assinando o roteiro, enquanto Randall Wallace (Fomos Heróis) se encarrega da direção. Ambos os filmes devem chegar aos cinemas no início de 2011.

Direto de Marte

Dessa vez vai. Em desenvolvimento há quase meia década e experiente de pelo menos uma dupla de tentativas fracassadas, o projeto de filmar a clássica novela John Carter of Mars parece ter encontrado seu lar definitivo na Disney/Pixar. E é impossível negar a ousadia do brilhante Andrew Stanton, recém-saído da obra-prima Wall*e, em escolher um projeto tão complicado como seu primeiro filme em live-action. Afinal, o filme já passou por confusões nas mãos de Robert Rodriguez (Sin City) e Jon Favreau (Homem de Ferro), que viram os sonhos caírem pelo ralo por diversos problemas envolvendo o sindicato de cineastas americano e as exigências absurdas da Warner. Apesar da falta de segurança que o projeto ainda transpira para todos os lados, ao menos dessa vez parece que o estúdio do Mickey acertou nos cautelosos passos para levar uma obra tão cultuada para as telas do cinema. Primeiro, Stanton garantiu, enquanto desenvolvia por si próprio o roteiro, que o clima de realismo da prosa de Edgar Rice Burroughs, mais conhecido como o criador de Tarzan, seria mantida. Segundo ele, o filme “será como se a equipe do National Georaphic chegasse a uma civilização desconhecida enquanto explorava uma caverna”. Portanto, nada de exageros e pirotecnias dos arrasa-quarteirões, mesmo que as batalhas do livro prometam soar ainda mais fortes na grande tela. Em seguida, foi anunciado que o roteiro completo de Stanton passaria por uma revisão pelas mãos competentes de Michael Chabon, célebre por scripts do nível de Garotos Incríveis e Homem-Aranha 2. Dois meses depois da sábia decisão, os primeiros sinais de elenco foram surgindo como rumores pela Internet, quase despercebidos para quem não é de fato muito ligado em tudo que se passa na rede. A primeira notícia veio do lado feminino da trama, com a atriz Lynn Collins, vista recentemente como o par romântico do protagonista em Wolverine, publicando em seu Twitter a chamada “celebrando John Carter”, que levantou rumores sobre a atriz interpretando a princesa marciana Dejah Thoris. No mesmo dia, coincidentemente, primeiro anúncio oficial de escalação para o projeto veio da Disney, dando conta certa de Taylor Kitsch, outro dos coadjuvantes do filme do mutante de garras, na pele do papel-título, o de um veterano da Guerra Civil americana que é seqüestrado e levado a Marte, se tornando prisioneiro de um poderoso e maligno guerreiro. O terceiro integrante da lista veio em uma entrevista ao talk show de Jeffrey Lyons, onde o ator Thomas Haden Church (Homem-Aranha 3) confirmou estar trabalhando no projeto com a Disney e o diretor Stanton. Resta saber quantos mais astros o orçamento da toca do rato pode suportar.

Bom, gente, e por hoje é só isso mesmo… por enquanto, posso dizer que tenho uma crítica vindo por aí e estou até um pouco atrasado nas notícias, mas as provas da escola vem aí, então vai ficar meio difícil postar com tanta freqüência… mas assim que puder o farei, certo? Os melhores filmes para todos vocês e até a próxima!


~ segunda-feira, 15 de junho de 2009 4 comentários cinéfilos

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (10/06/2009)

Classe A

Nada como um filme que faça jus a seu título. Ainda que não tenha a melhor das expectativas em seu encalço, o fato é que Esquadrão Classe A, vindoura adaptação da célebre série televisiva oitentista, tem escalado um time de primeira para trabalhar atrás e a frente das câmeras. Para quem não está familiarizado com o mundo das séries antigas, The A-Team estreou na NBC em 1983 como uma modesta produção sobre quatro veteranos de guerra que são acusados de um crime que não cometeram e saem pelos Estados Unidos ajudando inocentes enquanto escapam da cerrada perseguição militar. A trama prosseguiu por cinco temporadas até 1987, quando a série completou 97 episódios e saiu do ar como o maior sucesso da época e um dos maiores até hoje. O fato é que Esquadrão Classe A se tornou aquela espécie de série que acende a nostalgia nos mais velhos e ainda atiça a curiosidade das novas gerações, um verdadeiro cult duas décadas depois da transmissão de seu episódio derradeiro. Dito isso, a preocupação dos fãs é até compreensível, principalmente quando o primeiro esboço de projeto previa um diretor inexperiente, uma penca de sub-astros e um equivocado tom sério, mais próximo da ação saudosista de Missão: Impossível do que do pastiche que tornou a série o clássico que é até hoje. Foi só no começo desse ano, quase cinco depois da malfadada primeira tentativa da Fox em reviver o esquadrão, que o projeto tomou seu caminho. E talvez o grande responsável por esse novo rumo seja Joe Carnahan, que anda precisando de um sucesso de verdade depois de não cair nas graças da crítica com o estiloso A Última Cartada. Se tudo começou com o envolvimento do cineasta inglês, é inegável que a badalada dupla de roteiristas Michael Brandt e Derek Haas, versáteis responsáveis por filmes do nível de Os Indomáveis e Procurado, têm muito a ver com a intensa disputa de grandes nomes para integrar o elenco da adaptação. Os primeiros rumores após a finalização do roteiro, por exemplo, davam conta de Chris Pine, o capitão Kirk da encarnação mais recente de Star Trek, na pele de um dos coadjuvantes da série, o Capt. Murdock feito por Dwight Schultz (O Início do Fim) na encarnação original. Hoje, o nome envolvido com o personagem é o de Woody Harrelson, que aos poucos renasce na capital do cinema como coadjuvante valioso em filmes do naipe de Sete Vidas e Onde os Fracos Não Têm Vez. Ao lado dele, na pele do famoso Mr. T da série original, o rapper Common, dono de um personagem marcante em O Procurado, volta a desafiar seu próprio carisma. Enquanto isso, Bradley Cooper (Sim Senhor) assume-se como novo queridinho dos estúdios na pele do protagonista e Liam Neeson (Batman Begins) aposta no típico policial durão ao encarnar o Coronel Smith. Time de classe, temos que admitir, que deve chegar aos cinemas em 11 de Julho de 2010.

Recorde inesperado

O cinema não vive só de blockbusters, apesar de Hollywood freqüentemente tentar nos convencer do contrário. Uma enganação que não funciona mais em tempos que cinema independente se tornou um negócio lucrativo e, acima de tudo, um criador massivo de símbolos pop. Juno não custou nem 10 milhões de dólares e era o projeto pessoal de uma estreante promissora antes de se tornar o maior fenômeno cinematográfico dos últimos tempos. Pequena Miss Sunshine custou quase o mesmo, rendeu o dobro e ainda chegou ao Oscar com grande torcida por uma premiação. Cá entre nós, aliás, só não se pode prever o mesmo para The Hangover porque comédias descompromissadas e cheias de conteúdos duvidosos não são a especialidade da Academia. Mas que o filme de Todd Phillips (Starsky & Hutch) é o novo fenômeno da divulgação boca-a-boca, disso não há dúvidas. Sem nenhum grande astro no elenco, um moderado orçamento de 35 milhões e distribuição discreta da Warner Bros, o filme alcançou apenas em seu fim-de-semana de estréia a marca histórica de 44 milhões na bilheteria. Um recorde entre os filmes com classificação etária R, o que em terras americanas restringe o filme a maiores de 17 anos ou acompanhados pelos responsáveis. E a crítica também tem rasgado elogios ao filme, mais especificamente ao roteiro da dupla Jon Lucas e Scott Moore, responsáveis por outro dos hits dos últimos tempos, o romântico Surpresas do Amor. Dessa vez o foco deles foi para Las Vegas, onde quatro amigos comemoram a despedida de solteiro de um deles. Até aí nenhuma novidade, mas a confusão de verdade começa quando o quase-noivo desaparece na virada da noite e cabe ao trio remanescente reconstruir seus passos para reencontrar o amigo a tempo do casamento. O protagonista perdido é interpretado por Justin Bartha, conhecido pelos papéis coadjuvantes em filmes como A Lenda do Tesouro Perdido mas a estrela da vez é mesmo Bradley Cooper (Sim Senhor), que se junta aos amigos Ed Helms (The Office) e Jeff Galifianakis (Jogos de Amor em Las Vegas) para cumprir a missão e salvar o dia. Pelo caminho estarão animais ferozes, um bebê desconhecido, a polícia, dentes quebrados e um apartamento dos sonhos botado abaixo por uma noite que eles nem mesmo se lembram. Ah, e ainda tem Mike Tyson em uma ponta, interpretando a si mesmo, é claro. Você vai ser capaz de perder isso? The Hangover, batizado por aqui como Se Beber Não Case, deve estrear em 8 de Agosto.

Enfim, o vilão!

A Marvel anda de vento em popa, liberando novidades de seus vindouros e esperados filmes a todo o momento e atiçando a curiosidade dos fãs com revelações bem medidas para não provocar mais do que o necessário a legião de blogueiros fanáticos que já estragaram algumas das produções mais aguardadas da história. A verdade é que a expectativa talvez seja a parte mais empolgante. Por essas e por outras, não custa nada dar uma olhada nas maiores novidades direto do set de Homem de Ferro 2, continuação que deve chegar aos cinemas brasileiros quase uma semana antes de aportar nas salas americanas, em 30 de Abril do próximo ano. Desde que a primeira foto oficial de Tony Stark em seu laboratório foi liberada na rede, no começo de Maio, comentários, fotos e declarações foram o que não faltou para promover a aventura super-heróica que segue com a jornada do milionário portador de um problema do coração que veste uma armadura e relutantemente combate o crime. O roteiro de Justin Theroux (Trovão Tropical) pode provocar arrepios nos fãs de quadrinhos com a expectativa de múltiplos vilões e a forma de lidar com o reconhecimento mundial da identidade do herói. Tudo isso e mais Nick Fury, é claro. SHIELD e projetos futuros a parte, uma das mais esperadas aparições do novo filme é a de Justin Hammer, o rival de negócios de Stark e velho conhecido dos fãs de quadrinhos. Como bem assinalou Sam Rockwell (O Guia do Mochileiro das Galáxias) em entrevista a MTV, não se trata de um vilão convencional. Em suas acertadas palavras: “Justin não lutará contra Stark com um uniforme. Ele é o cérebro, não os músculos”. Seriam estes então os de Wiplash, vilão conhecido por aqui no Brasil como Chicote Negro? Se o forem, aí em cima está o primeiro aperitivo da forma de Mickey Rourke (O Lutador) em um dos papéis com maior visibilidade de sua carreira. Enquanto mistérios permanecem no ar, ao menos uma das expectativas do filme foi parcialmente descoberta pelo diretor Jon Favreau (Zathura), que retorna para comandar a segunda aventura do herói. Em entrevista a Empire, o cineasta falou sobre o conflito interno do protagonista, as conseqüências da pressão de ser um herói e um possível segundo uniformizado surgindo durante a projeção de seu filme: “É esperado que Tony seja um modelo, mas não acredito que ele esteja pronto. Ele está sob muita pressão e quando você está sob pressão você tem que achar uma válvula de escape. Esse é um dos dilemas do filme: uma coisa é falar que você é o Homem de Ferro, outra é você se transformar no Homem de Ferro. E digamos que Tony não será a única pessoa a lidar com tecnologia no filme”. Holofotes todos sobre Don Cheadle (Hotel Ruanda), o homem que assumiu o manto de James Rhodes, melhor amigo de Stark e futuro substituto do milionário quando este cai em problemas com álcool.

Super-cool

Mark Millar é um escritor de tiradas certeiras e ácidas, momentos de puro deleite pop e uma modernidade impressionante, sem comparativos no atual quadro de criadores de quadrinhos. Na ativa desde o começo da década passada, esse escocês tomou o holofote principal ao assumir o roteiro de diversos títulos da poderosa Marvel e ainda assim não deixou de lançar suas infalíveis minisséries em edições limitadas, sempre pérolas de humor e tours de force pela genialidade pop de seu autor. Kick-Ass, primeira dessas minisséries bancadas pela Marvel, não foi uma exceção. Lançada no começo do ano passado, a trama era sobre um adolescente que improvisa um traje de super-herói e sai as ruas realizando o sonho de qualquer nerd mesmo sem ter poder especial algum. Só como aperitivo para quem não conferiu: na primeira tentativa o garoto é massacrado, e na segunda vai parar no YouTube. Em seis edições, Millar foi livre para destilar sua ironia e sua observação cool e sagaz do mundo moderno ao seu redor. E de quebra ainda vendeu feito água e se tornou um dos ícones da nova geração de nerds. Agora, pouco mais de um ano depois do fechamento da trama, a única conclusão possível de se tirar é que Millar é um sujeito muito esperto. A bem da verdade, o projeto de filmar Kick-Ass surgiu quando a segunda edição ainda chegava as bancas e o badalado diretor Matthew Vaughn (Stardust) aceitou comandar a obra. De lá para cá, o hype de Kick-Ass só fez crescer e é inegável que o filme vai chegar aos cinemas nos próximos meses como um forte candidato a futuro cult. Com o roteiro a cargo do próprio Vaughn, como sempre ao lado da parceira Jane Goldman, o filme começou bem na cotação dos fãs ao escalar a revelação Chritopher Mintz-Plasse (Superbad) para interpretar o icônico vilão Red Mist, principal rival do protagonista. Para o papel principal, aliás, a produção acertou outra vez ao convocar o pouco conhecido Aaron Johnson, cujos trabalhos mais notáveis até hoje foram o protagonista do infantil O Senhor dos Ladrões e a ponta como o jovem Eisenheim em O Ilusionista. Se a confiança não é muita em relação ao garoto, ao menos ele está em boa companhia. Saído direto das filmagens apoteóticas da ficção científica Presságio e tocando o projeto ao mesmo tempo em que roda Aprendiz de Feiticeiro, Nic Cage crava outro personagem interessante na pele de um ex-policial vingativo que treina sua filha para ser uma arma mortal. De brinde, o filme ainda tem o astro em ascensão Mark Strong (RocknRolla) encarnando, só para variar, um chefão do crime nova-iorquino. Sinas a parte, as primeiras fotos empolgaram ainda mais os fãs e de uma hora para a outra Kick-Ass se tornou o filme mais esperado do ano. Ficou curioso? Quer saber mais? Vá para o Google e junte-se aos nerds.

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo… notícias boas para os fãs de quadrinhos e das comédias… e de séries antigas! Um dia cheio hoje, mas arranjei um tempo para juntar essas pequenas novidades do mundo do cinema para vocês… então vou ficando por aqui mesmo. Os melhores filmes para todos vocês e até mais!


~ quarta-feira, 10 de junho de 2009 3 comentários cinéfilos